Local do acidente com o helicóptero na região da Vista Chinesa, no Rio de Janeiro.
(Imagem: Divulgação CBMRJ)
A Vara de Registros Públicos do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro autorizou oficialmente a cremação dos corpos das três turistas colombianas da mesma família que morreram na trágica queda de um helicóptero na região da Vista Chinesa, em plena Floresta da Tijuca. Dayan Sofia Murillo Manrique, Lida Rocio Cubillos Cardenas e Wendy Yolani Manrique Cubillos, que eram avó, mãe e filha, perderam a vida quando a aeronave despencou na mata densa e explodiu, em um acidente que também vitimou o piloto.
Como a tragédia decorreu de uma morte violenta por acidente de transporte, a legislação brasileira exige uma autorização judicial expressa antes de qualquer procedimento de cremação. O aval da magistrada Raquel Santos Pereira Chrispino veio após a conclusão dos laudos de necropsia e da manifestação favorável do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ).
A identificação das vítimas estrangeiras exigiu um trabalho minucioso e complexo por parte do Instituto Médico Legal (IML). Sem registros de impressões digitais cadastrados no banco de dados brasileiro, os peritos precisaram recorrer a técnicas detalhadas de odontologia legal e análises antropológicas para confirmar de forma científica a identidade das três mulheres.
Como funciona o processo de repatriação das cinzas
A liberação judicial funciona, na prática, como uma etapa fundamental para que os parentes sobreviventes possam, enfim, iniciar o processo de despedida. Com a autorização funcionando diretamente como alvará, os requerentes têm agora o prazo de cinco dias para comprovar a realização da cremação perante a Justiça e apresentar as cópias dos registros de óbito.
Mas o desfecho deste doloroso processo vai além do território brasileiro. Assim que os trâmites forem finalizados em solo carioca, as cinzas de Dayan, Lida e Wendy serão transportadas de volta para a Colômbia, onde a família finalmente poderá realizar as últimas homenagens no país de origem das vítimas.
O que está por trás da segurança dos voos no Rio de Janeiro
O trágico episódio reacendeu debates cruciais sobre a regulamentação do espaço aéreo e a segurança de voos turísticos e privados na capital fluminense. Diante dos riscos inerentes ao relevo montanhoso da cidade, o Ministério Público Federal (MPF) já havia se manifestado cobrando ações mais rígidas de fiscalização para evitar novas ocorrências na região serrana e de florestas.
Enquanto as investigações sobre as causas mecânicas ou humanas da queda continuam em andamento pelas autoridades aeronáuticas, a liberação dos corpos traz um alento burocrático essencial para uma família devastada pela tragédia. O caso serve de alerta para a urgência de protocolos de cooperação internacional mais céleres na identificação de vítimas estrangeiras no Brasil.