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Cotidiano

MPRJ pede reforço no uso de câmeras corporais por policiais do Rio após falhas em operações e caso recente

19 mar 2026 - 08h25 Joice Gomes   atualizado às 08h26
MPRJ pede reforço no uso de câmeras corporais por policiais do Rio após falhas em operações e caso recente MPRJ recomenda medidas para assegurar uso efetivo de câmeras corporais por policiais do Rio após falhas operacionais e caso recente. (Imagem: Paulo Pinto/Agência Brasil)

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro intensificou a cobrança por um uso mais rigoroso das câmeras corporais pelas forças de segurança estaduais. A medida foi direcionada às estruturas responsáveis pela Segurança Pública, pela Polícia Militar e pela Polícia Civil, com o objetivo de corrigir falhas operacionais que vêm comprometendo o funcionamento do sistema de gravação em ações policiais .

A iniciativa ocorre em meio a investigações que apontaram problemas no emprego desses equipamentos durante operações realizadas no estado. Para o Ministério Público, as câmeras corporais precisam deixar de ser um recurso apenas previsto em norma e passar a funcionar, na prática, como instrumento efetivo de controle, registro e preservação de evidências em abordagens e incursões policiais .

Falhas identificadas em apuração

O foco da recomendação está ligado à análise da Operação Contenção, realizada em outubro de 2025 nos complexos da Penha e do Alemão. No curso dessa apuração, o órgão identificou um conjunto de irregularidades no uso das câmeras, entre elas agentes sem equipamento, equipes mobilizadas com dispositivos inoperantes, aparelhos descarregados e ausência de baterias extras para manter a gravação durante toda a ação .

Essas ocorrências, na avaliação do Ministério Público, revelam deficiência de planejamento e de fiscalização interna. Quando as câmeras não estão disponíveis ou operacionais, o estado perde uma ferramenta importante para reconstituir fatos, verificar a conduta dos agentes e garantir maior transparência em operações de alto risco .

A recomendação também foi remetida ao Supremo Tribunal Federal no âmbito da ADPF 635. O envio reforça o entendimento de que o tema das câmeras corporais está inserido em uma discussão mais ampla sobre controle externo da atividade policial e sobre os parâmetros de atuação das forças de segurança no Rio de Janeiro .

Caso recente ampliou a pressão

A cobrança ganhou novo peso após a morte da médica Andrea Marins Dias, ocorrida no último domingo, em Cascadura, na zona norte da capital fluminense. No acompanhamento do caso, o grupo especializado do Ministério Público solicitou à Polícia Militar a preservação das imagens e informações da ocorrência, mas foi informado de que os três policiais envolvidos estavam com as câmeras sem bateria no momento da ação .

O episódio recolocou no centro do debate uma questão básica, mas decisiva: não basta que o policial esteja formalmente equipado. Para que o sistema cumpra sua finalidade, o aparelho precisa estar carregado, disponível e em condições reais de registrar toda a ocorrência, principalmente em situações com potencial letal ou grande repercussão social .

Na prática, o caso expôs o impacto direto da falha técnica ou logística sobre a apuração de fatos graves. Sem imagens, aumentam as dificuldades para esclarecer a dinâmica da ação, verificar procedimentos adotados e reunir elementos que possam sustentar investigações administrativas ou criminais .

O que o Ministério Público quer mudar

Entre os pontos centrais da recomendação está a exigência de aperfeiçoamento dos protocolos de uso das câmeras corporais. No caso da Polícia Civil, o documento menciona a necessidade de ampliar e qualificar a utilização dos equipamentos em atividades com atuação ostensiva, em operações, no controle de distúrbios civis, em interdições, em reintegrações possessórias e no cumprimento de ordens judiciais e determinações de autoridades policiais .

Mais do que ampliar a presença das câmeras, a orientação busca assegurar que elas estejam integradas à rotina operacional das corporações. Isso envolve preparação prévia das equipes, conferência técnica dos aparelhos antes das saídas, logística de recarga, reposição de baterias e definição clara de responsabilidades dentro da cadeia de comando .

O entendimento do Ministério Público é que a gravação contínua das ações ajuda a proteger a sociedade, fortalece a produção de provas e também pode resguardar os próprios policiais diante de acusações indevidas. Em cenários de confronto, crise ou grande tensão, a imagem registrada tende a se tornar um elemento central para a reconstrução dos fatos .

  • As recomendações foram enviadas a órgãos responsáveis pela Segurança Pública, pela Polícia Militar e pela Polícia Civil do Rio .
  • A apuração da Operação Contenção identificou agentes sem câmeras, aparelhos descarregados e falhas de planejamento no uso dos equipamentos .
  • O caso da médica Andrea Marins Dias reforçou a pressão por providências depois que as câmeras dos policiais envolvidos estavam sem bateria .
  • O documento também foi encaminhado ao STF no contexto da ADPF 635 .
  • O Ministério Público defende protocolos mais rígidos para assegurar registro audiovisual efetivo nas ações policiais .

A movimentação institucional indica que o tema deve continuar no centro das discussões sobre segurança pública no Rio de Janeiro. A partir dessa cobrança, a tendência é de maior pressão por controle de rotina, fiscalização do cumprimento das regras e eventual responsabilização quando a gravação deixar de ocorrer por falha evitável .

Em um cenário marcado por operações complexas e frequentes questionamentos sobre a conduta policial, o funcionamento adequado das câmeras corporais passa a ser tratado não apenas como medida administrativa, mas como peça relevante para transparência, produção de prova e confiança pública na atuação do estado .

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