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Política

Senado pressiona Meta em CPI do Crime Organizado por lucros com anúncios fraudulentos na internet

25 fev 2026 - 08h37 Joice Gomes   atualizado às 08h39
Senado pressiona Meta em CPI do Crime Organizado por lucros com anúncios fraudulentos na internet Na CPI do Crime Organizado, senadores cobram da Meta explicações sobre US$ 16 bilhões em lucros com anúncios de fraudes em 2024. (Imagem: Marcello Casal jr/Agência Brasil)

A CPI do Crime Organizado do Senado Federal realizou audiência na terça-feira (24) para confrontar a Meta, dona do WhatsApp, Facebook e Instagram, sobre os ganhos milionários obtidos com atividades criminosas no ambiente digital.

O relator Alessandro Vieira (MDB-SE) apresentou documentos vazados que apontam para um faturamento de aproximadamente US$ 16 bilhões em 2024 com anúncios fraudulentos Meta, o que representaria cerca de 10% do total de receitas da bigtech americana provenientes de plataformas sociais.

Esses valores englobam propagandas de esquemas de pirâmide, falsos investimentos, produtos falsificados e cassinos online ilegais, configurando um fluxo financeiro que, segundo parlamentares, alimenta o crime organizado transnacional.

Questionamentos sobre políticas internas

A Meta foi representada por Yana Dumaresq Sobral Alves, diretora de políticas econômicas para a América Latina, substituindo o diretor-geral no Brasil, Conrado Leister. Ela defendeu que a empresa bloqueou milhões de anúncios suspeitos em 2025 e desativou contas ligadas a fraudes coordenadas.

Contudo, os senadores cobraram dados precisos sobre o Brasil, onde 56 milhões de pessoas sofrem golpes digitais por ano, gerando prejuízos superiores a R$ 50 bilhões, conforme o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Vieira destacou a criptografia de ponta a ponta como entrave para investigações policiais.

A anúncios fraudulentos Meta persistem apesar de alertas internos revelados pela Reuters em dezembro de 2025, nos quais executivos admitiam lucros elevados com conteúdos de alto risco, priorizando receitas sobre regulações mais rígidas.

  • A empresa removeu 134 milhões de anúncios fraudulentos globalmente no último ano.
  • Quase 12 milhões de contas criminosas foram identificadas e eliminadas.
  • Documentos indicam 15 bilhões de anúncios diários de risco em 2024.

Escala dos crimes cibernéticos

Relatórios jornalísticos baseados em vazamentos internos mostram que a Meta considerava multas regulatórias de até US$ 1 bilhão como custo aceitável frente aos ganhos bilionários. No Brasil, isso se reflete na migração de facções criminosas para o online, lavando dinheiro via e-commerce falso e recrutamento em chats privados.

O senador questionou a efetividade das ferramentas de IA para detectar exploração sexual infantil, citando estudos que apontam o Facebook em 65% dos casos de aliciamento reportados em 2020. A representante evitou compromissos específicos sobre adaptações na criptografia para autoridades.

Os impactos vão além das finanças: usuários vulneráveis, especialmente idosos e classes baixas, arcam com perdas irreparáveis, enquanto o Estado enfrenta desafios para rastrear transações internacionais facilitadas pelas plataformas.

  • Prejuízos anuais no Brasil: mais de R$ 50 bilhões com 56 milhões de vítimas.
  • Meta planejava corte de 50% em fraudes em mercados selecionados para 2025.
  • Investigações na UE miram IA geradora de conteúdos sexualizados em redes sociais.

Demanda por accountability e mudanças

Senadores como Alessandro Vieira anunciaram a reconvocação do diretor-geral da Meta para sessão futura, exigindo transparência total em algoritmos de recomendação e métricas nacionais de remoção de conteúdo. A companhia prometeu maior colaboração, mas críticos veem lentidão em ações concretas.

Isso importa porque expõe falhas sistêmicas nas bigtechs, que operam como infraestrutura crítica sem regulação equivalente, permitindo que crimes evoluam de ruas para telas. No contexto brasileiro, agrava infiltrações em instituições e expansão de cartéis digitais.

Olhando adiante, a anúncios fraudulentos Meta pode catalisar legislação nacional, inspirada em modelos europeus, impondo obrigações de relatórios trimestrais e fundos de reparação a vítimas. Especialistas defendem equilíbrio entre privacidade e segurança pública.

A CPI prossegue com oitivas, incluindo bancos e fintechs, para mapear o ecossistema do crime online. Sem intervenções, projeções indicam crescimento exponencial de fraudes com IA, demandando coordenação global entre governos e techs.

  • Reconvocação iminente do executivo-chefe da Meta no Brasil.
  • Debate sobre exceções à criptografia em investigações criminais.
  • Possível PL para transparência obrigatória em receitas de anúncios.
  • Meta reforça equipes dedicadas à proteção de menores online.

O episódio reforça o debate ético: empresas que lucram bilhões não podem se eximir de responsabilidades sociais. Parlamentares buscam precedentes para responsabilizar plataformas por danos indiretos, promovendo um internet mais seguro sem sacrificar a inovação.

Enquanto isso, usuários são orientados a verificar fontes de anúncios e reportar suspeitas, mas a raiz do problema reside na governança das bigtechs, pressionadas agora por um Senado atuante em defesa da sociedade digital brasileira.

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