0:00 Ouça a Rádio
Sex, 06 de Março
Busca
0:00 Ouça a Rádio
Religião

Campanha da Fraternidade 2026 da CNBB destaca direito à moradia digna para milhões de brasileiros

18 fev 2026 - 16h44 Joice Gomes   atualizado às 16h47
Campanha da Fraternidade 2026 da CNBB destaca direito à moradia digna para milhões de brasileiros A Campanha da Fraternidade 2026, com tema Fraternidade e Moradia, foca no direito à moradia digna, inspirada na Pastoral da Moradia. (Imagem: CNBB/Divulgação)

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou, nesta Quarta-feira de Cinzas, 18 de fevereiro de 2026, a Campanha da Fraternidade 2026. O evento ocorreu em Brasília e marca o início da Quaresma com o tema “Fraternidade e Moradia” e o lema “Ele veio morar entre nós” (João 1,14).

A Campanha da Fraternidade busca provocar uma reflexão profunda sobre a habitação como direito fundamental. Ela destaca que a moradia digna serve como porta de entrada para saúde, educação e segurança, afetando diretamente a dignidade humana de milhões de brasileiros.

O secretário-geral da CNBB, dom Ricardo Hoerpers, enfatizou que a moradia não é privilégio, mas condição básica. “Não podemos naturalizar que alguém viva sem teto ou aceitar que crianças cresçam em áreas de risco”, declarou durante a abertura.

Lançamento reflete drama social atual

A sugestão para o tema da Campanha da Fraternidade 2026 veio da Pastoral da Moradia e Favelas, acolhida pelo Conselho Episcopal Pastoral da CNBB. O padre Jean Poul Hansen, secretário-executivo de Campanhas, leu a mensagem do Papa Leão XIV, que liga a Sagrada Família à falta de abrigo em Belém.

Experiências como a da comunidade católica de Trindade, em Salvador (BA), foram apresentadas. O Irmão Henrique Peregrino destacou que moradia vai além de teto: envolve aconchego familiar, saúde e geração de renda para pessoas em situação de rua.

A campanha convoca ações constantes, não só durante a Quaresma. Ela apela à sociedade e ao poder público para debater e implementar soluções habitacionais permanentes.

Déficit habitacional persiste apesar de avanços

O Brasil registra cerca de 328 mil pessoas em situação de rua, dados de 2022. O déficit habitacional absoluto caiu de 6,21 milhões para 5,97 milhões de domicílios entre 2022 e 2023, segundo o Ministério das Cidades.

Em 2023, o índice relativo atingiu o menor patamar histórico de 7,6% dos domicílios urbanos, conforme a Fundação João Pinheiro. Ainda assim, mais de 5,8 milhões de moradias são necessárias para superar coabitação forçada, imóveis precários e gastos excessivos com aluguel.

  • Déficit relativo em 2023: 7,6% dos domicílios urbanos em carência.
  • Queda de 3,8% no déficit absoluto de 2022 para 2023.
  • 328 mil pessoas em situação de rua, conforme balanço de 2022.

Dom Hoerpers e padre Hansen cobraram políticas públicas em todos os níveis de governo. “A política é a forma mais excelente da caridade”, afirmou o sacerdote, defendendo ações sociopolíticas para reduzir o problema.

Minha Casa Minha Vida impulsiona contratações

O programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) contratou mais de 1,9 milhão de unidades desde 2023, com investimentos acima de R$ 300 bilhões. A meta é alcançar 3 milhões de moradias contratadas até o fim de 2026, 50% acima do planejado inicialmente.

O governo prevê entregar cerca de 2 milhões de unidades até dezembro de 2026, com R$ 144,5 bilhões do FGTS destinados só para 2026, visando 1 milhão de novas moradias. Atualizações incluem a Faixa 4 para rendas de R$ 8.600,01 a R$ 12.000, tetos reajustados e subsídios ampliados.

  • Faixa 1: até R$ 2.850 mensais, subsídio até R$ 65 mil no Norte.
  • Contratações totais desde 2023: mais de 1,9 milhão de unidades.
  • Meta 2026: 3 milhões contratadas, com entregas próximas a 2 milhões.

Esses números mostram avanços, mas líderes da CNBB reforçam que políticas habitacionais são deveres do Estado, não concessões. A mobilização deve priorizar orçamentos e agendas públicas.

Programação segue em Aparecida com símbolos impactantes

Após Brasília, a Campanha da Fraternidade 2026 continua no Santuário Nacional de Aparecida (SP). No sábado, 21 de fevereiro, às 19h30, ocorre a bênção da escultura “Cristo Sem Teto”, do artista canadense Timothy Schmalz.

A obra retrata Jesus como pessoa em situação de rua, apelando à solidariedade. A missa de abertura será no domingo, 22, presidida pelo cardeal Jaime Spengler, presidente da CNBB.

A Coleta Nacional da Solidariedade está marcada para 29 de março. A campanha inclui cartaz oficial que convida à conversão do olhar para Cristo nos sem-teto, ocupações e barracos.

Impactos e perspectivas futuras

A Campanha da Fraternidade importa por unir fé e ação social, pressionando por mudanças estruturais. Ela responde ao que aconteceu – lançamento em meio a déficits persistentes –, explica por que moradia é essencial e aponta impactos como dignidade e inclusão.

Praticamente, incentiva participação em políticas como o MCMV e iniciativas locais. Pode resultar em maior visibilidade para o tema, com parcerias entre Igreja, governo e sociedade.

A partir de agora, espera-se que a Quaresma impulsione debates e ações concretas. Com metas ambiciosas do governo e apelo eclesial, o Brasil avança rumo à redução do déficit, mas exige compromisso contínuo de todos.

Essa edição reforça o papel da Igreja na defesa de direitos humanos, promovendo uma sociedade mais fraterna e justa.

Mais notícias
Justiça da Paraíba proíbe uso da Bíblia e menções religiosas em sessões da ALPB
Judicial Justiça da Paraíba proíbe uso da Bíblia e menções religiosas em sessões da ALPB
Cariocas celebram padroeiro São Sebastião com gratidão e esperança
Cariocas celebram padroeiro São Sebastião com gratidão e esperança
Mais Lidas
Quartzito substitui mármore e se consolida como tendência para bancadas em 2026
Arquitetura Quartzito substitui mármore e se consolida como tendência para bancadas em 2026
BNB registra atraso em repasses de maquininhas após falha operacional da Entrepay
Financeiro BNB registra atraso em repasses de maquininhas após falha operacional da Entrepay
Globo define narradores para a Copa do Mundo 2026
Futebol Globo define narradores para a Copa do Mundo 2026
Mortes por temporais na Zona da Mata chegam a 59 em Minas Gerais
Chuvas Mortes por temporais na Zona da Mata chegam a 59 em Minas Gerais