Empresariado brasileiro comemora avanço no acordo com União Europeia.
(Imagem: Tânia Rêgo/Agência Brasil)
Após mais de 26 anos de intensas negociações, a União Europeia concedeu aprovação preliminar ao acordo Mercosul-UE, marcando o início de uma nova era para o comércio internacional. O tratado integra dois dos maiores blocos econômicos globais, abrangendo cerca de 720 milhões de pessoas e um PIB superior a US$ 22 trilhões. Essa parceria estratégica facilita trocas comerciais ao eliminar gradualmente tarifas sobre aproximadamente 91% das mercadorias entre os blocos.
O Mercosul zerará tarifas sobre 91% dos bens europeus em até 15 anos, enquanto a UE eliminará tarifas sobre 95% dos produtos do Mercosul em até 12 anos. Essa liberalização tarifária beneficia setores como agronegócio brasileiro, com maior acesso a carnes, soja e etanol no mercado europeu, e indústria europeia, com redução de barreiras para automóveis e máquinas.
Benefícios econômicos para o Brasil
O acordo Mercosul-UE representa um marco para a economia brasileira, impulsionando exportações e investimentos. Empresários e entidades como a Fiesp comemoram o avanço, destacando mudanças substanciais nas operações de importação e exportação. Projeções indicam crescimento de até 50 bilhões de euros nas exportações da UE para o Mercosul até 2040, com ganhos semelhantes para produtos sul-americanos.
Setores industriais brasileiros, como máquinas, químicos e autopeças, ganham tarifa zero imediata em diversos itens. No agro, cotas ampliadas para carnes bovinas e aves abrem portas para um mercado de alto poder aquisitivo. Ministros como Haddad e Tebet enfatizam os benefícios, incluindo sinalização positiva para o comércio internacional em meio a tensões globais.
Salvaguardas e compromissos ambientais
Para equilibrar interesses, o acordo inclui mecanismos de salvaguarda robustos. A UE pode reimpor tarifas se importações do Mercosul excederem 5% em volume ou preços caírem abaixo do mercado europeu em cadeias sensíveis. Produtos ligados a desmatamento ilegal estão excluídos, com cláusulas vinculantes ao Acordo de Paris e possibilidade de suspensão em casos de violação.
- Redução gradual de tarifas: Aplicada a bens industriais e agrícolas, com prazos de até 15 anos.
- Regras modernas: Abrangem propriedade intelectual, compras governamentais e sustentabilidade.
- Proteção setorial: Salvaguardas para agricultores europeus e cotas para produtos sensíveis como açúcar e etanol.
- Implementação provisória: Acordo interino permite aplicação antecipada após assinatura em 17 de janeiro.
Impactos e próximos passos
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) vê o pacto como avanço estratégico, gerando empregos e massa salarial no Brasil. Para cada R$ 1 bilhão exportado à UE, criam-se 21,8 mil vagas. A assinatura formal ocorre em Assunção, no Paraguai, com ratificação pendente no Parlamento Europeu e parlamentos nacionais.
Apesar de oposições de França e Irlanda, a aprovação por maioria qualificada sinaliza otimismo. O acordo fortalece a diversificação de parceiros em um mundo protecionista, posicionando o Brasil como hub no comércio internacional. Especialistas preveem aceleração no fluxo de bens, serviços e investimentos, redefinindo cadeias globais.
Essa nova era para o comércio internacional exige adaptação rápida de empresas, com foco em padrões ambientais e tecnológicos. O texto promove regras previsíveis, beneficiando PMEs e impulsionando a integração econômica sustentável entre continentes.