Campanha do Unicef em parceria com o TSE busca ampliar a representatividade jovem nas urnas para as eleições de 2026.
(Imagem: gerado por IA)
Atualmente, apenas dois em cada dez adolescentes brasileiros entre 16 e 17 anos possuem o título de eleitor. O dado, que revela um distanciamento preocupante da juventude em relação às urnas, motivou o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) a lançar uma mobilização nacional para reverter esse cenário antes das eleições de 2026. O impacto dessa baixa adesão é imediato: sem o documento, a voz de milhões de jovens permanece ausente das decisões que moldam o futuro do país.
O foco da campanha são os cerca de 5,8 milhões de jovens nessa faixa etária que, embora não tenham a obrigação legal de votar, possuem o direito de escolher seus representantes. A regra também se estende aos adolescentes de 15 anos que completarão 16 até o primeiro turno das eleições, em 4 de outubro de 2026. Na prática, a ausência do voto juvenil significa que demandas específicas dessa geração, como educação de qualidade, primeiro emprego e sustentabilidade, correm o risco de ser ignoradas no debate político principal.
E é aqui que mora o ponto central da iniciativa: a participação como ferramenta de poder. Para o Unicef, garantir que esse público esteja apto a votar é o primeiro passo para que as políticas públicas passem a refletir as reais necessidades de quem está começando a vida adulta agora.
O que muda na prática com a mobilização
Para atrair esse público, o Unicef não está apostando apenas em discursos institucionais. Em parceria com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a agência lançará uma gincana digital durante o mês de abril. A ideia é usar a capilaridade dos Núcleos de Cidadania do Adolescente (NUCAs), presentes em mais de 2.300 municípios, para que os próprios jovens convençam seus pares a tirar o título de eleitor.
"Tirar o título é o primeiro passo para garantir que as demandas de adolescentes sejam consideradas nas eleições", afirma Gabriela Mora, especialista em Desenvolvimento e Participação de Adolescente do Unicef. Segundo ela, a estratégia de mobilização horizontal é a mais eficaz, pois ninguém melhor do que o próprio jovem para traduzir a importância do voto em uma linguagem acessível e engajadora.
A análise regional dos dados do TSE de fevereiro de 2026 mostra um contraste interessante: estados como Rondônia, Tocantins e Piauí lideram o engajamento, com mais de 35% dos jovens aptos já cadastrados. No outro extremo, centros urbanos e políticos como São Paulo, Rio de Janeiro e o Distrito Federal apresentam os menores percentuais de participação juvenil, evidenciando onde o esforço de conscientização precisa ser mais intenso.
Por que isso importa agora
O tempo é um fator determinante para quem deseja participar do processo democrático. O prazo final para tirar ou regularizar o título de eleitor termina no dia 6 de maio. Após essa data, o cadastro eleitoral é fechado para a organização do pleito, impedindo novas inscrições até a conclusão das eleições.
Embora o voto seja facultativo para menores de 18 anos, a participação precoce é vista por especialistas como fundamental para a construção de um comportamento cívico duradouro. O impacto vai além do dia da votação; trata-se de ocupar espaços e assegurar que a juventude não seja apenas espectadora de decisões que afetarão as próximas décadas de sua vida.
Com a proximidade do fechamento do cadastro, a expectativa é que o uso de micro-influenciadores e a gamificação através das gincanas consigam elevar significativamente o número de novos eleitores. No fim das contas, a mobilização do Unicef reforça que a democracia só é plena quando todos os segmentos da sociedade, especialmente os que representam o futuro, estão devidamente representados nas urnas.