Influenciador Renato Cariani
(Imagem: Foto: Divulgação)
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) pediu a condenação do empresário e influenciador Renato Cariani por associação para o tráfico de drogas, tráfico de insumos destinados à fabricação de entorpecentes e lavagem de dinheiro. Segundo informações divulgadas pelo g1 nesta quarta-feira (28), a pena pode chegar a 51 anos e 8 meses de prisão, caso a Justiça acolha integralmente os pedidos da acusação.
Cariani responde ao processo em liberdade e ainda não foi condenado. O pedido do Ministério Público foi apresentado na fase de alegações finais, etapa em que as partes expõem suas conclusões após a produção das provas e antes da sentença judicial.
Além do influenciador, a promotoria também pediu a condenação de Fábio Spindola Mota e Rodrigo Gomes Pereira. Os três são acusados de participação em um esquema que, segundo as investigações, teria desviado produtos químicos utilizados na fabricação de drogas, como cocaína e crack.
Renato Cariani é alvo de pedido de condenação por três crimes
A acusação foi apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), vinculado ao Ministério Público paulista. De acordo com os promotores, o esquema investigado envolveria operações comerciais simuladas para justificar a saída de substâncias químicas da empresa Anidrol Produtos para Laboratórios, sediada em Diadema, na Grande São Paulo.
Segundo a denúncia, por 59 vezes teriam sido simuladas vendas de produtos para empresas que não haviam solicitado os insumos. A acusação sustenta que essas operações eram utilizadas para justificar os desvios.
O Ministério Público também aponta que Cariani teria autorizado retiradas de produtos fora do expediente e utilizado documentos que, segundo a investigação, apresentavam informações falsas. As alegações fazem parte do processo criminal e ainda serão submetidas à análise judicial.
Pena pode ultrapassar 51 anos, segundo cálculo citado no processo
De acordo com o advogado criminalista Anderson Almeida, ouvido pelo g1, a soma das penas consideradas pela acusação pode resultar em condenação de 16 anos e 4 meses a 51 anos e 8 meses de prisão para cada um dos três réus, além de multas.
O cálculo leva em consideração uma acusação de associação para o tráfico, 59 episódios de tráfico de insumos destinados à fabricação de drogas e 59 episódios de lavagem de dinheiro. A pena efetiva dependerá da avaliação da Justiça sobre os crimes atribuídos aos acusados, as provas reunidas e a aplicação das regras legais pertinentes.
O especialista também explicou que, embora a soma das penas possa superar esse período, o limite geral de cumprimento de pena privativa de liberdade previsto na legislação brasileira é de 40 anos.
A estimativa apresentada não representa uma condenação já estabelecida. A decisão caberá ao Judiciário após a manifestação das defesas e a análise do conjunto probatório.
Entenda a Operação Hinsberg
Renato Cariani foi um dos alvos da Operação Hinsberg, deflagrada pela Polícia Federal em dezembro de 2023 para investigar suspeitas de desvio de produtos químicos destinados à fabricação de entorpecentes.
As apurações tiveram início em 2019, depois que a farmacêutica AstraZeneca comunicou ao Ministério Público que não reconhecia determinadas movimentações de produtos registradas em notas fiscais emitidas pela Anidrol em 2017.
Segundo a investigação, os insumos teriam sido direcionados ao narcotráfico por meio de operações comerciais fraudulentas. A Polícia Federal indiciou Cariani em dezembro de 2023, e ele se tornou réu em fevereiro de 2024.
A promotoria também cita mensagens extraídas do celular do influenciador. Para os investigadores, as conversas indicariam conhecimento sobre a utilização de determinadas substâncias na preparação de drogas e sobre falhas no controle das retiradas de produtos da empresa.
Esses elementos integram a argumentação da acusação, cuja validade e alcance serão avaliados pela Justiça.
Ministério Público pede absolvição de outras investigadas
Apesar de pedir a condenação de Cariani, Fábio Spindola Mota e Rodrigo Gomes Pereira, o Gaeco solicitou a absolvição de Roseli Dorth, sócia do influenciador na Anidrol, e de Andréia Domingues Ferreira, também mencionadas durante as investigações.
Segundo o Ministério Público, Fábio teria atuado na intermediação do fornecimento dos produtos químicos. Rodrigo, por sua vez, é apontado pela acusação como responsável por movimentações financeiras que supostamente buscavam dar aparência legal a recursos ilícitos.
As defesas de Fábio e Rodrigo não haviam sido localizadas pelo g1 até a publicação da reportagem original.
O que diz a defesa de Renato Cariani
Em nota enviada ao g1, o advogado Aldo Romani Netto, responsável pela defesa do influenciador, afirmou que o pedido de condenação não foi uma surpresa e que a acusação mantém a posição defendida desde o início do processo.
A defesa declarou que pretende responder aos argumentos do Ministério Público na fase de alegações finais defensivas e sustenta que as provas produzidas durante a instrução demonstrariam a improcedência das acusações.
Os advogados também afirmaram confiar em um julgamento baseado na análise das provas e disseram ter convicção de que Cariani será absolvido.
O processo segue, portanto, sem sentença definitiva. Até que haja decisão judicial, Renato Cariani e os demais acusados devem ser tratados como réus, e as acusações permanecem sujeitas à apreciação do Judiciário.
Estudante iniciante de Jornalismo com graduando em Geografia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), possui mais de 15 anos de experiência na área comercial. Tem interesse em análise de dados, apuração de informa...
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