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Política

COP17: Como a seca extrema mobiliza líderes mundiais na Mongólia

Na Mongólia, a COP17 busca criar regras rígidas contra a seca e destravar financiamento bilionário para conter a degradação de terras que ameaça o solo global.

17 ago 2026 - 08h28 Joice Gomes   atualizado às 08h54
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COP17: Como a seca extrema mobiliza líderes mundiais na Mongólia Áreas severamente degradadas pelo clima extremo exigem cooperação internacional e investimentos de grande porte para conter o avanço dos desertos. (Imagem: gerado por IA)

Mais de 190 nações e a União Europeia iniciaram nesta segunda-feira (17), em Ulaanbaatar, na Mongólia, as duras negociações da 17ª Conferência de Combate à Desertificação (COP17), sob a urgência de conter a degradação que inutiliza milhões de hectares de solo produtivo anualmente.

O evento ocorre em um momento crítico, onde extremos climáticos transformam terras agricultáveis em poeira, exigindo respostas imediatas para a segurança alimentar global. No Brasil, o avanço do deserto na Caatinga e as secas históricas na Amazônia mostram que o problema bate à porta.

Na prática, as discussões tentam resolver impasses arrastados desde a última cúpula em Riad, na Arábia Saudita, onde a falta de consenso travou a criação de um tratado global de combate à seca.

O que está em jogo na governança global das secas

Diferente do clima, que conta com o Acordo de Paris, e da biodiversidade, resguardada pelo Marco de Kunming-Montreal, a agenda de combate às secas ainda carece de um mecanismo político com força de lei.

Países africanos e em desenvolvimento lideram a pressão por um protocolo internacional juridicamente vinculante, que obrigue governos a agir de forma preventiva e coordenada. Países mais ricos, contudo, ainda resistem à rigidez de um tratado com obrigações legais de financiamento.

Mesmo sem o consenso absoluto, o otimismo recai sobre a expansão dos planos nacionais de contingência, que saltaram de um punhado em 2013 para mais de 70 em atividade atualmente.

Por que isso importa para o bolso e o prato do cidadão

A perda de terras férteis afeta diretamente a inflação de alimentos. Estimativas apontam que, até 2050, a agricultura precisará produzir 50% mais comida, enquanto o mundo segue perdendo 100 milhões de hectares de terras saudáveis por ano.

Para reverter esse cenário de escassez, especialistas estimam que seriam necessários investimentos de aproximadamente US$ 1 bilhão por dia até o final desta década. Atualmente, os recursos públicos e privados estão muito aquém desse patamar.

Uma das saídas em debate na Mongólia é atrair a indústria de consumo privado, como gigantes dos setores de alimentos, cosméticos e moda, cujas cadeias de suprimento dependem diretamente da saúde do solo. Estima-se que cada dólar investido em restauração gere até US$ 30 em retorno econômico.

O papel estratégico do Brasil e a estreia histórica dos povos tradicionais

O Brasil chega à COP17 com a missão de apresentar suas primeiras metas nacionais de Neutralidade da Degradação da Terra (LDN). Levantamentos do Ministério do Meio Ambiente apontam que o país possuía 55 milhões de hectares de áreas degradadas em 2020.

A estratégia brasileira aposta em integrar a conservação de unidades de proteção e a garantia de direitos territoriais como ferramentas ativas de restauração ambiental, conectando a política nacional com o esforço global.

Além disso, o país celebra uma vitória política histórica: pela primeira vez, povos indígenas e comunidades tradicionais terão voz oficial garantida através do "Caucus Indígena", espaço de articulação aprovado na última edição sob forte influência da diplomacia brasileira.

Ao colocar no centro do debate aqueles que vivem na linha de frente das regiões mais áridas do planeta, a conferência tenta garantir que as decisões não fiquem restritas a salas climatizadas e se traduzam em sobrevivência real no campo.

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