A indústria brasileira deve sentir efeitos imediatos da redução tarifária prevista no acordo.
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O acordo Mercosul-UE representa um marco histórico para o comércio brasileiro, após mais de 25 anos de negociações. A ApexBrasil, Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, estima que o pacto pode impulsionar as exportações do Brasil em cerca de US$ 7 bilhões no curto prazo. Essa projeção se baseia na eliminação gradual de tarifas para 97% dos bens industriais e 77% dos agrícolas do Mercosul, criando um mercado conjunto de US$ 22 trilhões e mais de 700 milhões de habitantes.
De acordo com o gerente de Inteligência de Mercado da ApexBrasil, Igor Celeste, os 242 produtos com desgravação imediata ou em até quatro anos representam hoje US$ 3,5 bilhões nas importações europeias. Alcançando 10% de market share, viável pela redução tarifária, o ganho pode chegar aos US$ 7 bilhões rapidamente. Entre 2003 e 2023, a fatia da União Europeia nas exportações brasileiras caiu de 23% para 13,6%, abrindo espaço para recuperação com o novo acordo.
Benefícios imediatos para a indústria brasileira
Setores industriais serão os primeiros a colher frutos do acordo Mercosul-UE. Máquinas e equipamentos de transporte, motores e geradores elétricos, autopeças como motores de pistão e aeronaves terão redução tarifária imediata. Produtos como couro e peles, pedras de cantaria, facas, lâminas e itens químicos também ganham competitividade nos mercados europeus.
O presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, destaca que o comércio atual com a UE já é equilibrado, com mais de um terço das exportações brasileiras compostas por produtos processados, como carne de aves, bovina e etanol. O pacto não só diversifica a pauta exportadora, mas também agrega valor, reduzindo a dependência de commodities como soja e petróleo.
- Redução imediata de tarifas para aviões e autopeças.
- Oportunidades em bens agrícolas sob cotas, como café, milho e suco de laranja.
- Retomada de investimentos europeus, que caíram de 49% para 38% do IED no Brasil entre 2019 e 2023.
- Potencial para calçados, móveis de madeira e mel natural.
Impactos de longo prazo e diversificação
O acordo Mercosul-UE vai além do comércio, promovendo cooperação em meio ambiente, direitos humanos e governança global. Para o Brasil, segundo maior parceiro comercial da UE (atrás apenas da China), o pacto equilibra o fluxo bilateral, atualmente próximo de 50/50. Em 2023, o comércio ultrapassou R$ 90 bilhões, com potencial de expansão significativa.
Embora haja críticas de agricultores europeus, como protestos na Irlanda, o empresariado brasileiro comemora o avanço. A ApexBrasil mapeou mais de 1.800 oportunidades de exportação de curto prazo, reforçando o otimismo. Esse movimento contracorrente ao protecionismo global posiciona o Mercosul como ponte para um comércio mais sustentável e inclusivo.
Com a aprovação recente, o texto segue para ratificação nos parlamentos dos blocos, mas os efeitos tarifários iniciais já animam exportadores. O foco em agregação de valor pode transformar a economia brasileira, reduzindo vulnerabilidades externas e fortalecendo a presença na Europa.