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Economia

Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial após prejuízo histórico de R$ 10,1 bilhões

Com um prejuízo histórico de R$ 10,1 bilhões, o Grupo Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial para tentar reestruturar suas dívidas.

17 ago 2026 - 08h40 Joice Gomes   atualizado às 08h42
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Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial após prejuízo histórico de R$ 10,1 bilhões Fachada de uma das unidades da Casas Bahia; grupo anunciou pedido de recuperação judicial após registrar prejuízo bilionário. (Imagem: Shopping Tacaruna/Divulgação)

O avanço das dívidas e a asfixia financeira levaram o Grupo Casas Bahia a protocolar um pedido de recuperação judicial neste domingo (16). A medida extrema ocorre apenas 24 horas após a gigante do varejo reportar um prejuízo líquido devastador de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026, acendendo o sinal de alerta máximo no mercado de consumo brasileiro.

A petição, já aprovada pelo conselho de administração e pelo acionista controlador da empresa, foi direcionada ao Juízo de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo. De acordo com o comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o colapso decorre de uma forte deterioração das condições econômico-financeiras que a marca vinha enfrentando nos últimos meses.

Na prática, o que parecia um plano gradual de reestruturação transformou-se em uma corrida contra o tempo pela sobrevivência. O grupo aponta o peso esmagador das taxas de juros elevadas no país, a severa restrição de crédito e o encarecimento do capital de giro como os principais motores desta crise sem precedentes, que sufocou a capacidade de investimento das lojas.

O que está por trás do rombo de R$ 10,1 bilhões

Embora o faturamento líquido tenha registrado um leve incremento de 1,6 por cento, alcançando R$ 6,97 bilhões, o balanço trimestral expôs cicatrizes profundas. O prejuízo consolidado de R$ 10,1 bilhões foi assustadoramente 18 vezes superior ao saldo negativo de R$ 555 milhões registrado no mesmo período do ano anterior.

Mas há um detalhe contábil crucial que explica a magnitude desse número histórico. Cerca de R$ 9,1 bilhões desse montante referem-se a eventos não recorrentes, incluindo baixas expressivas de ativos, despesas pesadas com reestruturação e demissões, contratos descontinuados, além de ajustes fiscais ligados ao Imposto de Renda diferido.

O resultado financeiro líquido também continuou sangrando e fechou negativo em R$ 1,278 bilhão. A situação ficou tão delicada que a própria auditoria externa da EY emitiu uma nota contundente alertando sobre a incerteza relevante relacionada à continuidade operacional da companhia no curto prazo.

O que muda na prática para o mercado e funcionários

Para além dos números frios dos balanços, o impacto real já se faz sentir nas ruas e nos bastidores operacionais da varejista. Até o final de junho, a Casas Bahia promoveu uma redução drástica em sua presença física com o fechamento definitivo de 298 lojas em todo o território nacional.

Esse enxugamento drástico de estrutura resultou no desligamento em massa de colaboradores, reduzindo o quadro para pouco mais de 30 mil funcionários. Relatos de demissões que somam cerca de duas mil pessoas ganharam força nas redes sociais nos últimos dias, revelando o drama humano por trás da crise corporativa.

Além das Casas Bahia em si, o processo judicial arrasta outras nove empresas que integram o ecossistema do grupo, incluindo a ASAP Log, a rede de comércio eletrônico Cnova e a tradicional fabricante de móveis Bartira, evidenciando o tamanho do efeito cascata no varejo.

O que pode acontecer a partir disso

Vale lembrar que esta não é a primeira vez que a Casas Bahia tenta renegociar suas obrigações financeiras. Em 2024, a empresa obteve a homologação de um plano de recuperação extrajudicial para alongar R$ 4,1 bilhões em passivos, mas a deterioração macroeconômica atropelou os planos de fôlego da empresa.

Agora, sob a proteção de um processo de recuperação judicial formalizado, a gigante do varejo ganha um fôlego temporário contra execuções de credores para tentar reestruturar suas contas. A estratégia declarada pela gestão foca em contrair estoques, reduzir despesas administrativas ao limite e focar estritamente em categorias de produtos de maior rentabilidade.

O desfecho dessa reestruturação não ditará apenas o destino de uma das marcas mais tradicionais do comércio nacional, mas também servirá como um termômetro para a resiliência do varejo brasileiro diante de juros persistentes. Os próximos meses serão decisivos para definir se a Casas Bahia conseguirá dar a volta por cima ou se o país testemunhará o declínio definitivo de um ícone do consumo popular.

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