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Violência

Violência escolar: 71,7% dos gestores brasileiros enfrentam dificuldades para mediar conflitos

Pesquisa da FCC e do MEC aponta que 71,7% dos diretores de escolas públicas têm dificuldades para lidar com bullying e racismo no ambiente escolar.

07 mai 2026 - 08h31 Joice Gomes   atualizado às 08h34
Violência escolar: 71,7% dos gestores brasileiros enfrentam dificuldades para mediar conflitos Gestores escolares enfrentam barreiras para mediar conflitos e garantir a segurança emocional dos alunos. (Imagem: gerado por IA)

Sempre que o sinal toca para o intervalo, um desafio silencioso se impõe nos corredores das escolas públicas brasileiras. Sete em cada dez gestores escolares (71,7%) admitem enfrentar sérias dificuldades para estabelecer diálogos sobre o enfrentamento às violências no ambiente de ensino. O dado, que evidencia uma barreira na gestão de conflitos como bullying, racismo e capacitismo, faz parte de um levantamento profundo sobre o clima escolar no país.

A pesquisa, realizada pela Fundação Carlos Chagas (FCC) em parceria com o Ministério da Educação (MEC), ouviu 136 gestores de 105 unidades de ensino em dez estados. O cenário desenhado pelos dados não é apenas estatístico, mas um reflexo de uma crise de convivência que impacta diretamente a segurança emocional de alunos e professores. Na prática, a dificuldade em nomear e debater essas violências impede que a escola seja, de fato, um território de proteção.

O perigo da violência invisível e naturalizada

Um dos pontos mais sensíveis destacados pelo estudo é a chamada naturalização da violência. Segundo o pesquisador Adriano Moro, coordenador do levantamento, muitas agressões graves acabam sendo minimizadas por adultos e tratadas como meras "brincadeiras". Essa percepção distorcida é perigosa: quando a gestão omite a gravidade de um ato, o estudante vítima perde o amparo e o agressor não compreende o limite ético de suas ações.

Além disso, o uso genérico do termo bullying tem servido, muitas vezes, como uma cortina de fumaça para esconder crimes específicos. Ao rotular tudo sob a mesma categoria, deixam-se de enfrentar as raízes do racismo estrutural, da xenofobia e do preconceito contra pessoas com deficiência. Nomear corretamente o problema é, portanto, o primeiro passo para uma intervenção justa e eficiente.

Por que o clima escolar dita o ritmo da aprendizagem

A relação entre o ambiente de convivência e o desempenho pedagógico é descrita pelos especialistas como "muito forte". Não se trata apenas de comportamento, mas de neurociência e pedagogia: um estudante que se sente ameaçado ou discriminado não consegue focar no conteúdo. Para que a aprendizagem ocorra, é indispensável que o aluno sinta que pertence àquele lugar e que não será punido ou humilhado por errar.

O levantamento revela, contudo, que a estrutura para diagnosticar esses problemas ainda é precária. Mais da metade das escolas (54,8%) nunca realizou um diagnóstico estruturado sobre seu próprio clima interno. Sem dados concretos, a gestão acaba atuando de forma reativa, apenas "apagando incêndios" em vez de construir políticas preventivas de longo prazo.

Os desafios na relação com as famílias

O isolamento das instituições de ensino também aparece como um gargalo: 67,9% dos gestores relatam entraves na aproximação com as famílias e a comunidade. Muitas vezes, a violência que ocorre fora dos muros escolares invade as salas de aula, e a escola se vê sobrecarregada, tentando resolver sozinha problemas sociais complexos que exigiriam uma rede de apoio mais robusta.

Para tentar mudar essa realidade, o governo federal deve lançar o novo Guia de Clima Escolar Positivo, visando oferecer ferramentas práticas para que as equipes gestoras saiam da defensiva. O objetivo central é transformar a escola em um espaço onde o respeito e a escuta ativa não sejam exceções, mas a base fundamental para que o conhecimento possa, finalmente, florescer.

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