A Campanha da Fraternidade 2026, com tema Fraternidade e Moradia, foca no direito à moradia digna, inspirada na Pastoral da Moradia.
(Imagem: CNBB/Divulgação)
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou, nesta Quarta-feira de Cinzas, 18 de fevereiro de 2026, a Campanha da Fraternidade 2026. O evento ocorreu em Brasília e marca o início da Quaresma com o tema “Fraternidade e Moradia” e o lema “Ele veio morar entre nós” (João 1,14).
A Campanha da Fraternidade busca provocar uma reflexão profunda sobre a habitação como direito fundamental. Ela destaca que a moradia digna serve como porta de entrada para saúde, educação e segurança, afetando diretamente a dignidade humana de milhões de brasileiros.
O secretário-geral da CNBB, dom Ricardo Hoerpers, enfatizou que a moradia não é privilégio, mas condição básica. “Não podemos naturalizar que alguém viva sem teto ou aceitar que crianças cresçam em áreas de risco”, declarou durante a abertura.
Lançamento reflete drama social atual
A sugestão para o tema da Campanha da Fraternidade 2026 veio da Pastoral da Moradia e Favelas, acolhida pelo Conselho Episcopal Pastoral da CNBB. O padre Jean Poul Hansen, secretário-executivo de Campanhas, leu a mensagem do Papa Leão XIV, que liga a Sagrada Família à falta de abrigo em Belém.
Experiências como a da comunidade católica de Trindade, em Salvador (BA), foram apresentadas. O Irmão Henrique Peregrino destacou que moradia vai além de teto: envolve aconchego familiar, saúde e geração de renda para pessoas em situação de rua.
A campanha convoca ações constantes, não só durante a Quaresma. Ela apela à sociedade e ao poder público para debater e implementar soluções habitacionais permanentes.
Déficit habitacional persiste apesar de avanços
O Brasil registra cerca de 328 mil pessoas em situação de rua, dados de 2022. O déficit habitacional absoluto caiu de 6,21 milhões para 5,97 milhões de domicílios entre 2022 e 2023, segundo o Ministério das Cidades.
Em 2023, o índice relativo atingiu o menor patamar histórico de 7,6% dos domicílios urbanos, conforme a Fundação João Pinheiro. Ainda assim, mais de 5,8 milhões de moradias são necessárias para superar coabitação forçada, imóveis precários e gastos excessivos com aluguel.
- Déficit relativo em 2023: 7,6% dos domicílios urbanos em carência.
- Queda de 3,8% no déficit absoluto de 2022 para 2023.
- 328 mil pessoas em situação de rua, conforme balanço de 2022.
Dom Hoerpers e padre Hansen cobraram políticas públicas em todos os níveis de governo. “A política é a forma mais excelente da caridade”, afirmou o sacerdote, defendendo ações sociopolíticas para reduzir o problema.
Minha Casa Minha Vida impulsiona contratações
O programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) contratou mais de 1,9 milhão de unidades desde 2023, com investimentos acima de R$ 300 bilhões. A meta é alcançar 3 milhões de moradias contratadas até o fim de 2026, 50% acima do planejado inicialmente.
O governo prevê entregar cerca de 2 milhões de unidades até dezembro de 2026, com R$ 144,5 bilhões do FGTS destinados só para 2026, visando 1 milhão de novas moradias. Atualizações incluem a Faixa 4 para rendas de R$ 8.600,01 a R$ 12.000, tetos reajustados e subsídios ampliados.
- Faixa 1: até R$ 2.850 mensais, subsídio até R$ 65 mil no Norte.
- Contratações totais desde 2023: mais de 1,9 milhão de unidades.
- Meta 2026: 3 milhões contratadas, com entregas próximas a 2 milhões.
Esses números mostram avanços, mas líderes da CNBB reforçam que políticas habitacionais são deveres do Estado, não concessões. A mobilização deve priorizar orçamentos e agendas públicas.
Programação segue em Aparecida com símbolos impactantes
Após Brasília, a Campanha da Fraternidade 2026 continua no Santuário Nacional de Aparecida (SP). No sábado, 21 de fevereiro, às 19h30, ocorre a bênção da escultura “Cristo Sem Teto”, do artista canadense Timothy Schmalz.
A obra retrata Jesus como pessoa em situação de rua, apelando à solidariedade. A missa de abertura será no domingo, 22, presidida pelo cardeal Jaime Spengler, presidente da CNBB.
A Coleta Nacional da Solidariedade está marcada para 29 de março. A campanha inclui cartaz oficial que convida à conversão do olhar para Cristo nos sem-teto, ocupações e barracos.
Impactos e perspectivas futuras
A Campanha da Fraternidade importa por unir fé e ação social, pressionando por mudanças estruturais. Ela responde ao que aconteceu – lançamento em meio a déficits persistentes –, explica por que moradia é essencial e aponta impactos como dignidade e inclusão.
Praticamente, incentiva participação em políticas como o MCMV e iniciativas locais. Pode resultar em maior visibilidade para o tema, com parcerias entre Igreja, governo e sociedade.
A partir de agora, espera-se que a Quaresma impulsione debates e ações concretas. Com metas ambiciosas do governo e apelo eclesial, o Brasil avança rumo à redução do déficit, mas exige compromisso contínuo de todos.
Essa edição reforça o papel da Igreja na defesa de direitos humanos, promovendo uma sociedade mais fraterna e justa.