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Regulatório

Fim do EAD? Nova regulação do MEC muda o mercado de educação, diz CEO da Ânima

16 jan 2026 - 23h31 Alexsander Arcelino   atualizado às 23h35
Ilustração representando ensino superior híbrido após mudanças na regulação do MEC sobre cursos EAD. Nova regulação do MEC impõe mudanças no ensino superior e limita cursos 100% EAD em áreas estratégicas. (Imagem: Imagem ilustrativa / Freepik)

As novas regras do Ministério da Educação (MEC) para o ensino superior devem provocar uma transformação profunda no setor educacional brasileiro. A regulação, que veta o modelo 100% EAD em cursos de áreas específicas, como Saúde, Engenharia e Licenciaturas, faz com que uma parte do mercado “desapareça” formalmente, ao mesmo tempo em que obriga as instituições a repensarem seus modelos de negócio.

Em entrevista, a CEO da Ânima Educação, Paula Harraca, avalia que o impacto é significativo, mas positivo. Segundo ela, a mudança estrutural, em vigor desde setembro de 2025, altera fluxos de trabalho, redefine estratégias e afeta diretamente cerca de 1 milhão de alunos em todo o país.

“É uma mudança estrutural. Apesar de existir um período de adaptação, os impactos são imediatos. E ela vem muito ao encontro do que a Ânima sempre acreditou: que educação de qualidade em escala passa pela hibridez”, afirma a executiva.

MEC impõe nova lógica ao ensino superior

O fim do EAD em determinadas graduações ocorre a partir de diretrizes que exigem uma carga horária presencial significativamente maior do que a praticada nos últimos anos. Na prática, cursos que antes eram majoritariamente online passam a ser obrigatoriamente híbridos ou predominantemente presenciais.

A nova regulação consolida medidas que o MEC vinha adotando desde 2024, como a suspensão da criação de novos cursos EAD nessas áreas até março de 2025. O objetivo, segundo o ministério, é garantir a qualidade da formação acadêmica, especialmente em cursos que exigem atividades práticas, estágios supervisionados e interação humana direta.

Área da saúde sofre maior restrição

Entre todos os segmentos afetados pelo fim do EAD, a área da Saúde é a que enfrenta as regras mais rigorosas. Conselhos profissionais como CFM, Cofen, CRF e Crefito pressionaram o MEC contra o ensino totalmente remoto, alegando riscos à formação dos profissionais.

Com isso, cursos 100% online foram proibidos, e a exigência é de que a maior parte da carga horária — especialmente disciplinas assistenciais e estágios — seja presencial. Na prática, os cursos passam a ser presenciais com apoio tecnológico, e não mais EAD com encontros ocasionais.

Ânima antecipou recuo do EAD em saúde

Segundo Paula Harraca, a Ânima Educação antecipou esse movimento regulatório. Há cerca de três anos, o grupo deixou de ofertar cursos da área da saúde no formato a distância, evitando agora ajustes mais bruscos.

“O marco regulatório reforça esse movimento, mas nós já havíamos decidido não estar em determinados segmentos do EAD. Isso conversa com a nossa proposta de valor e com aquilo em que acreditamos”, explica.

Para a executiva, o ensino de profissões da saúde não pode se basear apenas em conteúdos passivos. “Não acreditamos que um profissional de enfermagem, por exemplo, aprenda a cuidar de um paciente apenas assistindo a um vídeo ou lendo um PDF. É preciso vivência, prática e contato humano.”

Do EAD ao modelo híbrido

Com a nova regulação e a visão estratégica da empresa, a Ânima passou a reintegrar o digital às marcas do grupo de forma transversal. Para a companhia, o fim do EAD como produto isolado não significa o abandono da tecnologia.

“Para nós, EAD é experiência de aprendizagem digital, não apenas ensino a distância. A tecnologia permite flexibilidade e personalização, mas integrada a momentos de interação, troca e presencialidade”, afirma Harraca.

A executiva destaca que a empresa deixou de enxergar as modalidades como produtos separados e passou a tratá-las como soluções educacionais integradas. A aposta é no lifelong learning, com trajetórias educacionais mais flexíveis e alinhadas às novas exigências regulatórias.

“Acreditamos que essa migração para o híbrido é natural e, sinceramente, muito positiva para a educação brasileira”, conclui.

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