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Eleições

Flávio Bolsonaro se declara “verdadeiro presidente eleito do Brasil” em carta após viajar para os Estados Unidos

Senador contesta resultado das eleições, alega fraude eleitoral sem apresentar comprovação no comunicado e afirma que pretende liderar a oposição brasileira do exterior.

28 out 2026 - 17h51 Redação Portal Mais 360   atualizado às 18h01
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Flávio Bolsonaro se declara “verdadeiro presidente eleito do Brasil” em carta após viajar para os Estados Unidos Flavio Bolsonaro (Imagem: Foto: Youtube/ Canal Flavio Bolsonaro)

O senador Flávio Bolsonaro (PL) divulgou uma carta nesta quarta-feira (28), após chegar aos Estados Unidos, na qual se apresenta como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. No documento, o político contesta o resultado das eleições presidenciais de 2026, alega fraude eleitoral e afirma que pretende liderar a oposição ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a partir do território norte-americano.

Na carta, Flávio questiona decisões tomadas durante o processo eleitoral e critica ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele também agradece ao presidente argentino, Javier Milei, e ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pelo apoio mencionado no comunicado.

As declarações representam a posição do senador. O resultado oficial divulgado pela Justiça Eleitoral apontou a reeleição de Lula, com 64,2 milhões de votos no segundo turno, segundo os números citados na reportagem original do Metrópoles.

Flávio Bolsonaro alega fraude eleitoral e questiona horário de votação

Um dos principais argumentos apresentados pelo senador diz respeito à decisão que prorrogou o horário de votação em municípios brasileiros no segundo turno, realizado no domingo (25).

Flávio afirma que a medida teria provocado tratamento desigual entre eleitores e questiona a atuação das autoridades eleitorais. Na carta, também atribui ao ministro Cristiano Zanin, do STF, responsabilidade pela decisão.

Entretanto, a alegação de que a prorrogação teria permitido a Lula conquistar mais de 10 milhões de votos adicionais não é sustentada pelos dados citados na reportagem de origem. Segundo o levantamento mencionado pelo Metrópoles, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registrou cerca de 34 mil votos após as 17h.

As campanhas dos dois candidatos haviam acionado a Justiça Eleitoral para solicitar a extensão do horário de votação. A existência de questionamentos políticos sobre o processo não comprova, por si só, a ocorrência de fraude eleitoral.

Senador critica STF e afirma que liderará oposição dos EUA

No documento, Flávio Bolsonaro também acusa integrantes do Judiciário de promover perseguição política contra ele e seus aliados. O senador afirma que deixou o Brasil para proteger a própria família e continuar sua atuação política fora do país.

Ele nega ter fugido do território brasileiro e sustenta que pretende manter a mobilização de seus apoiadores. A carta também menciona o ex-presidente Jair Bolsonaro e apresenta críticas ao que o senador classifica como restrições à liberdade política e de expressão.

Flávio afirma ainda que pretende manter contato regular com os brasileiros e apresentar estratégias de mobilização da oposição. O texto não detalha, contudo, como essa atuação será organizada nem quais medidas concretas serão adotadas.

Carta menciona apoio de Trump e Milei

Ao longo do comunicado, Flávio agradece ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao presidente da Argentina, Javier Milei. O senador elogia os dois líderes e afirma ter recebido acolhimento em território norte-americano.

O documento também faz referências históricas a figuras políticas que atuaram fora de seus países e compara a própria situação à de lideranças que, segundo ele, enfrentaram perseguições políticas.

As comparações fazem parte da argumentação apresentada pelo senador e não constituem, por si mesmas, comprovação das acusações dirigidas às instituições brasileiras.

Leia a carta de Flávio Bolsonaro na íntegra

No documento, o senador contesta o resultado das eleições, apresenta acusações contra autoridades brasileiras e anuncia que pretende liderar a oposição a partir dos Estados Unidos.

A seguir, confira a íntegra da carta divulgada por Flávio Bolsonaro, conforme o texto reproduzido pelo Metrópoles:

Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil. Antes de mais nada, queria agradecer ao Presidente Milei, pela coragem, senso de justiça e legalidade, ao Presidente Trump e ao maravilhoso povo americano por me acolher. Essa é uma terra de liberdades e irmãos que comungam dos mesmos valores das boas pessoas do meu país. O Presidente Trump é um grande defensor da liberdade de expressão.

Na noite de domingo, vi estarrecido uma fraude eleitoral se concretizar diante dos meus olhos. A atuação ilegítima e ilegal do ex-advogado do Lula permitiu que uma impossibilidade matemática se concretizasse e Lula acrescentasse mais de 10 milhões de votos do primeiro para o segundo turno. Uma decisão do STF, tomada por cima da competência do TSE, estendeu a votação no apagar das luzes, e a ordem só chegou depois do fim do horário legal, quando as urnas já estavam encerradas. Eleitores ficaram submetidos a regras diferentes. Até agora, o TSE se limitou a defender a prorrogação do horário e não há sequer uma única resposta crível. E as nulidades não são o único problema.

Ao longo de toda a campanha, houve abuso de poder político, econômico e uso da máquina pública em favor da reeleição. São fatos graves, expressamente vedados por lei, que justificam a cassação da chapa Lula-Alckmin.

A resposta do regime ao meu questionamento veio rápida. Como num plano previamente elaborado, sete minutos após essa repugnante fraude eleitoral, o juiz, implicado em um imenso escândalo de corrupção, diretamente citado no inquérito que usou para tentar sequestrar meus passaportes, e que muito provavelmente estaria preso, se eles não tivessem impedido a minha posse, pôs em andamento a máquina de perseguição política do regime. Sendo impedido de origem e completamente suspeito para iniciar qualquer procedimento judicial contra mim, a sua mera participação em atos processuais mostra o tamanho da arbitrariedade e ilegalidade em andamento.

Não era minha intenção deixar minha pátria, mas eu sei exatamente onde isso vai dar. Isso é o manual clássico de qualquer golpe de Estado. A perseguição política que começou com meu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e se espalhou para milhares de outros brasileiros patriotas comuns e até mesmo cidadãos americanos, tem um único objetivo: silenciar qualquer pessoa que não concorde com o regime de exceção instaurado no Brasil, através de uma Suprema Corte aparelhada pela organização criminosa petista.

Para deixar claro, não existe nenhum mandado de prisão contra mim, porque eu não cometi nenhum crime. O que existe é uma caça às bruxas politicamente motivada, que visava me colocar como refém e objeto de chantagem para proteger os juízes corruptos da Suprema Corte do impeachment. Eis o roteiro da perseguição: apreensão de passaporte, tornozeleira eletrônica, censura, prisão domiciliar, julgamento de fachada e, finalmente, condenação política.

Não vou submeter minha família a isso e meu país não merece passar novamente por este vexame internacional. Diante da instrumentalização política da Justiça no Brasil, trouxe minha família para os Estados Unidos, onde estamos em segurança. Agradeço, mais uma vez, ao Presidente Trump e ao governo americano por nos acolherem e nos darem a segurança jurídica que não temos mais no Brasil.

Quero deixar claro: não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece, pois calado, preso e censurado, como meu pai está, eu não poderia ser essa liderança e seríamos entregues ao teatro institucional de uma oposição castrada e controlada pela Suprema Corte repleta de serviçais do regime.

Não sou o primeiro a ter que lutar pelo próprio país longe dele. Rui Barbosa foi para o exílio por enfrentar o arbítrio de Floriano Peixoto e de lá seguiu defendendo a lei e a liberdade. Charles de Gaulle liderou a França Livre a partir de Londres, condenado à morte pelo regime de Vichy, e voltou para libertar o seu país. José Martí organizou a luta pela independência de Cuba a partir de Nova York. Na Venezuela, Juan Guaidó e Edmundo González tiveram que deixar o país por enfrentar a ditadura chavista, e María Corina Machado, mesmo perseguida, se recusou a legitimar a fraude e se tornou um símbolo mundial da resistência democrática. Todos eles foram tratados como criminosos pelos regimes que enfrentavam. A história os chamou de outra coisa.

Este é apenas o começo da nossa luta pela democracia, pelos direitos humanos e pela liberdade no Brasil. Quero dizer, não só para os meus 60 milhões de eleitores, mas para o povo brasileiro, que eu sou o presidente eleito e os criminosos que roubaram a eleição do Brasil são parte de uma organização criminosa que implementou uma tirania. Vocês que almejavam a mudança, e eu não vou abandoná-los, eu serei a voz e a liderança livre da nossa nação.

Às instituições brasileiras, faço um apelo: essa sandice precisa acabar. O Brasil vive hoje um caos jurídico, de corrupção e de perseguição política, em que a oposição tem medo de falar e a família de um ex-presidente é tratada como inimiga do Estado. Nenhuma nação consegue viver em paz ou prosperar assim. Ainda há tempo de restabelecer o equilíbrio entre os Poderes e devolver aos brasileiros a confiança que perderam.

À comunidade internacional, peço: não normalizem o que está acontecendo no Brasil. O que acontece hoje no meu país não é normal e não pode ser tratado como normal.

Aos senadores, deputados e governadores que ajudei a eleger, e em especial ao meu candidato à presidência do Senado, Rogério Marinho: sei que hoje vocês não têm a liberdade necessária para o pleno exercício da atividade política. Por isso, liderarei a oposição daqui. Direi o que vocês, aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês não podem correr.

E a você, que votou em mim e sonha com a mudança: não estamos derrotados e não estamos sozinhos. Este é apenas o começo da nossa luta pela democracia, pelos direitos humanos e pela liberdade no Brasil. Nos próximos dias, vou me dirigir regularmente ao povo brasileiro, e apresentaremos uma estratégia para mobilizar a oposição e o imenso apoio popular que temos, por todos os meios pacíficos e legítimos, para impedir que Lula consolide um regime ditatorial no Brasil. Peço a cada um que permaneça firme e jamais desista.

Saí do Brasil, mas não abandonei os brasileiros. Esta luta não terminou no dia 25 de outubro. Ela só termina quando o Brasil voltar a ser um país livre. E esse dia vai chegar.

Redação Portal Mais 360
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