Garrada de plástico.
(Imagem: Freepik)
A poluição plástica nos oceanos é um dos maiores desafios ambientais do século XXI. Estimativas apontam que milhões de toneladas de plástico chegam aos mares todos os anos, afetando ecossistemas e espécies marinhas.
Agora, pesquisadores do Centro RIKEN, no Japão, anunciaram um avanço promissor: um plástico à base de plantas que se dissolve rapidamente no mar, sem deixar resíduos nocivos.
O novo material é feito a partir de celulose, o composto orgânico mais abundante da Terra, combinado com outros ingredientes aprovados pelo FDA, garantindo segurança para o meio ambiente e seres vivos.
Diferente de muitos bioplásticos atuais, ele não depende de condições especiais de decomposição, como calor ou compostagem industrial, tornando-o mais prático e escalável.
Como funciona a dissolução rápida
O segredo do bioplástico japonês está em sua estrutura molecular. O material combina dois polímeros que se atraem como ímãs, criando ligações estáveis em ambiente seco.
Quando entram em contato com água salgada, essas ligações se rompem rapidamente.
O resultado é que o plástico se transforma em substâncias inofensivas para a vida marinha, sem gerar microplásticos que contaminam peixes, crustáceos e outros organismos.
Segundo os pesquisadores, o processo é seguro e ocorre em poucas horas a dias, dependendo do tamanho do objeto.
Propriedades que garantem versatilidade
Além de ecológico, o material apresenta características que o tornam adequado para uso cotidiano.
Ele é resistente e flexível, podendo ser moldado em diferentes formatos e rigidez ajustável com aditivos alimentares. Isso significa que embalagens, utensílios e até produtos descartáveis podem ser produzidos com o bioplástico, mantendo funcionalidade sem comprometer a sustentabilidade.
Outro ponto importante é a produzibilidade em larga escala. O desenvolvimento permite que empresas implementem a produção sem necessidade de infraestrutura complexa, tornando o plástico viável economicamente.
Um avanço na luta contra a poluição marinha
Especialistas apontam que soluções como essa são essenciais para reduzir o impacto ambiental do plástico. Por ser feito de celulose, o bioplástico japonês combina abundância de matéria-prima, baixo custo e biodegradabilidade natural.
Diferente de alternativas anteriores, ele oferece decomposição rápida e segura direto no oceano, sem depender de compostagem industrial ou exposições prolongadas à luz solar.
O desenvolvimento também abre espaço para novas aplicações em embalagens de alimentos, utensílios descartáveis, filmes plásticos e produtos de consumo que tradicionalmente geram grande quantidade de resíduos.
O futuro dos bioplásticos
Pesquisadores afirmam que este avanço marca um passo significativo rumo a plásticos sustentáveis e amigáveis aos oceanos.
A expectativa é que, nos próximos anos, a tecnologia seja adaptada para produção industrial em larga escala, contribuindo para reduzir drasticamente a poluição marinha causada por plásticos convencionais.
O bioplástico à base de celulose do Japão mostra que é possível unir praticidade, resistência e responsabilidade ambiental, oferecendo uma alternativa concreta para um dos problemas mais urgentes do planeta.