Contêineres organizados em terminal portuário semelhante ao Porto de Santos.
(Imagem: Canva)
Motoristas de transporte de carga que atuam no Porto de Santos anunciaram uma paralisação de 24 horas em protesto contra a cobrança pelo uso dos pátios reguladores. A mobilização está prevista para começar às 8h desta quarta-feira (25) e deve reunir milhares de profissionais da categoria.
De acordo com o sindicato que representa os transportadores, cerca de 5 mil caminhoneiros devem participar do ato, que será concentrado no pátio regulador localizado em Cubatão. A mobilização foi convocada pelo Sindgran, que reúne profissionais das cidades de Santos, Guarujá e Cubatão.
O principal motivo da paralisação é a cobrança considerada elevada para utilização dos pátios reguladores, estruturas utilizadas para organizar o fluxo de caminhões que aguardam autorização para entrar nos terminais portuários.
Taxa pode chegar a R$ 800
Segundo representantes da categoria, o valor cobrado para permanência nesses espaços pode chegar a R$ 800 por um período de 24 horas. Para os caminhoneiros, esse custo tem impactado diretamente a renda dos trabalhadores e dificultado a viabilidade de muitas viagens.
O sindicato afirma que o modelo atual transfere aos transportadores uma despesa que deveria ser responsabilidade dos terminais portuários ou das empresas envolvidas nas operações logísticas.
Para os profissionais que dependem do transporte rodoviário como fonte de renda, a cobrança acaba reduzindo significativamente o ganho obtido com cada frete.
Como funcionam os pátios reguladores
Os pátios reguladores são áreas de apoio utilizadas para controlar o fluxo de veículos pesados nas proximidades de grandes portos e centros logísticos. Esses locais funcionam como pontos de espera até que os caminhões recebam autorização para acessar os terminais.
O sistema foi criado para evitar filas nas rodovias de acesso e reduzir congestionamentos nas áreas urbanas próximas aos portos.
Na prática, os caminhoneiros precisam permanecer nesses espaços até a liberação para entrada nos terminais, conforme a programação das operações portuárias.
Paralisação deve ocorrer sem bloqueio de vias
De acordo com o Sindgran, a paralisação foi planejada para ocorrer de forma organizada e sem bloqueio de rodovias ou vias públicas.
A concentração dos caminhões deve acontecer apenas dentro do pátio regulador em Cubatão, com o objetivo de chamar atenção para o problema e pressionar por mudanças no modelo de cobrança.
Mesmo sendo uma paralisação limitada, a presença de milhares de caminhões parados pode provocar impactos na dinâmica logística do Porto de Santos ao longo do dia.
Possível impacto nas operações portuárias
O porto localizado no litoral paulista é considerado o maior complexo portuário da América Latina, responsável por grande parte da movimentação de cargas do país.
Por esse motivo, qualquer mobilização envolvendo caminhoneiros pode afetar o ritmo das operações logísticas, principalmente no transporte de contêineres e mercadorias destinadas à exportação ou importação.
A expectativa da categoria é que o protesto ajude a abrir diálogo com autoridades e empresas do setor, buscando uma solução para a cobrança considerada injusta pelos trabalhadores.