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Vendas no Comércio

Vendas no comércio sobem 0,5% em junho e encerram semestre em alta

Com suporte de inflação menor e mais empregos, vendas no comércio crescem 0,5% em junho e fecham o primeiro semestre com saldo positivo de 1,9%.

13 ago 2026 - 13h30 Joice Gomes   atualizado às 13h32
Vendas no comércio sobem 0,5% em junho e encerram semestre em alta Consumidores realizam compras, o que impulsionou o comércio no mês. (Imagem: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil)

Aliviadas pela perda de fôlego da inflação e pelo fortalecimento do mercado de trabalho, as vendas no comércio brasileiro registraram alta de 0,5% na passagem de maio para junho. Esse avanço garantiu que o setor fechasse o primeiro semestre com um crescimento consolidado de 1,9% na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Os dados são da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado mostra que o consumo das famílias segue resiliente e operando em patamares historicamente elevados, muito próximo de seu teto operacional.

Na prática, o desempenho recente deixa o comércio varejista apenas 0,8% abaixo do maior nível já registrado em toda a série histórica, alcançado em março deste ano. Estar tão próximo do topo traz um desafio duplo: manter o ritmo de expansão sob bases de comparação já bastante elevadas.

O que está por trás do fôlego do varejo

Mas o impacto vai além dos números frios de vendas. Dois pilares macroeconômicos foram determinantes para que o brasileiro continuasse consumindo em junho. O primeiro deles foi a forte desaceleração da inflação oficial, que despencou de 0,58% em maio para 0,16% em junho, devolvendo parte do poder de compra aos salários.

Paralelamente, o mercado de trabalho continuou gerando postos de trabalho, apresentando uma alta de 1,1% no contingente de pessoas ocupadas entre os meses analisados. Mais pessoas com carteira assinada ou renda garantida significam, diretamente, mais recursos circulando nas caixas registradoras.

De acordo com o analista da pesquisa, Cristiano Santos, o setor vive hoje um efeito de acomodação em patamar elevado. Santos explica que crescer de forma expressiva quando já se está no topo é estatisticamente mais difícil, o que valoriza o resultado marginal positivo do período.

Como isso afeta os diferentes setores de consumo

O crescimento de junho, contudo, não ocorreu de forma homogênea. Metade das oito atividades pesquisadas pelo IBGE registrou saldo positivo. O grande motor do mês foi o segmento de hiper e supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, que cresceu 1,1% e exerceu forte peso no índice geral.

Por outro lado, setores que dependem mais de crédito ou de maior folga orçamentária enfrentaram oscilações naturais. O comércio de tecidos, vestuário e calçados encolheu 2,6%, enquanto a venda de livros, jornais e papelaria recuou 9,9% no período, evidenciando uma mudança estrutural nos hábitos cotidianos.

No varejo ampliado — indicador que engloba as vendas de veículos, autopeças, material de construção e atacado —, houve um recuo de 1,0% em junho, embora o acumulado do semestre ainda sustente uma alta de 1,9%. Esse recuo pontual reflete oscilações normais nas decisões de compras de maior valor planejado.

O que pode acontecer a partir disso

Quando olhamos para o conjunto da economia brasileira, o comércio se destaca como um importante amortecedor de choques. Enquanto o setor de serviços ficou estável (0%) e a produção industrial recuou 1,8% no fechamento do período, o varejo demonstrou maior capacidade de resistência.

E é aqui que está o ponto central para os próximos meses. A sustentabilidade desse crescimento dependerá diretamente de como a inflação se comportará no segundo semestre e do espaço que haverá para a manutenção do consumo. Com o mercado de trabalho aquecido, a expectativa é que a circulação de renda continue dando suporte às atividades comerciais no país.

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