Uber registrou queda expressiva no lucro apesar do aumento no número de usuários e viagens.
(Imagem: Canva / Imagem ilustrativa)
Um dos aplicativos mais utilizados pelos brasileiros, a Uber divulgou recentemente os resultados financeiros do quarto trimestre de 2025 e chamou a atenção do mercado. Apesar do crescimento consistente na receita e na base de usuários, o lucro da Uber apresentou uma queda expressiva em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Segundo o relatório financeiro da companhia, o lucro líquido no último trimestre de 2025 foi de US$ 296 milhões, o equivalente a cerca de R$ 1,5 bilhão. O valor representa uma redução de aproximadamente 96% em relação ao resultado obtido no quarto trimestre do ano anterior. O dado contrastou com o desempenho da receita, que alcançou US$ 14,36 bilhões entre outubro e dezembro, registrando crescimento anual de 20%.
Mesmo diante da retração no lucro, a Uber manteve expansão em seus principais indicadores operacionais. O volume de viagens e entregas realizadas pela plataforma aumentou 22% no período, totalizando cerca de 3,8 bilhões de corridas no trimestre. Já o número de usuários ativos mensais avançou 18% na comparação anual, chegando a 202 milhões em todo o mundo.
Ainda assim, o desempenho financeiro ficou abaixo das expectativas do mercado. O lucro líquido ajustado por ação foi de US$ 0,71, inferior à projeção de analistas consultados pela FactSet, que estimavam US$ 0,85 por ação. O resultado acendeu um sinal de alerta entre investidores e reforçou debates sobre a sustentabilidade das margens da empresa.
Entenda os motivos da queda no lucro da Uber
De acordo com especialistas, a queda de 96% no lucro da Uber está relacionada a um conjunto de fatores, principalmente ao aumento acelerado dos custos operacionais. Um dos principais pontos foi a ampliação de incentivos financeiros e bônus pagos a motoristas e entregadores, estratégia adotada para reduzir cancelamentos e diminuir o tempo de espera dos usuários.
Embora essas medidas tenham contribuído para manter a demanda aquecida e melhorar a experiência do cliente, elas pressionaram diretamente as margens da companhia. Os gastos cresceram em ritmo superior ao da receita, impactando o resultado final.
Outro fator relevante foi o aumento das despesas com segurança e adequação regulatória. Novas exigências impostas por autoridades em mercados da Europa e da América Latina elevaram custos jurídicos e administrativos. A intensificação da fiscalização sobre direitos trabalhistas e tributação também gerou obrigações adicionais para a plataforma.
Além disso, a Uber investiu de forma mais robusta em tecnologia. Recursos foram direcionados ao desenvolvimento de novos algoritmos de roteamento, sistemas antifraude e soluções de publicidade dentro do aplicativo. Esses investimentos, apesar de estratégicos para o longo prazo, contribuíram para a elevação das despesas no curto prazo.
Por fim, a empresa também sofreu impacto com reavaliações de participações em companhias investidas, o que reduziu ganhos financeiros registrados em períodos anteriores. O conjunto desses fatores explica por que, mesmo com crescimento operacional, o lucro da Uber apresentou forte retração no fechamento de 2025.