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Qua, 15 de Julho
Alta dos combustíveis

Governo prorroga imposto sobre exportação de petróleo para conter alta dos combustíveis

Para conter os impactos da crise no Oriente Médio, o governo prorrogou por até 60 dias o imposto de 12% sobre a exportação de petróleo bruto.

10 jul 2026 - 08h38 Joice Gomes   atualizado às 08h40
Governo prorroga imposto sobre exportação de petróleo para conter alta dos combustíveis Plataforma de extração de petróleo em alto mar; medida visa garantir o abastecimento interno de combustíveis. (Imagem: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)

O bolso do consumidor brasileiro e o abastecimento nacional de combustíveis ganharam um novo escudo temporário contra a volatilidade global. O Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex-Camex) decidiu manter em 12% a alíquota do Imposto de Exportação sobre o petróleo bruto por mais 60 dias.

A medida, anunciada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), ocorre em um momento de extrema sensibilidade no tabuleiro geopolítico internacional, com desdobramentos diretos nas bombas dos postos de combustíveis do país.

Na prática, a decisão busca desincentivar o envio maciço de óleo cru para fora do Brasil, garantindo que o parque de refino nacional tenha matéria-prima suficiente para operar sem sobressaltos e mitigar riscos de desabastecimento.

O que muda na prática para o mercado e o consumidor

Com o imposto de 12% mantido, as petroleiras que atuam no Brasil encontram uma barreira tributária para exportar o óleo bruto. Isso ajuda a reter o produto em solo nacional, forçando uma oferta interna mais robusta.

Mas o impacto vai além da simples disponibilidade física do produto. A decisão funciona como uma espécie de amortecedor contra as oscilações abruptas de preço no mercado internacional, que costumam ser repassadas quase que imediatamente para a gasolina e o diesel.

Originalmente, essa cobrança tributária foi desenhada como uma compensação temporária para cobrir a desoneração do diesel. A equipe econômica planejava retirar o imposto gradualmente, mas os ventos da geopolítica global sopraram em outra direção.

Por que o Oriente Médio mudou os planos do governo

E é aqui que está o ponto central desta reviravolta: as novas tensões entre os Estados Unidos e o Irã no crucial Estreito de Ormuz. Por essa rota marítima passa cerca de um quinto de todo o petróleo consumido no planeta.

Qualquer faísca nessa região ameaça interromper o fornecimento global, o que empurrou a cotação do barril de petróleo tipo Brent de volta para a casa dos US$ 80 nos últimos dias. Diante desse cenário inflamável, o plano de zerar a alíquota foi engavetado.

O Ministério da Fazenda, sob a liderança de Dario Durigan em agendas recentes, confirmou que o cronograma de retirada de subsídios aos combustíveis também passa por uma cuidadosa revisão. O momento exige cautela extrema para evitar uma nova espiral inflacionária.

O que pode acontecer a partir de agora

Embora a prorrogação tenha um prazo regulamentar de até 60 dias, o governo federal estabeleceu um gatilho de reavaliação obrigatória em apenas 30 dias.

Se as tensões no Oriente Médio arrefecerem e o preço do barril recuar de forma consistente, a equipe econômica poderá retomar o plano original de flexibilização da alíquota. Caso contrário, a barreira protetora pode ser estendida novamente.

Para o investidor e o consumidor comum, o cenário exige atenção redobrada. As próximas semanas serão decisivas para definir se o Brasil conseguirá manter os preços dos combustíveis estabilizados ou se as pressões externas falarão mais alto que as barreiras tributárias do governo.

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