0:00
Ouça a Rádio
Seg, 19 de Outubro
Ao vivo Ouça a Rádio
0:00
Ao vivo Ouça a Rádio
0:00

O que você procura?

Toque na lupa ou use Buscar no teclado.

Carnaval

Blocos de carnaval no DF transformam folia em ferramenta de autocuidado e inclusão social

09 fev 2026 - 11h13 Joice Gomes   atualizado às 11h15
Compartilhar
Blocos de carnaval no DF transformam folia em ferramenta de autocuidado e inclusão social No Distrito Federal, blocos como Filhas da Mãe e Me chame pelo nome convertem o carnaval em espaço de autocuidado. (Imagem: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)

O carnaval no Distrito Federal ganhou nova dimensão em 2026, saindo do âmbito puramente festivo para se tornar um canal genuíno de autocuidado. Coletivos como Filhas da Mãe, formado por mulheres cuidadoras de pessoas com demência, e Me chame pelo nome, uma fanfarra de pessoas com deficiência, ocuparam as ruas durante o pré-carnaval com mensagens que misturam samba, ritmo e conscientização. Essas iniciativas revelam como a folia pode servir de alívio emocional e plataforma para demandas sociais urgentes.

Filhas da Mãe resgata alegria entre cuidadoras sobrecarregadas

Fundado em 2019, o Coletivo Filhas da Mãe reúne mulheres que lidam diariamente com o cuidado de familiares acometidos por Alzheimer e outras demências. O grupo oferece suporte emocional, oficinas de saúde e espaços de escuta, combatendo o esgotamento que marca a rotina dessas mulheres. No carnaval, elas se transformam em bloco, onde fantasias coloridas e sambas-enredo carregam o lema de que cuidar de si é essencial para continuar cuidando dos outros.

Carmen Araújo, professora de 59 anos e integrante do coletivo, personifica essa jornada. Há 15 anos aos cuidados do pai com Alzheimer, ela encontra no carnaval uma ponte para reviver memórias felizes da infância dele, que sempre amou a festa. "Brincar nos devolve a leveza que perdemos no dia a dia", afirma, destacando como a folia funciona como terapia coletiva contra o adoecimento das cuidadoras.

A psicanalista Cosette Castro, cofundadora do grupo, explica que cerca de 550 pessoas participam das atividades, entre presenciais e online. As cuidadoras enfrentam um quadro alarmante: insônia crônica, ansiedade elevada, hipertensão e até lesões por sobrecarga física. O carnaval surge, então, não como fuga, mas como estratégia intencional de preservação da saúde mental, provando que riso e responsabilidade podem caminhar juntos.

  • O bloco promove caminhadas temáticas e exposições educativas sobre diagnóstico precoce de demências durante o ano todo.
  • Música e dança são vistas como estimulantes cognitivos, beneficiando tanto cuidadoras quanto pessoas com a doença.
  • Campanhas como "Folia com Respeito" integram a programação, reforçando segurança e combate à violência contra mulheres.

Equilíbrio entre folia e responsabilidade no cuidado familiar

Márcia Uchôa, de 69 anos e outra fundadora, cuida da mãe de 96 anos, também com Alzheimer. A matriarca ainda se emociona com músicas e artesanato, o que inspira as cuidadoras a humanizar o processo. Neste ano, Márcia optou por não desfilar por receio de contágios respiratórios, ilustrando o dilema constante: a folia impulsiona o bem-estar, mas exige juízo para não comprometer a saúde dos vulneráveis.

"O carnaval reacende a criança interior e nos lembra que merecemos alegria", reflete Márcia. Sua frase icônica, "a gente precisa se cuidar e o carnaval está dentro da gente", resume a filosofia do coletivo: o cuidado próprio não subtrai do outro, mas o potencializa. Essa visão ganha força nas ruas, onde faixas e cantos ecoam o direito à pausa e à celebração.

O grupo também advoga por políticas públicas que reconheçam o trabalho invisível das cuidadoras não remuneradas, usando o carnaval como megafone para visibilidade. Iniciativas contra feminicídio e assédio nas festas prolongadas complementam a pauta, unindo prazer e ativismo em uma só batida.

Fanfarra Me chame pelo nome quebra barreiras capacitistas

Em paralelo, o coletivo Me chame pelo nome anima o pré-carnaval com uma fanfarra composta por pessoas com deficiência, desafiando estereótipos e conquistando espaço na cultura popular. Sob coordenação de Aline Zeymer, o grupo chega ao segundo ano de desfiles, onde trompetes e percussão misturam-se a corpos diversos, gritando por acessibilidade e respeito.

A proposta transcende a diversão: é uma declaração de presença em espaços historicamente excludentes. "A folia é pública e deve abraçar todos", defende Aline, apontando para a necessidade de rampas, intérpretes de libras e banheiros adaptados em eventos carnavalescos. Internamente, o coletivo fomenta autoestima e autonomia, transformando participantes em protagonistas de sua narrativa.

Os ensaios semanais fortalecem laços e habilidades sociais, enquanto os desfiles públicos derrubam preconceitos. Ritmos animados contrastam com demandas concretas, como comunicação inclusiva em divulgações oficiais e treinamento de seguranças para atendimento sensível à diversidade funcional. Assim, a fanfarra pavimenta um carnaval mais equânime.

  • Participantes relatam ganhos em confiança e interação social graças à prática musical coletiva.
  • O grupo pressiona por editais públicos que priorizem projetos inclusivos no calendário oficial da folia.
  • Parcerias com órgãos de cultura ampliam o alcance, inspirando réplicas em outras praças do país.

Legado do carnaval como agente de transformação social

Esses coletivos comprovam o potencial do carnaval como arena de saúde pública e ativismo. Ao entrelaçar samba com debates sobre demência, sobrecarga feminina e capacitismo, eles educam foliões casuais e policymakers atentos. A visibilidade alcançada impulsiona conversas sobre suporte a cuidadoras e infraestrutura acessível, pautas que transcendem a Quarta-Feira de Cinzas.

Olhando adiante, espera-se que o modelo se espalhe, com blocos tradicionais adotando elementos inclusivos e governos investindo em parcerias. Órgãos como secretarias de saúde e cultura podem formalizar apoios, garantindo continuidade e escala. Para 2027, projeções indicam maior adesão, com potencial para influenciar o carnaval nacional.

No fim, esses grupos redefinem a folia brasileira: não só como explosão de cores e sons, mas como respiro coletivo para quem sustenta a sociedade nas sombras. Cuidadores e pessoas com deficiência, via samba e fanfarra, afirmam seu lugar na festa maior, convidando todos a uma celebração mais humana e justa. O carnaval, assim, pulsa como coração vivo de cuidado e resistência.

Mais notícias
Concursos em Pernambuco somam mais de 4.400 vagas e salários de até R$ 13,5 mil; veja oportunidades
Oportunidades Concursos em Pernambuco somam mais de 4.400 vagas e salários de até R$ 13,5 mil; veja oportunidades
Em Suape, funcionários da fábrica da Deca são surpreendidos com anúncio de encerramento das atividades
Pernambuco Em Suape, funcionários da fábrica da Deca são surpreendidos com anúncio de encerramento das atividades
Governo Lula antecipa pagamento do Bolsa Família para antes do segundo turno; veja quando
Eleições Governo Lula antecipa pagamento do Bolsa Família para antes do segundo turno; veja quando
Metrô do Recife terá passagem gratuita no segundo turno das eleições neste domingo (25)
Eleições Metrô do Recife terá passagem gratuita no segundo turno das eleições neste domingo (25)
Jornada de Fisioterapia da Unit Recife debate inteligência artificial e mercado de trabalho
Capacitação Jornada de Fisioterapia da Unit Recife debate inteligência artificial e mercado de trabalho
Menina de 6 anos morre em incêndio dentro de casa em João Alfredo, no Agreste de Pernambuco
Acidente Menina de 6 anos morre em incêndio dentro de casa em João Alfredo, no Agreste de Pernambuco
Pernambuco terá 15 novas Escolas Técnicas Estaduais em 2027, com 7.830 vagas; confira cidades
Educação Pernambuco terá 15 novas Escolas Técnicas Estaduais em 2027, com 7.830 vagas; confira cidades
Sem biometria? TSE garante voto de eleitores não cadastrados no 2º turno; veja regras e documentos aceitos
Utilidades Sem biometria? TSE garante voto de eleitores não cadastrados no 2º turno; veja regras e documentos aceitos
Relógio usado por Lula em debate da Band chama atenção e levanta suspeita de modelo de luxo
Omega Constellation? Relógio usado por Lula em debate da Band chama atenção e levanta suspeita de modelo de luxo
Brasil goleia Afeganistão por 6 a 0 e conquista tricampeonato da Copa das Nações de Futsal
Campeão Brasil goleia Afeganistão por 6 a 0 e conquista tricampeonato da Copa das Nações de Futsal
Mais Lidas
Jovens brasileiros criam solução de mobilidade para mulheres em competição internacional
Transporte Jovens brasileiros criam solução de mobilidade para mulheres em competição internacional
Projeto vencedor do BEN BUILDERS propõe transporte mais seguro para mulheres, estudantes e trabalhadoras; miniatura do veículo pode ir ao espaço em 2027.
Dom Alexandre Ximenes morre; velório e culto serão realizados na Catedral da Reconciliação
Falecimento Dom Alexandre Ximenes morre; velório e culto serão realizados na Catedral da Reconciliação
Após as cerimônias no Recife, corpo seguirá para Campina Grande, onde haverá uma nova celebração e o sepultamento.
Dom Alexandre Ximenes: conheça a trajetória religiosa e o legado do bispo em Pernambuco
História Dom Alexandre Ximenes: conheça a trajetória religiosa e o legado do bispo em Pernambuco
Natural de Campina Grande, líder religioso construiu uma trajetória dedicada à formação teológica, à atuação pastoral e à Igreja Episcopal Carismática do Brasil.
Prefeitura de Olinda convoca 45 aprovados em concurso público para posse
Lista Prefeitura de Olinda convoca 45 aprovados em concurso público para posse
Prefeitura de Olinda convoca 45 aprovados no concurso de 2024 para posse em cargos da administração municipal. Cerimônia será no dia 19 de outubro.