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Ministério da Saúde lança programa de atendimento domiciliar para idosos acamados

18 jun 2026 - 19h37 Alexsander Arcelino
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, falando ao microfone em um púlpito iluminado durante o evento oficial de lançamento do programa de saúde no Rio de Janeiro. Ministro Alexandre Padilha detalha opções de composição de equipes médicas do novo programa de atenção domiciliar (Imagem: Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil)

A estruturação das políticas públicas de assistência geriátrica no país ganhou um novo e importante mecanismo de descentralização e suporte clínico. O Ministério da Saúde oficializou, nesta quinta-feira (18), em cerimônia realizada no Rio de Janeiro, o lançamento do Programa de Atenção Domiciliar à Pessoa Idosa (Padi Brasil). A iniciativa federal prevê a mobilização de um montante de R$ 500 milhões em investimentos com a finalidade de estruturar, equipar e enviar equipes multiprofissionais de saúde diretamente às residências de cidadãos da terceira idade que sofrem com limitações funcionais severas ou impossibilidade física de locomoção até os postos tradicionais da rede básica.

As administrações municipais de todo o território nacional já estão aptas a pleitear o credenciamento de novos grupos de trabalho ou solicitar o adensamento financeiro das frentes de cuidado que já operam na atenção primária. As diretrizes do programa autorizam a ampliação da carga horária de visitas e a contratação subsidiada de novos profissionais, incluindo médicos especialistas. O balanço inicial da pasta aponta um forte engajamento dos gestores locais: 2.733 municípios já formalizaram o pedido de adesão ao Padi Brasil, somando um requerimento para a ativação de 3.677 equipes.

Incremento nos repasses mensais e autonomia dos municípios

O desenho financeiro do programa foi estruturado para conferir sustentabilidade orçamentária aos cofres locais. As prefeituras integradas ao projeto receberão um incremento mensal de até R$ 10 mil por equipe constituída. Com esse bônus técnico, o custeio federal regular poderá atingir o teto de R$ 57,5 mil mensais por grupo de atuação, variando de acordo com a modalidade de equipe multiprofissional implementada no território: Ampliada, Complementar ou Estratégica.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, detalhou que esses novos núcleos de suporte atuarão de forma totalmente integrada aos agentes das equipes de Saúde da Família (ESF). A meta é garantir que o idoso restrito ao leito receba uma abordagem clínica integral por meio de um plano terapêutico individualizado. Para viabilizar o atendimento domiciliar para idosos, o Ministério da Saúde disponibilizou um catálogo de especialidades, permitindo que cada prefeitura selecione a composição de profissionais que melhor atenda ao perfil demográfico local:

  • Corpo Clínico Base: Médicos generalistas ou especialistas e enfermeiros padrão;

  • Reabilitação Física: Fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais voltados à recuperação motora e preservação da autonomia;

  • Suporte Psicossocial: Assistentes sociais e psicólogos para o acompanhamento do núcleo familiar e do cuidador.

O cronograma de desembolsos plurianuais do governo federal estipula a destinação de R$ 163,2 milhões ao longo do orçamento de 2026, com uma expansão programada para R$ 329,3 milhões durante o ciclo fiscal de 2027.

Envelhecimento populacional e monitoramento estratégico

A urgência na consolidação do Padi Brasil encontra eco nos indicadores demográficos mais recentes apresentados pela pasta, que apontam que a expectativa de vida ao nascer no Brasil alcançou a marca de 76,6 anos. Dentro desse panorama, aproximadamente 80% da população idosa do país depende exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS) para o gerenciamento de suas comorbidades. O monitoramento eletrônico da atenção primária estima a existência de uma demanda reprimida de 3 milhões de cidadãos idosos acamados em solo nacional.

O ministro Padilha reforçou que a nova política de atendimento domiciliar para idosos operará de forma transversal com outros programas estruturantes da rede pública. O Padi Brasil atuará em sintonia com o programa Farmácia Popular responsável pela distribuição gratuita de insumos para hipertensão, diabetes e fraldas geriátricas e com o programa Mais Especialistas, focado na redução das filas de espera para exames de alta complexidade e procedimentos cirúrgicos represados.

Como ferramenta de controle e governança clínica, o ministério reforçou a obrigatoriedade da atualização da Caderneta Brasileira da Pessoa Idosa, documento de registro sanitário disponível tanto em papel quanto em formato digital no aplicativo Meu SUS Digital. A pasta também intensificará a distribuição de cartilhas e guias de orientação voltados a familiares sobre a prevenção de quedas domésticas e técnicas de comunicação humanizada para pacientes diagnosticados com síndromes demenciais ou Alzheimer.

Reconhecimento histórico à pioneira da saúde geriátrica

O ato de lançamento do programa nacional também foi marcado por um momento de resgate histórico e homenagem institucional. O Ministério da Saúde reverenciou a memória e o legado da médica e advogada Guilhermina Maria Galvão Siqueira Gomes, cuja atuação prática na saúde pública serviu de inspiração para a modelagem técnica do Padi Brasil.

Na década de 1990, durante sua rotina de plantões no Hospital Municipal Paulino Werneck, situado na Ilha do Governador (RJ), a médica identificou um ciclo crônico de reinternações: pacientes idosos recebiam alta médica após tratamentos agudos, mas retornavam em curto espaço de tempo devido à ausência absoluta de cuidados e orientações em suas casas. Guilhermina liderou de forma pioneira a criação do primeiro Programa de Atenção Domiciliar (PAD) na unidade, unificando medicina, enfermagem e fisioterapia com suporte psicológico aos cuidadores leigos — um modelo descentralizado que agora ganha escala nacional para assegurar a dignidade na fase sênior da vida dos brasileiros.

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