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PM desocupa reitoria da USP após ocupação estudantil em São Paulo

10 mai 2026 - 22h00 Alexsander Arcelino   atualizado às 22h08
Policiais e estudantes durante desocupação da reitoria da USP em São Paulo Polícia Militar realizou desocupação da reitoria da USP durante a madrugada (Imagem: Cecília Bastos Jornal da USP)

A Polícia Militar realizou na madrugada deste domingo a desocupação da reitoria da USP, em São Paulo, encerrando a ocupação estudantil que acontecia desde a última quinta feira. Aproximadamente 150 pessoas estavam no local durante o protesto organizado por estudantes da universidade.

Segundo a PM, cerca de 50 policiais participaram da ação e não houve feridos durante a operação. Já o Diretório Central dos Estudantes afirmou que seis pessoas ficaram feridas e precisaram de atendimento médico na UPA Rio Pequeno.

De acordo com o DCE, quatro estudantes permaneceram internados após o confronto, incluindo um jovem que sofreu fratura no nariz. Os estudantes alegam que policiais utilizaram bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e cassetetes durante a retirada dos manifestantes.

A Polícia Militar informou ainda que quatro pessoas foram encaminhadas ao 7º Distrito Policial. O boletim de ocorrência registrou dano ao patrimônio público e alteração de limites. Após prestarem esclarecimentos, todos foram liberados.

Após a desocupação da reitoria da USP, a corporação realizou vistoria no prédio e apontou danos estruturais no local. Entre os problemas identificados estavam portas de vidro quebradas, mesas danificadas, carteiras escolares avariadas e prejuízos na catraca de entrada.

A PM também informou ter apreendido entorpecentes, armas brancas e objetos considerados contundentes, incluindo facas, canivetes, estiletes, bastões e porretes.

Estudantes cobravam melhorias na universidade

A ocupação da reitoria da USP foi organizada como forma de protesto por melhorias nas políticas de permanência estudantil.

Entre as principais reivindicações estavam o aumento do valor pago pelo Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil, melhorias nas moradias universitárias e mudanças nos restaurantes estudantis, conhecidos como bandejões.

Os estudantes defendiam ampliação dos investimentos em assistência universitária e melhores condições para alunos em situação de vulnerabilidade social.

A Polícia Militar afirmou que eventuais denúncias de excesso durante a operação serão apuradas pelas autoridades competentes. O policiamento permanece no local para garantir segurança e preservação do patrimônio público.

USP afirma que continua aberta ao diálogo

Em nota oficial, a USP lamentou os acontecimentos registrados durante a reintegração de posse da reitoria da USP e afirmou que não havia sido informada previamente sobre a ação da Polícia Militar.

A universidade declarou que manteve diálogo constante com representantes estudantis durante os dias de ocupação e destacou que parte das reivindicações apresentadas já havia sido atendida.

Segundo a instituição, sete grupos de trabalho foram criados para discutir outros pontos da pauta apresentada pelos estudantes.

A USP afirmou ainda que algumas reivindicações ultrapassavam a competência administrativa da universidade e mencionou a presença de pessoas externas à comunidade acadêmica durante a ocupação.

Mesmo após o episódio, a universidade informou que continua aberta a um novo ciclo de negociações com o movimento estudantil para buscar soluções e manter o funcionamento normal dos espaços acadêmicos.

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