Indústria brasileira de aço e manufaturados está entre os setores mais afetados pelas novas tarifas norte americanas.
(Imagem: Tânia Rêgo/Agência Brasil)
Representantes dos governos do Brasil e dos Estados Unidos agendaram um encontro virtual para tratar da recente imposição de tarifas comerciais sobre produtos brasileiros. A reunião contará com a presença do ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e do representante comercial norte-americano, Jamieson Greer. O agendamento ocorre após negociação direta entre os chefes de Estado de ambas as nações.
A abertura das conversas foi acertada em diálogo telefônico de longa duração entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. Durante a conversa, a presidência brasileira contestou as alegações norte-americanas que motivaram as sanções econômicas, ressaltando que as medidas geram prejuízos mútuos ao comércio internacional. As justificativas da Casa Branca envolvem temas como propriedade intelectual, meio ambiente e regras trabalhistas.
O lado norte-americano concordou em manter a comunicação ativa entre as equipes econômicas para avaliar a situação comercial. O objetivo do governo brasileiro é construir alternativas negociadas para proteger as exportações nacionais e restabelecer a estabilidade nas trocas de mercadorias entre os dois países.
Histórico das taxas impostas e medidas na OMC
As discussões ganharam urgência após o órgão de comércio dos Estados Unidos aplicar uma sobretaxa de 25% sobre diversos bens brasileiros, incluindo aço, maquinário e itens agrícolas. Posteriormente, uma nova alíquota de 12,5% foi adicionada sob a justificativa de fiscalização de fluxos produtivos. Ao todo, as medidas tarifárias impactam bilhões de dólares em exportações do mercado nacional.
Diante do cenário de retração, o Brasil recorreu ao sistema de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio para questionar a legalidade das tarifas comerciais. Os Estados Unidos aceitaram participar da fase de consultas formais perante o organismo internacional.
O governo brasileiro destaca que o balanço das trocas com o país norte-americano historicamente apresenta saldo favorável aos Estados Unidos. As equipes técnicas trabalham com base em diretrizes de reciprocidade econômica para mitigar perdas financeiras aos setores produtivos afetados pelas restrições de mercado.