Família e ativistas cobram justiça por Kathlen Romeu, morta durante operação policial no Rio de Janeiro.
(Imagem: Reprodução/eukathlenromeu/Instagram)
O desfecho judicial de um dos casos mais emblemáticos de violência urbana no Rio de Janeiro ganhou data definitiva. No dia 26 de novembro, às 10h, os policiais militares Rodrigo Correia de Frias e Marcos Felipe da Silva Salviano enfrentarão o júri popular pela morte da modelo Kathlen Romeu, atingida por um disparo de fuzil em 2021.
A jovem de 24 anos estava grávida de 13 semanas quando foi baleada no tórax no Complexo do Lins, na Zona Norte da capital fluminense. Ela havia acabado de visitar a avó e caminhava pela comunidade no momento em que uma operação policial estava em andamento na região.
A gravidade do episódio e o clamor imediato por respostas transformaram o caso em um símbolo da luta por direitos humanos e por protocolos mais rígidos em incursões armadas em áreas periféricas. Na prática, o início desse julgamento atende a uma demanda social histórica por responsabilização.
O que está por trás da decisão judicial
A decisão de levar os réus a júri popular foi fundamentada pela juíza Elizabeth Machado Louro, titular da 2ª Vara Criminal do Rio de Janeiro. A magistrada se baseou em provas técnicas robustas que apontam indícios suficientes de autoria por parte dos agentes de segurança.
Embora as testemunhas ouvidas ao longo do processo não tenham conseguido precisar de qual arma partiu o tiro fatal, a perícia foi determinante. O laudo de reprodução simulada, que reconstituiu minuciosamente o cenário do confronto no Complexo do Lins, preencheu as lacunas da investigação.
De acordo com a sentença de pronúncia, os acusados responderão nos termos do Tribunal do Júri por homicídio qualificado. A materialidade do crime já havia sido atestada pelo laudo de necropsia, que detalhou a trajetória da bala que tirou a vida de Kathlen e interrompeu a gestação.
O que muda na prática a partir de agora
O julgamento no II Tribunal do Júri da Capital representa uma etapa crucial para a família da vítima e para as políticas de segurança pública fluminense. A sessão coloca sob escrutínio da sociedade civil a atuação e os limites de agentes do Estado em operações letais.
Mais do que definir o futuro dos dois policiais militares, o veredito esperado deve ecoar como um precedente importante sobre o uso de armas de grosso calibre em perímetros urbanos densamente habitados.
O caso de Kathlen Romeu permanece vivo na memória coletiva como um doloroso lembrete das marcas deixadas pela violência cotidiana. O início do julgamento marca o ápice de uma busca por justiça que se arrasta por anos, prometendo mobilizar atenções dentro e fora dos tribunais.