Cena do documentário 'Cheiro de Diesel' ilustrando a presença militar em comunidades do Rio de Janeiro.
(Imagem: gerado por IA)
O que acontece quando os holofotes internacionais se apagam e os tanques de guerra entram em cena? O documentário "Cheiro de Diesel", que acaba de estrear nos cinemas, mergulha fundo nas cicatrizes deixadas pelas operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) no Rio de Janeiro durante a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016.
O Laboratório da Maré
Dirigido pelas jornalistas Natasha Neri e Gizele Martins, a obra foca na Operação São Francisco. Em 2014, o Complexo da Maré foi ocupado por 2.500 homens das Forças Armadas em uma intervenção que durou 14 meses e custou R$ 350 milhões aos cofres públicos. No entanto, para os moradores, o preço foi outro: relatos de tortura, invasões de domicílio e detenções arbitrárias de crianças marcaram o período.
"No primeiro dia de invasão, dezenas de crianças foram detidas apenas por estarem nas ruas. Casas e organizações sociais foram invadidas", conta Gizele Martins, moradora da Maré e codiretora do longa. O filme utiliza esses relatos para construir uma crítica poderosa à militarização da segurança pública.
Vítimas e Impunidade
A produção resgata histórias impactantes, como a de Vitor Santiago, que ficou paraplégico e teve uma perna amputada após ser alvejado por fuzis militares em 2015. O documentário também aborda a Justiça Militar, questionando a eficácia e a imparcialidade de um sistema onde militares julgam crimes cometidos por seus pares contra civis.
Com exibições em diversas capitais, como São Paulo, Fortaleza e Brasília, "Cheiro de Diesel" não é apenas um registro histórico, mas um alerta urgente sobre o uso político de forças militares em territórios vulneráveis.