Bad Bunny transformou o Super Bowl LX em festa multicultural pró-imigrantes, com bandeiras latinas e convidados como Lady Gaga.
(Imagem: Reprodução/Carlos Barria/Agência Brasil)
O Super Bowl LX realizado neste domingo (8) no Levi’s Stadium, na Califórnia, uniu esporte de alto nível e celebração cultural em uma noite memorável. Seattle Seahawks superou New England Patriots por 29 a 13, conquistando o segundo título da franquia, mas o destaque ficou para o intervalo com Bad Bunny promovendo união latina.
A abertura musical veio com Green Day interpretando sucessos críticos ao establishment, preparando o terreno para um evento carregado de simbolismos. Milhões de espectadores ao redor do mundo testemunharam essa fusão de entretenimento e mensagens sociais em um dos maiores palcos globais.
Vitória histórica dos Seahawks
Os Seahawks dominaram a partida com uma defesa implacável, forçando erros cruciais dos Patriots e controlando o relógio. Kenneth Walker brilhou como MVP, combinando corridas explosivas e recepções decisivas para pavimentar o caminho ao triunfo.
Essa conquista representa redenção para Seattle, que enfrentou anos de reestruturação após a derrota traumática no Super Bowl XLIX. A NFC Oeste ganha força com o bicampeonato, prometendo temporadas ainda mais disputadas pela conferência.
- Defesa registrou sete sacks e interceptações oportunas contra o quarterback adversário.
- Kenneth Walker somou mais de 150 jardas totais e foi eleito o melhor em campo.
- Placar final consolidou supremacia de Seattle no Levi’s Stadium lotado.
Show de intervalo com Bad Bunny
Bad Bunny transformou os 13 minutos do intervalo em uma declaração cultural, cantando exclusivamente em espanhol e recriando cenários típicos latinos como campos de cana. Lady Gaga surpreendeu ao entoar Die With a Smile em versão tropical, enquanto Ricky Martin reviveu Lo Que Le Pasó a Hawaii com energia contagiante.
O clímax veio com dançarinos exibindo bandeiras de nações das Américas, do México à Argentina, passando por Porto Rico e Brasil. O cantor encerrou gritando “Juntos somos a América Latina” e “Aqui estamos e continuaremos”, ecoando o orgulho imigrante em pleno território americano.
A escalação de Bad Bunny para o Super Bowl LX, anunciada em 2025, já dividia opiniões, mas o impacto visual e sonoro superou expectativas, consolidando-o como ícone global.
- Performance incluiu cenários autênticos da cultura caribenha e latina.
- Participações especiais elevaram o espetáculo a nível internacional.
- Mensagem final reforçou presença e legado dos latinos nos EUA.
Resposta imediata de Donald Trump
Pouco após o fim do show, o presidente Donald Trump reagiu no Truth Social, qualificando a apresentação como “desastre total” e “insulto aos valores americanos”. Ele questionou a escolha da NFL, alegando incompatibilidade cultural e linguística com o público majoritário.
Essa crítica ecoa posicionamentos anteriores de Trump contra Bad Bunny, desde outubro de 2025, quando chamou a decisão de “ridícula”. O episódio reacende discussões sobre imigração no segundo mandato presidencial, com políticas de deportação em vigor.
O Super Bowl mais uma vez se revela espelho das divisões sociais americanas, onde celebrações de diversidade colidem com visões nacionalistas tradicionais.
- Trump chamou dança de “bizarra” e língua de “ininteligível” para americanos.
- Defesa da NFL como instituição “patriótica” em meio à polêmica.
- Contexto político amplia alcance do debate para além do esporte.
Legado cultural do evento
O Super Bowl LX entra para história como marco de inclusão, com Bad Bunny alcançando novos públicos e validando a música latina em escala massiva. Comunidades imigrantes veem no show reconhecimento de suas contribuições econômicas e criativas aos EUA.
Esportivamente, os Seahawks inspiram uma nova geração na costa Oeste, onde a diversidade demográfica impulsiona o interesse pelo futebol americano. A audiência global superior a 120 milhões reforça o evento como fenômeno midiático incomparável.
À frente, a NFL pode enfrentar pressões para equilibrar entretenimento comercial e mensagens ativistas. Futuras edições provavelmente manterão a fórmula de astros internacionais, ampliando o apelo multicultural do campeonato.
Essa edição demonstra a evolução do Super Bowl de mera final esportiva para plataforma de diálogos globais. A interação entre campo, palco e política garante relevância contínua em um mundo interconectado e polarizado.