0:00 Ouça a Rádio
Qui, 03 de Setembro
Copom

Copom decide Selic: por que o corte para 14,25% pode ser o último do ciclo

O Copom decide hoje o novo valor da Selic. Com projeção de queda para 14,25%, o Banco Central equilibra o alívio geopolítico no Irã com a persistente inflação interna.

17 jun 2026 - 08h37 Joice Gomes   atualizado às 08h39
Copom decide Selic: por que o corte para 14,25% pode ser o último do ciclo Sede do Banco Central em Brasília, onde o Copom define o futuro da taxa Selic. (Imagem: gerado por IA)

O Comitê de Política Monetária (Copom) define nesta quarta-feira (17) o novo patamar da taxa Selic, em um momento de extrema sensibilidade para o bolso dos brasileiros e para os rumos do mercado financeiro. A expectativa dominante é de uma redução de 0,25 ponto percentual, o que levaria os juros básicos da economia para 14,25% ao ano.

Se confirmada, esta será a terceira queda consecutiva promovida pela autoridade monetária. No entanto, o clima nos bastidores do Banco Central não é de celebração, mas de cautela redobrada. O patamar atual nos transporta de volta a um período cinzento da história econômica recente: o intervalo entre 2015 e 2016, marcado por uma severa crise fiscal e política.

Na prática, essa movimentação muda mais do que parece. Embora a queda nos juros seja um sinal teoricamente positivo para quem busca crédito, o ritmo de descida está visivelmente perdendo fôlego. O Banco Central, agora sob a liderança de Gabriel Galípolo, enfrenta o desafio hercúleo de equilibrar o estímulo à atividade econômica sem deixar que a inflação escape do controle no longo prazo.

O que muda na prática com os juros em 14,25%

Com a Selic em 14,25%, o custo do dinheiro continua elevado, o que impacta diretamente setores sensíveis ao crédito, como o de veículos e o imobiliário. Para o investidor, a renda fixa permanece em um cenário de "céu de brigadeiro", oferecendo retornos reais que ainda superam a maioria das alternativas de risco. Mas o ponto central aqui não é apenas o número de hoje, e sim o sinal que o BC dará para os próximos meses.

Das 112 instituições financeiras consultadas pelo Valor Pro, 94 apostam nesse corte de 0,25 ponto. As outras 18 acreditam que a autoridade monetária deveria manter a taxa em 14,5%. Essa divisão de opiniões mostra que o otimismo de meses atrás deu lugar a uma postura muito mais conservadora por parte dos analistas.

Por que o acordo no Irã não resolve o problema

Recentemente, um sopro de esperança veio do cenário externo com o acordo preliminar de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã. Teoricamente, a paz no Oriente Médio deveria aliviar o preço do petróleo e reduzir a pressão inflacionária global. Contudo, para os analistas domésticos, esse impacto será limitado no Brasil por questões internas.

Segundo o economista Leonardo França Costa, do ASA, o alívio para o consumidor brasileiro será pequeno porque o governo e a Petrobras já vinham amortecendo a alta do barril por meio de subsídios ou desonerações. Assim, não há muito espaço para uma queda acentuada nos preços das bombas de combustível agora, o que mantém a inflação sob pressão.

O que pode acontecer a partir de agora

O grande receio do mercado é que o ciclo de cortes chegue ao fim prematuramente. A inflação projetada para 2027 já começa a subir para a casa dos 3,6%, distanciando-se da meta central de 3%. Com o mercado de trabalho aquecido e o consumo interno resiliente, o Banco Central teme que baixar os juros rápido demais jogue gasolina no fogo dos preços.

O desfecho da reunião de hoje não é apenas sobre um número decimal, mas sobre a confiança na estabilidade econômica. O Brasil caminha em uma linha tênue entre estimular o crescimento e proteger o poder de compra da população. Os próximos meses dirão se a estratégia de cautela de Galípolo foi o remédio amargo necessário para evitar um descontrole inflacionário futuro.

Tags:

Mais notícias
INSS inicia pagamentos de setembro no dia 24; veja o calendário
Aposentados INSS inicia pagamentos de setembro no dia 24; veja o calendário
Revolução das fintechs injeta R$ 1,6 trilhão no PIB brasileiro e força queda de juros
Economia Revolução das fintechs injeta R$ 1,6 trilhão no PIB brasileiro e força queda de juros
Senado aprova incentivos de R$ 5,2 bilhões para data centers no Brasil
Economia Senado aprova incentivos de R$ 5,2 bilhões para data centers no Brasil
Governo Lula estuda medida drástica contra 'bets' após rombo de R$ 62 bilhões
Economia Governo Lula estuda medida drástica contra 'bets' após rombo de R$ 62 bilhões
Ibovespa dispara e dólar cai com escalada do petróleo global
Economia Ibovespa dispara e dólar cai com escalada do petróleo global
STF valida poder do INSS para fixar teto de juros do consignado
Jurídico STF valida poder do INSS para fixar teto de juros do consignado
Adesão ao Simples Nacional para 2027 começa com nova regra tributária
Tributário Adesão ao Simples Nacional para 2027 começa com nova regra tributária
Votação da MP da taxa das blusinhas é adiada por falta de acordo
Legislativo Votação da MP da taxa das blusinhas é adiada por falta de acordo
Micro e pequenas empresas têm novo prazo para optar pelo Simples Nacional; saiba o que muda
Economia Micro e pequenas empresas têm novo prazo para optar pelo Simples Nacional; saiba o que muda
Imposto do pecado vai custar R$ 41,9 bilhões aos brasileiros em 2027; veja o que muda
Economia Imposto do pecado vai custar R$ 41,9 bilhões aos brasileiros em 2027; veja o que muda
Mais Lidas
Canto de grilos perto de casa pode indicar boas energias e ambiente saudável
Comportamento Canto de grilos perto de casa pode indicar boas energias e ambiente saudável
OMS atualiza orientação e indica quanto de água um adulto deve beber por dia
Saúde OMS atualiza orientação e indica quanto de água um adulto deve beber por dia
Toyota Corolla 2027: o que esperar da nova geração do sedã no Brasil
Automóveis Toyota Corolla 2027: o que esperar da nova geração do sedã no Brasil
Bridgerton 4: Netflix estreia temporada focada em Benedict e Sophie Baek
Série Bridgerton 4: Netflix estreia temporada focada em Benedict e Sophie Baek