0:00 Ouça a Rádio
Qua, 01 de Abril
Busca
0:00 Ouça a Rádio
Economia

Governo confirma vigência provisória do acordo Mercosul-UE a partir de maio de 2026

25 mar 2026 - 09h51 Joice Gomes
Governo confirma vigência provisória do acordo Mercosul-UE a partir de maio de 2026 Após troca de notificações, Brasil e UE iniciam aplicação temporária do acordo Mercosul-UE em 1º de maio. (Imagem: União Europeia/Mercosul)

O governo brasileiro anunciou que o acordo de parceria entre Mercosul e União Europeia passará a valer de forma provisória a partir de 1º de maio de 2026. A confirmação veio após a Comissão Europeia responder à notificação brasileira, concluindo os procedimentos internos exigidos pelo texto.

Os ministérios envolvidos – Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços; Relações Exteriores; e Agricultura, Pecuária e Abastecimento – informaram que o Brasil enviou sua notificação oficial em 18 de março. A resposta da UE, recebida no dia 24, libera a fase inicial de aplicação do pilar comercial do tratado.

O decreto presidencial de promulgação, que incorpora o acordo ao ordenamento jurídico nacional após aprovação no Congresso, está em fase final de tramitação. Essa etapa marca o início prático de benefícios tarifários para exportadores brasileiros no mercado europeu.

Trajetória longa de negociações complexas

O acordo Mercosul-UE resulta de mais de duas décadas de discussões, com início formal em 1999 durante cúpula no Rio de Janeiro. Interrompidas por divergências em agricultura, barreiras não tarifárias e questões ambientais, as rodadas retomaram impulso em 2010 e culminaram em entendimento político em junho de 2019.

Ajustes posteriores, incluindo o chamado "Pacote de Brasília" entre 2023 e 2024, resolveram pendências técnicas. A assinatura definitiva aconteceu em 17 de janeiro de 2026, em Assunção, no Paraguai, após aval do Conselho da UE por maioria qualificada. No Brasil, o Congresso Nacional aprovou o texto em 17 de março.

O tratado abrange 718 milhões de pessoas e US$ 22,4 trilhões em PIB combinado, formando uma zona de livre comércio entre o segundo maior mercado do mundo (UE) e o bloco sul-americano. Essa ponte comercial chega em momento de tensões globais, contrapondo-se a tendências protecionistas.

Ganhos comerciais e projeções econômicas

No cerne do pacto, a eliminação de tarifas em 91% a 95% do fluxo bilateral de bens. A UE abrirá seu mercado para 92% das exportações brasileiras sem impostos, com prazos de desgravação de até 12 anos para produtos sensíveis. Cotas preferenciais beneficiam carnes (bovina: 99 mil toneladas/ano; aves: 180 mil toneladas), etanol e açúcar.

Em contrapartida, o Mercosul reduzirá barreiras em 85% das importações europeias em até 15 anos, com transições longas para o setor automotivo (até 30 anos para veículos híbridos e elétricos). Proteções incluem salvaguardas e cláusulas de reequilíbrio contra desbalces comerciais.

Simulações governamentais apontam impacto positivo de 0,34% no PIB brasileiro até 2044, equivalente a R$ 37 bilhões anuais. As exportações para a Europa devem crescer 2,65% (R$ 52,1 bilhões extras), com queda de 0,56% nos preços internos ao consumidor e atração de R$ 13,6 bilhões em investimentos.

  • Superávit comercial Brasil-UE em 2025: US$ 40,5 bilhões em exportações contra US$ 39,2 bilhões em importações.
  • Principais itens exportados: petróleo, café, soja, minério de ferro e carnes.
  • Setores beneficiados: agronegócio (60% do ganho), mas também manufaturados com acesso ampliado.

Capítulo verde e salvaguardas setoriais

O texto incorpora compromissos robustos com sustentabilidade, alinhados ao Acordo de Paris e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Há capítulos dedicados a comércio e desenvolvimento sustentável, bem-estar animal, combate à desmatamento e transição energética.

O Brasil receberá assistência técnica europeia para rastreabilidade e certificações, valorizando dados nacionais em avaliações ambientais. Políticas públicas em saúde, educação rural e apoio a pequenos produtores ficam preservadas, com foco em cadeias de valor sustentáveis.

Além disso, o acordo moderniza regras de investimentos, propriedade intelectual (protegendo indicações geográficas como cachaça e queijos mineiros) e serviços. Compras governamentais ganham transparência, abrindo portas para empresas sul-americanas na UE.

Controvérsias europeias e perspectiva futura

Na Europa, o avanço divide opiniões. França, Polônia, Irlanda e Áustria manifestam reservas, temendo concorrência desleal em laticínios, carnes e grãos. O presidente francês Emmanuel Macron questionou a pressa na aplicação provisória, e protestos de agricultores pipocam em Bruxelas.

Países como Alemanha, Espanha e Portugal defendem o pacto por diversificar fornecedores e acessar commodities sul-americanas. O texto agora segue para o Tribunal de Justiça da UE, cuja análise pode condicionar a vigência plena. No Mercosul, Brasil, Argentina e Uruguai concluíram ratificações; Paraguai avança.

Essa fase provisória ativa o comércio bilateral enquanto pilares político e de cooperação aguardam parlamentos nacionais. Para o Brasil, maio inicia era de previsibilidade tarifária, com potencial para acelerar negociações com EFTA, Singapura e Canadá.

Produtores rurais celebram cotas ampliadas, enquanto indústrias preparam adaptações à concorrência em máquinas e químicos. Economistas destacam que o acordo reforça o Brasil como hub agroindustrial, mas cobra modernização para competir em manufaturados.

Com o mundo atento a cadeias globais fragmentadas, o acordo Mercosul-UE sinaliza otimismo multilateral. Seus efeitos práticos, a partir de maio, ditarão o ritmo para ratificações definitivas e expansão de parcerias.

Mais notícias
Caixa encerra hoje pagamento da parcela de março do Bolsa Família para todo o país
Bolsa Família Caixa encerra hoje pagamento da parcela de março do Bolsa Família para todo o país
Receita Federal libera lote da malha fina de março com R$ 300 milhões para 87 mil contribuintes
Economia Receita Federal libera lote da malha fina de março com R$ 300 milhões para 87 mil contribuintes
Ministro Silvio Costa Filho confirma leilão do Aeroporto de Brasília para novembro de 2026
Infraestrutura Ministro Silvio Costa Filho confirma leilão do Aeroporto de Brasília para novembro de 2026
Governo central termina fevereiro com déficit de R$ 30 bilhões, mas segue com superávit no acumulado de 2026
Economia Governo central termina fevereiro com déficit de R$ 30 bilhões, mas segue com superávit no acumulado de 2026
Mudanças na CLT podem afetar concessão de férias para trabalhadores
Direitos Mudanças na CLT podem afetar concessão de férias para trabalhadores
Caixa paga Bolsa Família com valores que podem passar de R$ 1.000 no fim de março
Social Caixa paga Bolsa Família com valores que podem passar de R$ 1.000 no fim de março
Aena vence leilão do Aeroporto do Galeão com proposta de R$ 2,9 bilhões
Estratégico Aena vence leilão do Aeroporto do Galeão com proposta de R$ 2,9 bilhões
Mercado revisa alta da inflação para 4,31% em 2026, perto do teto da meta
Economia Mercado revisa alta da inflação para 4,31% em 2026, perto do teto da meta
Juros do cartão batem 436% ao ano em fevereiro e agravam crise de endividamento das famílias brasileiras
Economia Juros do cartão batem 436% ao ano em fevereiro e agravam crise de endividamento das famílias brasileiras
Caixa deposita Bolsa Família em março para beneficiários com NIS de final 9
Benefício Caixa deposita Bolsa Família em março para beneficiários com NIS de final 9
Mais Lidas
Banco Central anuncia novas regras para o Pix e medidas já estão em vigor
Tecnologia Banco Central anuncia novas regras para o Pix e medidas já estão em vigor
6G promete internet até 100 vezes mais rápida que o 5G
Futurista 6G promete internet até 100 vezes mais rápida que o 5G
Ciência revela quanto tempo o cérebro leva para esquecer um ex
Emocional Ciência revela quanto tempo o cérebro leva para esquecer um ex
Por que algumas pessoas embrulham cartões de crédito em papel alumínio
Tecnologia Por que algumas pessoas embrulham cartões de crédito em papel alumínio