Reunião do Conselho Arbitral definiu criação do PARF-B e mudanças no formato da Série B
(Imagem: Rafael Ribeiro / CBF)
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) anunciou, nesta quinta-feira (5), durante a reunião do Conselho Arbitral da Série B, a criação do Programa de Apoio à Reestruturação Financeira de Clubes da Série B (PARF-B). A iniciativa tem como objetivo reforçar a sustentabilidade econômica da competição e incentivar práticas de gestão responsável entre os clubes participantes.
Além do novo programa financeiro, a reunião também definiu mudanças importantes no formato da disputa, incluindo a criação de playoffs entre os clubes que terminarem a Série B entre a 3ª e a 6ª colocação, valendo duas vagas de acesso à Série A.
Apoio financeiro condicionado à boa gestão
Por meio do PARF-B, a CBF manterá o custeio integral das despesas de logística, como transporte e hospedagem, além de exames antidoping e taxas de arbitragem. No entanto, a partir desta temporada, esses benefícios passam a estar condicionados ao cumprimento de critérios previstos no Sistema de Sustentabilidade Financeira (SSF), espécie de Fair Play Financeiro criado pela entidade.
A proposta exige maior transparência, controle fiscal e responsabilidade administrativa como contrapartida ao apoio financeiro oferecido pela confederação.
Para o presidente da CBF, Samir Xaud, a decisão representa um passo importante na reconstrução e valorização da Série B.
“Estamos trabalhando para recuperar um produto que estava desvalorizado. A CBF segue apoiando financeiramente os clubes, mas agora dentro de um modelo que exige controle e responsabilidade na gestão”, afirmou.
O vice-presidente da entidade, Gustavo Henrique Dias, destacou que a medida demonstra compromisso com o futuro da competição.
“Queremos corrigir erros do passado e construir um caminho sustentável para uma competição muito disputada e que desperta grande interesse do público”, disse.
Repercussão positiva entre os clubes
Entre os representantes dos clubes, a avaliação geral foi de renovação do campeonato. Guilherme Bellintani, controlador da SAF do Londrina, ressaltou que a combinação entre mudanças esportivas e exigência de responsabilidade fiscal tende a fortalecer a Série B.
“A inclusão dos playoffs mantém a disputa pelo acesso viva até o fim, o que valoriza o torneio. E, do ponto de vista financeiro, é um movimento inédito da CBF ao atrelar apoio à adoção de regras de Fair Play”, avaliou.
Clubes como Náutico e São Bernardo, que já mantinham acordos comerciais diretos com a CBF, também elogiaram o novo modelo. Para o presidente do Náutico, Bruno Becker, a decisão ajuda a equilibrar a competição.
“A CBF encontrou uma solução inteligente que preserva o apoio aos clubes, mas reforça a responsabilidade dos gestores”, afirmou.
Novo formato de disputa com playoffs
Outra grande novidade definida no Conselho Arbitral foi a alteração no formato da Série B. Após as 38 rodadas do sistema de pontos corridos, os clubes que terminarem entre a 3ª e a 6ª colocação disputarão playoffs, em jogos de ida e volta, para definir as duas últimas vagas de acesso.
O 3º colocado enfrentará o 6º, enquanto o 4º jogará contra o 5º. Os vencedores se juntarão aos dois primeiros colocados na subida à Série A de 2027.
Segundo Julio Avellar, diretor de competições da CBF, a mudança busca aumentar a atratividade e o valor comercial da Série B.
“A ideia é tornar a competição ainda mais emocionante e valorizada, mantendo o interesse até o fim”, explicou.
Ajustes no calendário e critérios de fiscalização
Os clubes também aprovaram alterações no calendário da competição, que passará a ter jogos durante o período da Copa do Mundo, evitando longas pausas. A expectativa é melhorar o espaçamento das partidas, a recuperação dos atletas e a logística dos clubes.
O PARF-B prevê ainda critérios rigorosos de monitoramento. A permanência no programa dependerá do cumprimento de indicadores de solvência, transparência e modernização da gestão, que serão detalhados em regulamento próprio a ser divulgado até o fim de fevereiro.
A fiscalização ficará sob responsabilidade da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF), órgão independente criado pela CBF para acompanhar a aplicação do Fair Play Financeiro.
Regras de permanência
A adesão ao PARF-B é opcional, mas o acompanhamento será contínuo. Caso um clube descumpra os critérios estabelecidos, poderá ser excluído do programa e perder imediatamente o subsídio financeiro, passando a arcar sozinho com despesas de logística e arbitragem até o fim da competição.