Possível criação de IOF sobre títulos isentos está em análise na equipe econômica.
(Imagem: Rafa Neddermeyer / Agência Brasil)
A possibilidade de o governo criar uma cobrança de IOF sobre títulos hoje isentos de impostos voltou a gerar apreensão entre investidores e representantes do setor produtivo. A medida poderia atingir papéis como CRI, CRA, LCI e LCA — instrumentos amplamente utilizados para financiar o mercado imobiliário e o agronegócio.
A proposta, que ainda não foi oficialmente confirmada, estaria em estudo pela equipe econômica. Procurado, o Ministério da Fazenda não comentou o tema, o que reforça as especulações de que análises internas estejam em andamento.
O que pode mudar
Os títulos em discussão são hoje isentos de Imposto de Renda para pessoas físicas e funcionam como importante fonte de financiamento privado.
Entre eles estão:
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Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI)
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Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA)
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Letras de Crédito Imobiliário (LCI)
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Letras de Crédito do Agronegócio (LCA)
Diferentemente de propostas anteriores que envolviam Imposto de Renda, a adoção do IOF teria tramitação mais simples, já que o tributo pode começar a valer após prazo de 90 dias da sua instituição.
Reação do setor imobiliário
Para representantes da construção civil, a eventual taxação seria um retrocesso. O presidente da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), Luiz França, avalia que a medida aumentaria o custo de capital em um cenário já pressionado por juros elevados.
Segundo ele, instrumentos como o CRI são essenciais para viabilizar empreendimentos e ampliar a oferta de moradias. A introdução de uma nova tributação poderia reduzir lançamentos e encarecer o crédito imobiliário.
Estimativas do setor apontam que o aumento no custo do financiamento poderia diminuir entre 9% e 24% o número de famílias aptas a adquirir um imóvel, afetando principalmente a classe média.
Mercado de capitais e agronegócio
Especialistas também alertam para impactos no mercado de capitais. Caso o IOF reduza a atratividade dos papéis, pode haver diminuição no volume de recursos destinados ao setor produtivo.
O agronegócio, que depende fortemente de LCA e CRA para financiar operações, também poderia enfrentar aumento no custo de captação.
Analistas avaliam ainda que a insegurança sobre a abrangência da medida — se atingiria apenas novas emissões ou também estoques já existentes — pode provocar volatilidade e reprecificação desses ativos.
Debate sobre transparência
Outro ponto levantado por representantes do mercado é a necessidade de maior previsibilidade. A eventual criação de imposto sobre títulos consolidados como instrumentos de fomento pode impactar decisões de longo prazo em setores intensivos em capital.
Até o momento, não há anúncio oficial sobre a implementação do IOF nesses papéis, mas o tema deve continuar no centro do debate econômico nas próximas semanas.