Profissionais apontam a promoção da cultura no país e a geração de empregos e renda como impactos positivos desses negócios.
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O setor editorial brasileiro, incluindo editoras independentes, registrou crescimento de 13% no número de empresas entre 2023 e 2025, com avanço expressivo nas editoras e no comércio varejista de livros. Esse expansão ocorre especialmente no pós-pandemia e reflete a resiliência desses negócios frente a crises passadas, como as recuperações judiciais das livrarias Cultura e Saraiva em 2018. No total, o mercado gera pelo menos 70 mil empregos diretos no país, segundo dados da Câmara Brasileira do Livro (CBL).
Editoras independentes diversificam o catálogo com traduções de obras contemporâneas ignoradas por grandes conglomerados, promovendo debates globais sobre temas como inteligência artificial, crise climática e ascensão do fascismo. Elas aproximam o público por meio de financiamentos coletivos, clubes de livros e redes sociais, transformando o acesso à leitura em algo mais direto e participativo.
Estratégias inovadoras para driblar desafios
Para enfrentar o ciclo lento de vendas no modelo de consignação, que pode demorar até dois anos para retornar o investimento em direitos autorais, tradução, revisão e impressão, as editoras independentes adotam táticas ágeis. A editora Ubu, por exemplo, criou um clube do livro com 2 mil assinantes, garantindo curadoria de alta qualidade sem depender de best-sellers. Outras utilizam impressão sob demanda (POD) e vendas diretas no site, eliminando estoques e reduzindo riscos.
O publisher da Autonomia Literária, Cauê Seignemartin Ameni, destaca que essas editoras atuam como importadoras de ideias, preenchendo lacunas deixadas por grandes players, como publicações antifascistas e análises sobre o Estado Islâmico. Iniciativas como a Festa Literária Pirata das Editoras Independentes (Flipei) fortalecem o florescimento do setor, iniciado há cerca de 10 anos.
Promoção cultural e necessidade de incentivos públicos
Livrarias de rua associadas às editoras independentes formam núcleos culturais nos bairros, elevando o Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades (IDSC) em 3% acima da média nacional nos 1.830 municípios com esses espaços. Elas oferecem programações gratuitas, como lançamentos e debates, transformando bairros e sustentando a economia local com profissionais como ilustradores, designers e tradutores.
- Diretor da Associação Quatro Cinco Um, Paulo Werneck, defende incentivos como isenção de IPTU, editais e acesso a crédito, inspirados em modelos de Paris e Barcelona.
- Florencia Ferrari, da Ubu, enfatiza políticas de compra de livros para bibliotecas e alunos, impactando cultura, educação e qualidade de vida.
- Cauê Ameni propõe isenções fiscais para livrarias e modernização de gráficas, além de créditos para estudantes fomentarem a leitura.
Apesar da marginalização no mercado, as editoras independentes se reinventam anualmente com estratégias de guerrilha, garantindo circulação de ideias e combatendo concentrações que ameaçam sua existência. Seu papel é essencial para uma sociedade mais informada e diversa.