Governo solicita investigação após aumento no preço dos combustíveis em vários estados
(Imagem: José Cruz Agência Brasil)
A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), ligada ao Ministério da Justiça, solicitou nesta segunda-feira (10) que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) investigue o aumento recente no preço dos combustíveis em diferentes regiões do Brasil. A medida ocorre após denúncias de reajustes registrados em postos localizados na Bahia, Rio Grande do Norte, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e no Distrito Federal.
Segundo a Senacon, a solicitação foi encaminhada depois que representantes de sindicatos do setor apontaram que distribuidoras estariam elevando os preços de venda, mesmo sem qualquer anúncio de reajuste por parte da Petrobras em suas refinarias.
De acordo com os relatos apresentados pelas entidades, os aumentos estariam sendo justificados por possíveis impactos da alta do petróleo no mercado internacional, influenciada pelos conflitos e tensões recentes no Oriente Médio. Ainda assim, o governo quer esclarecer se houve práticas que possam ter prejudicado a livre concorrência.
A Senacon informou, em nota oficial, que pediu ao Cade a avaliação sobre possíveis indícios de condutas anticoncorrenciais no mercado. Entre as suspeitas analisadas está a possibilidade de influência para que empresas concorrentes adotem práticas comerciais semelhantes ou coordenadas, o que poderia afetar diretamente os consumidores.
Sindicatos alertam para impacto do cenário internacional
Entidades representativas do setor de combustíveis também manifestaram preocupação com a situação. O Sindicato do Comércio de Combustíveis da Bahia afirmou, em publicação nas redes sociais, que o cenário internacional tem gerado pressão sobre o preço do petróleo.
Segundo a entidade, os conflitos envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã vêm impactando o mercado global, o que pode provocar reflexos também no Brasil.
No Rio Grande do Norte, o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sindipostos RN) também alertou para os efeitos da instabilidade internacional. A entidade destacou que o aumento das cotações do petróleo já acende um sinal de alerta para o setor de combustíveis no país.
Em Minas Gerais, o sindicato Minaspetro afirmou que a diferença entre o preço praticado no mercado e os valores considerados adequados já ultrapassa R$ 2 no diesel e se aproxima de R$ 1 na gasolina. A entidade relatou ainda dificuldades no abastecimento e afirmou que algumas distribuidoras estariam limitando a venda de combustíveis.
De acordo com o sindicato mineiro, já existem registros de postos sem combustível em determinadas regiões do estado. A entidade informou que está monitorando a situação e poderá acionar órgãos reguladores para evitar riscos de desabastecimento.
Já em São Paulo, o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado (Sincopetro) também confirmou que vem observando aumento nos preços praticados no mercado.
O presidente da entidade, José Alberto Gouveia, afirmou que a investigação solicitada pelo governo pode ajudar a esclarecer a origem dos reajustes. Segundo ele, é importante que a apuração identifique de onde partem os aumentos, evitando que a responsabilidade recaia apenas sobre os donos de postos.