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Internacional

Cuba enfrenta colapso parcial no sistema elétrico: 3,4 milhões afetados em quatro províncias do leste da ilha em novo capítulo da crise energética

05 fev 2026 - 10h52 Joice Gomes   atualizado às 10h56
Cuba enfrenta colapso parcial no sistema elétrico: 3,4 milhões afetados em quatro províncias do leste da ilha em novo capítulo da crise energética Cuba registra colapso parcial do sistema elétrico afetando 3,4 milhões em Holguín, Granma, Santiago de Cuba e Guantánamo. (Imagem: Reprodução/Norlys Perez)

O sistema elétrico de Cuba sofreu um novo colapso parcial nesta quarta-feira (4), deixando cerca de 3,4 milhões de pessoas sem energia em quatro províncias do leste do país.

A interrupção atingiu Holguín, Granma, Santiago de Cuba e Guantánamo, regiões populosas que dependem fortemente da rede nacional gerenciada pela estatal Unión Eléctrica.

De acordo com a empresa, o problema começou com o desligamento repentino de uma linha de alta tensão de 220 kV em Holguín, por volta das 20h54, o que provocou o fechamento da central termoelétrica de Felton, a maior do leste cubano.

Falha técnica expõe fragilidades

O incidente levou ao desligamento não só de Felton, mas também de outra central e de uma subestação na mesma província, isolando o sistema elétrico oriental do restante da rede nacional.

A Unión Eléctrica informou que equipes técnicas já trabalham para investigar as causas e restaurar o serviço, mas não divulgou prazos para a normalização total.

Este é o segundo apagão parcial em menos de cinco meses, destacando os problemas crônicos de manutenção e subfinanciamento que assolam o setor desde a Revolução de 1959.

Crise energética se arrasta desde 2024

Desde meados de 2024, Cuba vive uma grave crise energética, com apagões diários que chegam a 20 horas em várias cidades, afetando a vida cotidiana e a economia.

Em 31 de janeiro, o país registrou seu maior apagão desde 2022, com 63% da população sem luz simultaneamente, segundo relatórios oficiais da Unión Eléctrica.

Sete das 16 termoelétricas, responsáveis por 40% da geração, estão paralisadas por avarias ou falta de combustível, incluindo duas das três maiores unidades do país.

  • Central de Felton: Maior do leste, instável e com histórico de falhas.
  • Termoelétricas como Guiteras e Céspedes: Em manutenção adiada por falta de recursos.
  • Produção de gás: Promessas de aumento em 2026, mas sem garantias concretas.

Especialistas independentes estimam que entre US$ 8 bilhões e US$ 10 bilhões seriam necessários para modernizar o sistema elétrico, valor inalcançável para o governo cubano em meio à contração econômica de mais de 15% desde 2020.

Embargo e falta de combustível agravam quadro

A situação piorou com a suspensão de envios de petróleo da Venezuela após o sequestro de Nicolás Maduro em janeiro, e novas sanções impostas pelo presidente dos EUA, Donald Trump.

Trump emitiu ordem executiva permitindo tarifas a países que vendam combustível a Havana, e alertou para um possível colapso humanitário, ecoado pelo secretário-geral da ONU, António Guterres.

No domingo, o presidente americano mencionou um diálogo em curso com Havana, prevendo um "acordo", mas sem detalhes públicos até o momento.

Os apagões prolongados têm impactos profundos: prejuízos à indústria, agricultura e turismo, além de catalisar protestos populares nos últimos anos, como os de 2021 e 2024.

Famílias recorrem a geradores improvisados, velas e fogões a lenha, enquanto hospitais e serviços essenciais enfrentam sobrecarga com geradores diesel escassos.

Perspectivas incertas para 2026

O ministro cubano de Energia e Minas, Vicente de la O Levy, prometeu mais gás e reparos em usinas como Felton e Guiteras para este ano, mas admitiu que 2026 será "difícil".

Investimentos dependem de "países amigos", mas com Venezuela instável e México reduzindo envios para 3 mil barris diários, a dependência externa persiste.

Analistas alertam que, sem reformas profundas no modelo estatal e atração de investimentos privados, o sistema elétrico cubano pode enfrentar colapsos mais frequentes.

A crise energética não é só técnica, mas reflete desafios econômicos maiores: inflação galopante, escassez de alimentos e migração em massa.

Enquanto o governo culpa o embargo americano, especialistas apontam para décadas de subinvestimento e ineficiência gerencial como raízes do problema.

Para os cubanos do leste afetados pelo último apagão, a escuridão é rotina: crianças estudam à luz de celular, negócios param e a esperança por luz estável parece distante.

O episódio reforça a urgência de soluções sustentáveis, como diversificação de fontes renováveis, solares e eólicas, que representam apenas 5% da matriz atual e parcerias internacionais sem amarras ideológicas.

Até lá, o sistema elétrico segue no limite, e cada falha como a de Holguín serve de lembrete da fragilidade de uma infraestrutura envelhecida.

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