Olimpíada de Inverno 2026 em Milão-Cortina superou o orçamento previsto e lidou com atrasos em instalações chave, segundo o CEO Andrea Varnier.
(Imagem: Reprodução/gerado por IA)
A Olimpíada de Inverno 2026 chega ao fim dos preparativos sob fortes críticas financeiras. Andrea Varnier, presidente-executivo do comitê organizador, confessou que os custos superaram em muito as projeções originais.
Em documento oficial enviado ao Comitê Olímpico Internacional (COI), ele expôs uma realidade de pressão constante nos últimos anos.
A cerimônia de abertura está marcada para esta sexta-feira (6), mas algumas arenas ainda recebem retoques de última hora.
Explosão nos custos totais
O planejamento inicial da Olimpíada de Inverno 2026 previa gastos de US$ 1,3 bilhão, cerca de R$ 6,7 bilhões. O valor final, porém, alcançou US$ 1,7 bilhão, equivalente a R$ 8,8 bilhões na cotação atual.
Infraestruturas públicas adicionais custaram mais US$ 3,5 bilhões (R$ 18,2 bilhões), sobrecarregando as finanças italianas em um momento delicado.
Varnier descreveu a trajetória como "extremamente difícil financeiramente", com negociações intensas para equilibrar as contas.
Obras sob pressão máxima
Os prazos foram "quase impossíveis" de cumprir, conforme o dirigente. A proposta original apostava em instalações existentes ou provisórias, mas alterações tardias forçaram construções do zero.
A nova pista de salto em Cortina d'Ampezzo, avaliada em 118 milhões de euros (US$ 131 milhões), virou símbolo das controvérsias e poderia ter sido evitada com uso de estruturas vizinhas.
O estádio Santagiulia, em Milão, passou por testes em janeiro, mas segue com ajustes em gelo e acabamentos, levantando alertas da NHL.
- Santagiulia Arena: reduzida para 11.800 lugares, funcional mas aquém do planejado.
- Pista de Cortina: alvo de críticas do COI por custo e necessidade.
- Instalações gerais: elevadores e banheiros ainda em fase plástica em pontos chave.
Lições duras e otimismo cauteloso
"Tudo tem sido mais desafiador do que imaginávamos", afirmou Varnier no relatório. Ele reconhece limitações, mas celebra a entrega sob emergência.
A Olimpíada de Inverno 2026 será a terceira na Itália, repetindo Cortina 1956 e Turim 2006, com recorde de 118 provas em disputa.
De 6 a 22 de fevereiro, 3 mil atletas de 80 países competem em modalidades de neve e gelo por 12 sedes alpinas.
A IIHF garante superfícies prontas, priorizando atletas, enquanto a NHL retorna após 12 anos com astros como McDavid sob inspeções rigorosas.
Legado econômico em debate
Megaeventos como este repetem padrões de estouro orçamentário. Paris 2024 inspirou melhorias em logística e vila olímpica para Milão-Cortina.
As obras aquecem o turismo local, mas questionam sustentabilidade e retorno aos cofres públicos italianos.
Varnier cita a pandemia como fator extra de atraso e destaca parcerias recentes que salvam o caixa nos momentos finais.
Vendas de ingressos corporativos avançam, com acessibilidade em foco para lotar arenas e gerar receita.
A Olimpíada de Inverno 2026 testa a resiliência italiana, provando que, apesar dos excessos, o olimpismo segue vivo nos Alpes.
Brasil entra na briga com nomes como Jaqueline Mourão no cross-country, prometendo surpresas na neve.
Duas semanas de adrenalina esperam espectadores, com saltos radicais, descidas vertiginosas e duelos no gelo.
Os olhos do mundo se voltam para a Itália, onde o desafio agora é brilhar dentro das linhas, longe das planilhas.