Novo limite de financiamento facilita a renovação de frota de taxistas e motoristas de aplicativo em todo o país.
(Imagem: gerado por IA)
Quem trabalha nas ruas transportando passageiros ganhou um fôlego extra para renovar a ferramenta de trabalho. O financiamento para motoristas de aplicativo e taxistas pelo programa Move Brasil ficou muito mais robusto após uma decisão crucial do governo federal.
Em reunião extraordinária realizada nesta quinta-feira (27), o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou o aumento do limite do valor dos veículos financiáveis de R$ 150 mil para R$ 200 mil. A medida atende a uma demanda antiga da categoria, que enfrentava dificuldades com a recente alta nos preços dos carros zero-quilômetro.
Na prática, isso muda mais do que parece. Além de permitir a aquisição de automóveis mais caros e modernos, a nova regulamentação esticou o prazo máximo de reembolso, que saltou de 72 para até 84 meses.
O que muda na prática para o trabalhador
O principal objetivo de estender o prazo de pagamento para sete anos é diluir o impacto financeiro no bolso do motorista. Com o teto de compra mais alto, as parcelas poderiam facilmente sufocar o orçamento mensal de quem vive exclusivamente do volante.
Ao diluir o financiamento para motoristas de aplicativo por mais 12 meses, as instituições financeiras conseguem oferecer prestações mais suaves. No entanto, o trabalhador deve ficar atento: prazos mais longos costumam elevar o custo total da operação devido aos juros acumulados ao longo do tempo.
Mas o impacto vai além do bolso imediato. A mudança era aguardada desde que os ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços sinalizaram a necessidade de alinhar as regras do programa à realidade inflacionária do país.
Mais modelos de carros entram no radar dos motoristas
Com o novo limite de R$ 200 mil, o leque de opções de veículos disponíveis disparou de forma expressiva. Antes, o antigo teto de R$ 150 mil restringia a escolha a apenas 63% dos modelos novos comercializados no mercado brasileiro.
De acordo com estimativas oficiais baseadas em emplacamentos recentes, a nova faixa de preço traz cerca de 486 mil novos carros para dentro do programa. Isso significa que cerca de 88% do mercado nacional de automóveis novos passa a ser elegível para a categoria de transporte.
E é aqui que está o ponto central: os profissionais agora podem escolher modelos com melhor eficiência energética, maior espaço interno e sistemas de segurança avançados, itens considerados fundamentais para quem passa mais de oito horas diárias enfrentando os desafios do trânsito urbano.
Quem tem direito e como funciona o Move Brasil
O acesso ao Move Brasil é voltado exclusivamente para taxistas autônomos, motoristas de aplicativos de transporte regulamentados e também cooperativas de táxi. Vale lembrar que os veículos adquiridos precisam ser obrigatoriamente novos e voltados à atividade de transporte de passageiros.
Apesar do upgrade nas regras de limite e prazo, as bases financeiras do programa continuam as mesmas. O montante global de recursos de R$ 30 bilhões, garantido pela Medida Provisória 1.359/2026, não sofreu alterações com a nova resolução do conselho.
Da mesma forma, as exigências de análise cadastral, as taxas de juros aplicadas e os períodos de carência estabelecidos pelas instituições financeiras parceiras permanecem seguindo as diretrizes originais do fundo garantidor.
Com essa medida coordenada por Dario Durigan (Fazenda), Gabriel Galípolo (Banco Central) e Bruno Moretti (Planejamento), o governo cria uma rota para a renovação de frota em um momento de forte transição da mobilidade urbana. A expectativa é que o mercado automotivo sinta o reflexo dessa injeção de crédito já nas próximas semanas.