Saiba sobre os impactos ambientais e as medidas impostas pelo governo de Minas Gerais.
(Imagem: Prefeitura de Congonhas/Divulgação)
O governo de Minas Gerais aplicou uma multa de R$ 1,7 milhão à Vale após dois vazamentos consecutivos em suas minas de Congonhas e Ouro Preto. Os incidentes ocorreram no domingo (25) e na segunda-feira (26), liberando cerca de 262 mil metros cúbicos de água misturada a sedimentos.
Não houve vítimas, mas os episódios causaram assoreamento de rios e danos ambientais significativos. A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) confirmou o rompimento de estruturas de contenção nas duas unidades.
Detalhes do primeiro vazamento
Na madrugada de domingo, a mina de Fábrica, em Ouro Preto, registrou o rompimento de uma leira de contenção na cava 18. O fluxo de água com rejeitos atingiu áreas da CSN Mineração, alagando almoxarifados e oficinas.
O material seguiu para os rios Goiabeiras e Maranhão, afluente do Paraopeba, elevando a turbidez e tornando a água imprópria temporariamente. A Vale foi multada em R$ 1,3 milhão por esse incidente.
- Volume estimado: 262 mil m³ de água com sedimentos;
- Impacto: Assoreamento e contaminação de cursos d'água;
- Resposta inicial: Comunicado aos órgãos competentes pela empresa.
Segundo incidente em Congonhas
Menos de 24 horas depois, na mina Viga, em Congonhas, um escorregamento de talude natural rompeu 22 sumps no fundo da cava. A água liberada alcançou o rio Maranhão, sem afetar comunidades diretamente.
Pela falha, a Vale recebeu multa de R$ 400 mil. A prefeitura local já havia suspendido o alvará da mina Fábrica, restringindo atividades econômicas.
Autoridades destacam que chuvas intensas na região contribuíram para os rompimentos, expondo vulnerabilidades em estruturas de mineração.
Medidas impostas pelo governo
A Semad determinou a suspensão imediata das atividades nas duas minas por tempo indeterminado. A empresa deve realizar limpeza das áreas afetadas e monitorar os rios contaminados.
Em até dois dias, a Vale precisa apresentar plano e cronograma de ações; em dez dias, o Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (Prad). Relatórios sobre causas e consequências também são obrigatórios.
- Limpeza imediata de sedimentos;
- Monitoramento ambiental contínuo;
- Relatório técnico em até dez dias.
Histórico de riscos na mineração
Os vazamentos reacendem debates sobre segurança em barragens e minas no Brasil, especialmente em Minas Gerais, marcado por tragédias como Mariana (2015) e Brumadinho (2019), ambas envolvendo a Vale.
Especialistas cobram maior rigor na fiscalização e investimentos em tecnologias preventivas. A Semad reforça que todos os danos serão reparados conforme a lei.
O superintendente Gustavo Endrigo afirmou que a multa pode aumentar com novas irregularidades. A Vale ainda não se pronunciou oficialmente sobre os eventos recentes.
Enquanto isso, comunidades próximas acompanham de perto as ações de recuperação. A turbidez nos rios afeta pesca e abastecimento, demandando respostas rápidas para mitigar impactos de longo prazo.
O caso destaca a necessidade de equilíbrio entre exploração mineral e preservação ambiental no Quadrilátero Ferrífero, coração da mineração brasileira.