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Meio Ambiente

Lula anuncia prioridades para a COP15 e assina decretos que ampliam áreas protegidas no país

23 mar 2026 - 08h05 Joice Gomes   atualizado às 08h07
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Lula anuncia prioridades para a COP15 e assina decretos que ampliam áreas protegidas no país Lula define prioridades do Brasil para a COP15. (Imagem: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou neste domingo as prioridades que o Brasil pretende defender na COP15 e assinou três decretos para ampliar a proteção ambiental em diferentes regiões do país . As medidas foram apresentadas em Campo Grande e combinam a agenda diplomática do governo com ações concretas de conservação da biodiversidade .

O pacote tem impacto direto sobre áreas sensíveis de Minas Gerais e do Pantanal mato-grossense, ao mesmo tempo em que reforça a posição brasileira nas negociações internacionais sobre espécies migratórias . A iniciativa também funciona como sinal político de que a política ambiental voltou ao centro da estratégia do governo em fóruns multilaterais .

Agenda brasileira na conferência

Ao detalhar a posição do país para a conferência, Lula destacou três frentes que devem orientar a atuação brasileira nas discussões globais sobre conservação . A primeira é a defesa da aplicação dos princípios de responsabilidade comum, porém diferenciada, conceito já consolidado em convenções internacionais ligadas ao clima, à desertificação e à biodiversidade .

Na prática, esse princípio sustenta a ideia de que todos os países têm deveres diante da crise ambiental, mas nem todos contam com a mesma capacidade econômica e tecnológica para cumprir metas de conservação . O governo brasileiro quer usar esse argumento para reforçar a cobrança por maior cooperação internacional e divisão mais equilibrada de responsabilidades .

A segunda prioridade apresentada pelo presidente é o financiamento da agenda ambiental, com atenção especial aos países em desenvolvimento . O Planalto defende a criação e o fortalecimento de fundos e mecanismos multilaterais que ajudem a sustentar políticas de proteção da biodiversidade, recuperação de ecossistemas e manutenção de áreas conservadas .

O terceiro eixo é a universalização da Declaração do Pantanal, proposta que busca ampliar o compromisso internacional com espécies migratórias e seus corredores naturais . Como esses animais atravessam fronteiras, a proteção depende de coordenação entre países, o que dá ao tema peso diplomático e científico .

Novas unidades de conservação

Além do discurso internacional, o governo também anunciou medidas de efeito imediato no território brasileiro . Lula assinou decretos para criar a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Córregos dos Vales do Norte de Minas, em Minas Gerais, e para ampliar o Parque Nacional do Pantanal Mato-Grossense e a Estação Ecológica de Taiamã, ambos em Mato Grosso .

Segundo o conjunto de decretos, as três áreas somam mais de 174 mil hectares protegidos ou incorporados a instrumentos formais de conservação . O número é relevante porque amplia a cobertura de proteção em regiões pressionadas por mudanças no uso do solo, incêndios, ocupação irregular e perda de habitats .

A criação da reserva de desenvolvimento sustentável tende a conciliar proteção ambiental e uso controlado dos recursos naturais, com espaço para comunidades e atividades compatíveis com a preservação . Já a ampliação do parque nacional e da estação ecológica fortalece áreas com maior restrição de uso, voltadas principalmente à conservação integral e à proteção de espécies e ecossistemas frágeis .

Pantanal no centro do debate

O Pantanal teve destaque duplo na agenda do domingo, tanto pela assinatura de um dos decretos quanto pela escolha do bioma como símbolo da defesa brasileira na COP15 . A região é uma das maiores áreas úmidas do planeta e enfrenta há anos forte pressão ambiental, com episódios recorrentes de seca severa, queimadas e impacto sobre a fauna e a vegetação .

Ao tratar do tema em Campo Grande, Lula afirmou que a América Latina precisa continuar atuando de forma integrada na proteção da biodiversidade, porque não haverá prosperidade duradoura sem a conservação dos ecossistemas . A fala aproxima a pauta ambiental de uma discussão mais ampla sobre desenvolvimento, integração regional e segurança ecológica .

O presidente também relacionou a proteção ambiental ao cenário internacional, citando tensões geopolíticas e defendendo o multilateralismo como ferramenta central para enfrentar desafios globais . Nesse enquadramento, a COP15 aparece não apenas como reunião técnica, mas como espaço político para disputas sobre financiamento, responsabilidades e estratégias de conservação .

Meta até 2030

Durante a agenda, Lula voltou a mencionar a meta de proteger até 2030 30% da área oceânica brasileira, em linha com compromissos assumidos na Convenção sobre Diversidade Biológica . A meta amplia o horizonte da política ambiental e conecta as medidas anunciadas neste domingo a um plano de longo prazo .

Esse tipo de objetivo costuma orientar decisões sobre criação e ampliação de áreas protegidas, fiscalização, monitoramento e cooperação científica . Quando essas frentes avançam, o efeito vai além da delimitação territorial e alcança a manutenção de corredores ecológicos, a proteção de espécies migratórias e a preservação de serviços ambientais essenciais .

Na leitura do governo, o conjunto de decretos e prioridades reforça a tentativa de reposicionar o Brasil como ator de peso na governança ambiental internacional . A estratégia combina diplomacia, metas de conservação e anúncios internos de proteção territorial, numa tentativa de transformar discurso em medida prática .

  • O governo brasileiro definiu três prioridades para a COP15: princípios de responsabilidade comum, porém diferenciada, financiamento ambiental e universalização da Declaração do Pantanal .
  • Foram assinados decretos para criar uma reserva de desenvolvimento sustentável em Minas Gerais e ampliar duas unidades de conservação no Pantanal mato-grossense .
  • As áreas mencionadas somam mais de 174 mil hectares sob proteção ambiental formal .
  • Lula reiterou a meta de proteger 30% da área oceânica brasileira até 2030 .

Com o anúncio, o governo busca levar à COP15 uma mensagem dupla: compromisso interno com a conservação e pressão internacional por mais recursos e cooperação . Em um tema que depende de acordos entre países e de proteção contínua de ecossistemas frágeis, o peso político desses decretos vai além do ato administrativo e ajuda a definir o tom da presença brasileira na conferência .

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