Número de pessoas em situação de rua aumentou nos últimos anos na França.
(Imagem: Canva)
Mesmo sendo uma das maiores economias do planeta, a França enfrenta um desafio social crescente relacionado à falta de moradia.
De acordo com levantamento da Fundação Abbé Pierre, cerca de 330 mil pessoas passaram a viver nas ruas do país ao longo da última década. O número revela um contraste significativo entre a força econômica francesa e as dificuldades enfrentadas por parte da população.
Quando também são considerados indivíduos que vivem em abrigos temporários, hospedagens sociais ou estruturas de acolhimento, o total de pessoas sem moradia fixa ultrapassa 1 milhão.
Milhões vivem em moradias precárias
Além da população em situação de rua, o estudo aponta que aproximadamente 4,4 milhões de franceses vivem em condições consideradas precárias.
Essa classificação inclui moradias de baixa qualidade, residências superlotadas ou locais sem infraestrutura adequada para habitação.
Especialistas indicam que o cenário se agravou após a pandemia de COVID-19, quando fatores econômicos passaram a pressionar ainda mais o custo de vida no país.
Inflação e crise energética agravaram situação
Entre os fatores apontados para o aumento da vulnerabilidade social estão a inflação elevada e a crise energética relacionada ao conflito entre Rússia e Ucrânia.
Esses elementos contribuíram para o aumento dos custos de moradia, dificultando o acesso à habitação para famílias de baixa renda.
Economia francesa segue entre as maiores do mundo
Apesar do cenário social delicado, a economia francesa continua entre as mais fortes do planeta.
Em 2024, o país registrou crescimento de 1,1% no Produto Interno Bruto, repetindo o desempenho do ano anterior.
O PIB da França alcançou cerca de 3,16 trilhões de dólares, o equivalente a aproximadamente R$ 16,3 trilhões, mantendo o país como a sétima maior economia global.
No ranking mundial, a França aparece atrás de Estados Unidos, China, Alemanha, Japão, Índia e Reino Unido.
Problema também afeta outros países
O crescimento da população em situação de rua não é um fenômeno exclusivo da França.
No Brasil, por exemplo, um levantamento preliminar do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada apontou aumento de 38% no número de pessoas vivendo nas ruas entre 2019 e 2022.
Segundo o estudo, a maior concentração está no estado de São Paulo, onde, ao mesmo tempo, a quantidade de imóveis desocupados supera o número de cidadãos sem moradia.