Estoques públicos de milho serão reforçados para garantir ração a pequenos criadores do Norte e Nordeste durante estiagem.
(Imagem: gerado por IA)
Para conter uma iminente disparada no preço das carnes e do leite no bolso do consumidor, o governo federal iniciou uma corrida para reforçar os estoques públicos de milho antes que os efeitos severos do El Niño atinjam as bacias produtoras.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) abriu negociações com a equipe econômica para elevar o limite de compra anual do Programa de Vendas em Balcão (ProVB) de 50 mil para 80 mil toneladas. O programa é vital para pequenos criadores que dependem do grão para alimentar seus rebanhos.
Na prática, a estratégia permite posicionar as reservas públicas em um momento de mercado mais favorável, garantindo que o pequeno produtor do Norte e Nordeste não fique sem ração animal quando a seca se intensificar.
Como a crise climática afeta seu bolso
Estudos meteorológicos apontam que há cerca de 80% de probabilidade de o El Niño atingir uma intensidade de forte a muito forte nos próximos meses. Com isso, as regiões Norte e Nordeste enfrentarão estiagens prolongadas e rápida degradação das pastagens naturais.
Como o milho é a base da ração animal, a escassez local elevaria os custos logísticos para transportar o grão de outras regiões. Sem a intervenção estatal, o encarecimento da produção resultaria em repasse direto de preços aos supermercados, pressionando a inflação de alimentos.
O que está por trás da estratégia financeira
Apesar do aumento expressivo no volume de compras proposto pela Conab, a operação não exigirá novos aportes fiscais imediatos. A equipe econômica estuda remanejar recursos que já estão disponíveis na política de Formação de Estoques Públicos.
No entanto, caso as perdas nas lavouras superem as estimativas mais pessimistas, o Palácio do Planalto não descarta enviar um pedido de crédito extraordinário ao Congresso Nacional para blindar o setor produtivo nacional.
Garantir a segurança alimentar e a estabilidade de preços no campo é o principal foco dessa articulação emergencial. Ao antecipar o avanço do clima extremo, o governo tenta mitigar um choque inflacionário que poderia comprometer o poder de compra das famílias nos próximos anos.