0:00 Ouça a Rádio
Qua, 22 de Abril
Busca
0:00 Ouça a Rádio
Trabalho forçado

Promulgação do Protocolo da OIT reforça combate ao trabalho forçado no Brasil

25 fev 2026 - 09h04 Joice Gomes   atualizado às 09h06
Promulgação do Protocolo da OIT reforça combate ao trabalho forçado no Brasil O Decreto nº 12.857 insere no ordenamento brasileiro o Protocolo de 2014 da OIT à Convenção 29, fortalecendo ações contra o trabalho forçado com medidas práticas e internacionais. (Imagem: Ministério Público do Trabalho - Divulgação)

O Brasil deu mais um passo decisivo no enfrentamento ao trabalho forçado com a promulgação do Protocolo da OIT contra trabalho forçado. O Decreto nº 12.857, publicado nesta quarta-feira (25) no Diário Oficial da União, incorpora ao direito nacional o Protocolo de 2014 à Convenção nº 29 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Essa medida atualiza compromissos assumidos desde 1957 e foca em realidades contemporâneas, como escravidão moderna em cadeias produtivas e vulnerabilidade de trabalhadores migrantes. A ação presidencial finaliza processo legislativo iniciado em 2023.

Origem e alcance do protocolo

Aprovado em 2014 durante a 103ª Conferência Internacional do Trabalho, o Protocolo da OIT contra trabalho forçado complementa a Convenção 29, que define a prática como todo trabalho ou serviço exigido sob ameaça de punição e sem consentimento voluntário. O novo texto aborda evoluções como tráfico humano e servidão por dívidas.

Ele impõe obrigações claras aos países ratificantes: prevenir a exploração por meio de educação e informação, proteger vítimas com acesso a serviços essenciais e punir responsáveis com rigor. Mais de 60 nações já aderiram, sob monitoramento da OIT.

  • Prevenção via conscientização de empregadores e trabalhadores em risco;
  • Proteção integral, incluindo saúde, moradia e assistência jurídica;
  • Fiscalização reforçada e sanções efetivas contra exploradores.

Tramitação legislativa no país

O processo teve início em maio de 2023, com mensagem presidencial ao Congresso. Após aprovação na Câmara e no Senado em junho de 2025, via Projeto de Decreto Legislativo 323/2023, veio a ratificação em julho e, agora, a promulgação pelo Executivo.

O Ministério do Trabalho e Emprego vê na adesão um reforço às estratégias nacionais. Autoridades destacam integração com órgãos como Auditoria Fiscal do Trabalho, Ministério Público do Trabalho e forças policiais.

A norma alinha o Brasil a padrões globais, beneficiando exportações e investimentos que exigem conformidade com direitos laborais internacionais.

Obrigações impostas aos Estados

O Protocolo da OIT contra trabalho forçado detalha ações prioritárias. Países devem combater recrutamento enganoso, especialmente de migrantes, e implementar diligência devida em cadeias de suprimentos para excluir práticas abusivas.

Destaca-se a proteção especial a grupos vulneráveis, como mulheres, indígenas e jovens. O texto também promove remédios legais para vítimas, independentemente de nacionalidade ou regularidade migratória.

  • Educação laboral para reduzir vulnerabilidades socioeconômicas;
  • Monitoramento de setores de alto risco, como agropecuária e construção;
  • Cooperação internacional contra redes transnacionais de tráfico.

Contexto brasileiro atual

O país enfrenta persistência da escravidão contemporânea apesar de avanços. Em 2023, fiscalizações resgataram 3.190 pessoas em situações degradantes, recorde em 14 anos, com R$ 12,87 milhões em direitos pagos.

Dados da OIT apontam lucros globais de US$ 236 bilhões anuais com o trabalho forçado, fenômeno que cresceu 37% na última década. No Brasil, mais de 631 mil resgates ocorreram desde 1995, segundo observatórios especializados.

Setores como pecuária, cana-de-açúcar e textil concentram casos, muitas vezes envolvendo migração interna e início precoce na força de trabalho.

Efeitos imediatos na legislação

Com a promulgação, o Protocolo da OIT contra trabalho forçado ganha força normativa, podendo embasar julgados judiciais e orientar políticas públicas. Inspetores terão suporte para ações mais assertivas em propriedades rurais e urbanas.

Empresas precisarão auditar fornecedores, sob risco de multas e inclusão em listas sujas. O Judiciário, via iniciativas como o Programa de Enfrentamento ao Trabalho Escravo do TST, alinhará decisões às novas diretrizes.

Vítimas ganham prioridade em programas de reinserção, com acesso facilitado a benefícios previdenciários e formação profissional.

Perspectivas de implementação

Os próximos passos envolvem capacitação de fiscais e articulação interfederativa. Orçamentos federais paraGrupos Móveis de Erradicação do Trabalho Escravo devem ampliar alcance geográfico.

Tecnologias como drones e análise de dados prometem otimizar operações em áreas extensas. Campanhas nacionais educarão sobre direitos, visando desmantelar redes criminosas.

A OIT avaliará cumprimento via relatórios regulares, podendo recomendar ajustes. O Brasil, pioneiro em fiscalizações, posiciona-se como líder regional no tema.

Além disso, a medida fortalece imagem internacional, essencial para acordos comerciais que priorizam direitos humanos. Setores exportadores, como carne e soja, demandam certificações livres de trabalho forçado.

Legado para direitos humanos

O Protocolo da OIT contra trabalho forçado transcende o Direito do Trabalho, tocando Constituição Federal ao reafirmar proibição absoluta à escravidão. Integra-se a tratados como Pacto de San José da Costa Rica.

Sociedade civil, via ONGs e sindicatos, monitorará execução, cobrando transparência. Redução de casos depende de crescimento econômico inclusivo e combate à desigualdade.

Em um mundo com 50 milhões em trabalho forçado, segundo estimativas recentes, o Brasil contribui para agenda global 8.7 da ONU, rumo à erradicação até 2030.

Essa promulgação sinaliza compromisso renovado com dignidade humana no trabalho. Sua materialização prática definirá se o texto vira ferramenta efetiva ou mera formalidade legal.

Mais notícias
Cármen Lúcia vota para condenar Eduardo Bolsonaro por difamação
Judicial Cármen Lúcia vota para condenar Eduardo Bolsonaro por difamação
Lula chama conflito no Oriente Médio de guerra da insensatez
Diplomático Lula chama conflito no Oriente Médio de guerra da insensatez
Lula e Merz criticam guerra no Oriente Médio e tensão sobre Cuba
Diplomático Lula e Merz criticam guerra no Oriente Médio e tensão sobre Cuba
Lei em vigor pode cancelar Bolsa Família de milhares no Brasil
Social Lei em vigor pode cancelar Bolsa Família de milhares no Brasil
Tribunal derruba lei sobre sacolas plásticas e reacende debate
Ambiental Tribunal derruba lei sobre sacolas plásticas e reacende debate
Alckmin comemora alta de 32,9% na venda de carros populares
Positivo Alckmin comemora alta de 32,9% na venda de carros populares
Lula chega à Alemanha para abertura da maior feira industrial do mundo
Estratégico Lula chega à Alemanha para abertura da maior feira industrial do mundo
AGU aperta o cerco contra fake news e uso da máquina pública nas eleições 2026
Fake news AGU aperta o cerco contra fake news e uso da máquina pública nas eleições 2026
Escola pública vira cenário de embate ideológico em SP após gravação da Brasil Paralelo
Ideologia Escola pública vira cenário de embate ideológico em SP após gravação da Brasil Paralelo
Lula discursa para milhares na Espanha e cobra coerência da esquerda
Político Lula discursa para milhares na Espanha e cobra coerência da esquerda
Mais Lidas
Bethania Nascimento: a bailarina brasileira que desafiou o racismo e conquistou Nova York
Bailarina Bethania Nascimento: a bailarina brasileira que desafiou o racismo e conquistou Nova York
Peças de carro baratas: o perigo invisível que pode custar caro e causar acidentes
Manutenção preventiva Peças de carro baratas: o perigo invisível que pode custar caro e causar acidentes
Juros da casa própria: por que a queda da Selic ainda não chegou ao financiamento da Caixa
Financiamento Caixa Juros da casa própria: por que a queda da Selic ainda não chegou ao financiamento da Caixa
Novas regras do seguro-defeso: o que muda para 1,5 milhão de pescadores
Seguro-defeso Novas regras do seguro-defeso: o que muda para 1,5 milhão de pescadores