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Estratégico

Conflito no Oriente Médio pode ampliar exportações de combustíveis do Brasil

05 mar 2026 - 20h34 Alexsander Arcelino   atualizado às 20h39
plataforma de petróleo da Petrobras usada na produção de combustíveis para exportação Produção de petróleo impulsiona exportações de combustíveis do Brasil no mercado internacional. (Imagem: Petrobras Divulgação)

O agravamento das tensões no Oriente Médio pode provocar efeitos diferentes sobre o comércio exterior brasileiro. De um lado, a alta do preço internacional do petróleo tende a favorecer as exportações de combustíveis do Brasil. De outro, há possibilidade de impactos temporários nas vendas de alimentos para países da região.

A avaliação foi apresentada pelo diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Herlon Brandão. Segundo ele, cenários de conflito costumam pressionar o valor do petróleo no mercado internacional, o que beneficia países exportadores do produto.

De acordo com Brandão, o Brasil ocupa posição relevante nesse mercado, pois atualmente é um exportador líquido de petróleo. Assim, caso o preço da commodity suba devido às tensões geopolíticas, o saldo comercial do setor energético pode crescer.

“O Brasil é exportador líquido de petróleo. Se o preço internacional aumenta, a tendência é que o saldo das exportações de combustíveis também cresça”, explicou o diretor ao comentar os dados recentes da balança comercial.

Apesar do possível benefício para o setor energético, o conflito no Oriente Médio também pode afetar parte das exportações agrícolas brasileiras. A região é um importante destino de produtos alimentícios do país.

Oriente Médio é mercado relevante para alimentos brasileiros

Países do Oriente Médio compram volumes expressivos de alimentos produzidos no Brasil, especialmente carne de frango, milho, açúcar e produtos halal — alimentos preparados conforme normas religiosas islâmicas.

Segundo dados do Mdic, cerca de 32% das exportações brasileiras de milho têm como destino países da região. No caso da carne de aves, a participação chega a aproximadamente 30%. Já o açúcar representa cerca de 17% das vendas e a carne bovina responde por cerca de 7%.

Ainda assim, Brandão avalia que eventuais dificuldades comerciais nesses mercados tendem a ser passageiras. A demanda por alimentos permanece elevada, o que deve permitir a retomada dos fluxos comerciais após eventuais períodos de instabilidade.

“A demanda por alimentos nesses países não desaparece. Mesmo com conflitos, os fluxos comerciais costumam se ajustar e voltar ao normal com o tempo”, afirmou.

Comércio com os Estados Unidos registra queda

Os dados mais recentes da balança comercial também indicam mudanças no comércio brasileiro com alguns de seus principais parceiros internacionais.

Em fevereiro, as exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 2,523 bilhões, uma queda de 20,3% em comparação com o mesmo período do ano anterior. As importações também recuaram, diminuindo 16,5% e totalizando US$ 2,788 bilhões.

Com isso, o saldo comercial entre os dois países ficou negativo em US$ 265 milhões.

Esse resultado representa a sétima queda consecutiva nas vendas brasileiras ao mercado norte americano. O movimento está associado à sobretaxa de 50% aplicada sobre produtos brasileiros pelo governo do presidente Donald Trump em 2025.

Embora a Suprema Corte dos Estados Unidos tenha derrubado a medida no final de fevereiro, os efeitos dessa decisão ainda devem levar algum tempo para aparecer nos números da balança comercial.

Exportações para a China crescem com força

Enquanto as vendas para os Estados Unidos diminuíram, o comércio com a China seguiu em direção oposta.

As exportações brasileiras para o país asiático alcançaram US$ 7,220 bilhões em fevereiro, crescimento de 38,7% em comparação com os US$ 5,206 bilhões registrados no mesmo mês do ano anterior.

As importações vindas da China, por outro lado, caíram 31,3% no período, totalizando US$ 5,494 bilhões. Como resultado, o Brasil registrou superávit de US$ 1,73 bilhão na relação comercial com o país.

Segundo Brandão, um dos fatores que influenciaram os números foi a compra de uma plataforma de petróleo avaliada em cerca de US$ 2,5 bilhões, adquirida da Coreia do Sul, o que também impactou as estatísticas regionais.

União Europeia e Argentina

O comércio brasileiro com a União Europeia também apresentou crescimento nas exportações. Em fevereiro, as vendas para o bloco europeu somaram US$ 4,232 bilhões, alta de 34,7%.

As importações provenientes do bloco recuaram 10,8%, totalizando US$ 3,301 bilhões. O resultado foi um superávit de US$ 931 milhões.

Já no comércio com a Argentina, houve retração tanto nas exportações quanto nas importações. As vendas brasileiras para o país vizinho caíram 26,5%, chegando a US$ 1,057 bilhão. As compras também diminuíram, recuando 19,2% e totalizando US$ 850 milhões.

Mesmo com a redução no fluxo comercial, o Brasil manteve superávit de US$ 207 milhões na relação com os argentinos.

China, Estados Unidos, União Europeia e Argentina continuam entre os principais parceiros comerciais do Brasil e exercem forte influência sobre o desempenho geral da balança comercial do país.

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