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Minerais críticos

Câmara aprova fundo de R$ 5 bilhões para minerais críticos: o que muda para o Brasil

Com um fundo de até R$ 5 bilhões, a nova política para minerais críticos aprovada pela Câmara busca garantir que o Brasil lidere a transição energética global.

07 mai 2026 - 08h32 Joice Gomes   atualizado às 08h35
Câmara aprova fundo de R$ 5 bilhões para minerais críticos: o que muda para o Brasil Plenário da Câmara dos Deputados durante a aprovação do projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos. (Imagem: gerado por IA)

A Câmara dos Deputados deu um passo estratégico nesta quarta-feira (6) ao aprovar o texto-base do Projeto de Lei 2780/24, que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE). A medida não apenas organiza o setor, mas autoriza a criação de um fundo garantidor que pode injetar até R$ 5 bilhões na exploração de elementos essenciais para a tecnologia moderna.

Na prática, o Brasil tenta assegurar seu lugar na disputa global por recursos como o lítio e as terras raras, componentes vitais para a fabricação de semicondutores, baterias de veículos elétricos e sistemas avançados de defesa. Sem esses minerais, a transição energética e a indústria digital simplesmente param. E é aqui que está o ponto central: a medida busca reduzir a dependência externa e fortalecer a indústria nacional.

O texto aprovado, relatado pelo deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), prevê a criação de um comitê especializado para definir quais minérios receberão prioridade absoluta em licenciamentos e incentivos fiscais. Isso deve reduzir sensivelmente a burocracia que hoje trava grandes investimentos no setor mineral brasileiro.

O que muda na prática com o novo fundo bilionário

O ponto central da proposta é a criação do Fundo Garantidor da Atividade Mineral (Fgam). Com um aporte inicial de R$ 2 bilhões da União, o fundo servirá como uma rede de segurança para atrair investidores privados, podendo alavancar até R$ 5 bilhões em projetos de extração e beneficiamento. Na prática, isso muda mais do que parece, pois diminui o risco financeiro para quem decide apostar no subsolo brasileiro.

Mas o impacto vai além do dinheiro em caixa. Ao priorizar o licenciamento ambiental e criar um fluxo de aprovação mais ágil para projetos considerados estratégicos, o governo espera atrair empresas que antes temiam a lentidão jurídica. O objetivo é ambicioso: transformar o Brasil de mero exportador de minério bruto em um polo de processamento tecnológico de alto valor agregado.

Atualmente, o país detém a segunda maior reserva de terras raras do mundo, cerca de 21 milhões de toneladas, ficando atrás apenas da China. No entanto, o potencial real pode ser ainda mais surpreendente, já que apenas 25% do território nacional foi devidamente mapeado geologicamente até hoje.

Por que a soberania nacional está no centro do debate

Apesar do otimismo econômico, a votação não foi isenta de tensões. O debate sobre quem deve controlar essas riquezas ganhou força, especialmente após a recente aquisição da mina Serra Verde, em Goiás, por um grupo norte-americano. Críticos da proposta, como a deputada Jandira Feghali, defendem que a lei deveria ser mais rígida quanto à participação de capital estrangeiro para evitar a evasão de riqueza estratégica.

Em resposta, o relator incluiu mecanismos que buscam incentivar que a transformação industrial ocorra em solo brasileiro, evitando que o país repita o ciclo de exportar apenas matéria-prima. Além disso, o novo marco legal traz uma camada importante de responsabilidade social e ambiental que não pode ser ignorada:

  • Obrigatoriedade de consulta prévia, livre e informada a povos indígenas e comunidades tradicionais afetadas;
  • Segurança jurídica baseada em diretrizes internacionais da Convenção 169 da OIT;
  • Monitoramento rigoroso de mudanças no controle societário das mineradoras estratégicas.

Este movimento legislativo abre uma janela de oportunidade única para o desenvolvimento nacional. Se bem executada, a nova política pode retirar o Brasil do vazio estratégico e posicioná-lo como um parceiro indispensável para as maiores economias do mundo, garantindo não apenas divisas, mas o domínio tecnológico necessário para liderar o século XXI.

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