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Economia

Setor público abre 2026 com superávit de R$ 103,7 bilhões em janeiro, mas estatais têm déficit e juros pesam no ano

28 fev 2026 - 08h20 Joice Gomes
Setor público abre 2026 com superávit de R$ 103,7 bilhões em janeiro, mas estatais têm déficit e juros pesam no ano O superávit de R$ 103,7 bilhões em janeiro indica melhora pontual das contas públicas. (Imagem: Marcello Casal jr/Agência Brasil)

As contas públicas começaram 2026 com um resultado expressivo: o setor público consolidado registrou superávit de R$ 103,7 bilhões em janeiro, conforme dados das estatísticas fiscais divulgadas pelo Banco Central. O indicador é o resultado primário, que compara receitas e despesas sem incluir os juros da dívida. Na prática, ele mostra se o setor público conseguiu pagar suas contas do mês com o que arrecadou, antes de considerar o custo do endividamento.

O número chama atenção pelo tamanho, mas o contexto evita conclusões apressadas. No mesmo mês do ano anterior, janeiro de 2025, o superávit primário havia sido de R$ 104,1 bilhões, patamar muito próximo. Mais do que o desempenho pontual, o Banco Central destaca que o acumulado de 12 meses ainda permanece no vermelho, o que reforça a leitura de que o equilíbrio fiscal depende da sequência de resultados e não apenas de um mês forte.

No período de 12 meses até janeiro, o setor público consolidado acumulou déficit primário de R$ 55,4 bilhões, equivalente a 0,43% do Produto Interno Bruto (PIB). Esse recorte é acompanhado por mostrar a tendência recente das contas e por influenciar a trajetória de dívida. O dado também dialoga com o fechamento do ano anterior: 2025 terminou com déficit primário de R$ 55 bilhões, também em 0,43% do PIB.

Como o resultado foi composto no mês

O superávit de janeiro foi sustentado principalmente pelo Governo Central e pelos governos regionais. O Governo Central registrou superávit de R$ 87,3 bilhões, enquanto estados e municípios, contabilizados como governos regionais, somaram resultado positivo de R$ 21,3 bilhões. Juntos, esses dois blocos formaram a base do desempenho do setor público no início do ano.

O ponto de atenção veio das empresas estatais, que apresentaram déficit de R$ 4,9 bilhões em janeiro. Nas estatísticas fiscais, esse grupo considera as estatais federais, estaduais e municipais, com exclusão de Petrobras e Eletrobras. O resultado negativo das estatais atuou como força contrária, reduzindo parte do saldo obtido por União, estados e municípios.

  • Saldo primário consolidado: superávit de R$ 103,7 bilhões em janeiro.
  • Governo Central: superávit de R$ 87,3 bilhões; governos regionais: superávit de R$ 21,3 bilhões.
  • Empresas estatais: déficit de R$ 4,9 bilhões no mês (sem Petrobras e Eletrobras).

Por que os juros mudam a leitura do saldo

O resultado primário é importante, mas não encerra a análise porque o setor público também precisa arcar com juros. Em janeiro, os juros nominais apropriados somaram R$ 63,6 bilhões, o que reduz o efeito do superávit primário quando se considera o resultado total das contas. Esse componente tende a ganhar peso em cenários de taxa de juros elevada e dívida mais alta.

Ao incluir os juros, chega-se ao resultado nominal, que serve para medir o impacto completo das contas públicas. Em janeiro, houve superávit nominal de R$ 40,1 bilhões, mas menor do que o observado em janeiro de 2025, quando o saldo havia sido de R$ 63,7 bilhões. No acumulado de 12 meses, a conta ficou negativa em R$ 1,086 trilhão, o equivalente a 8,49% do PIB, mostrando a pressão do custo financeiro sobre o resultado total.

  • Juros nominais apropriados em janeiro: R$ 63,6 bilhões.
  • Resultado nominal em janeiro: superávit de R$ 40,1 bilhões (após juros).
  • Resultado nominal em 12 meses: déficit de R$ 1,086 trilhão (8,49% do PIB).

Dívida pública: o que mudou e o que ficou estável

Os dados do Banco Central também detalham o comportamento da dívida no mês. A dívida líquida do setor público chegou a R$ 8,3 trilhões em janeiro, equivalente a 65,0% do PIB, com redução de 0,3 ponto percentual na comparação mensal. Entre os fatores associados a essa variação estão o superávit primário, o aumento do PIB nominal e ajustes relacionados à dívida externa líquida, enquanto juros e efeito cambial atuaram no sentido oposto.

A dívida bruta do governo geral, por sua vez, alcançou R$ 10,1 trilhões, equivalente a 78,7% do PIB, mantendo estabilidade em proporção ao PIB na passagem de dezembro para janeiro. Esse indicador costuma ser usado em análises de sustentabilidade fiscal e comparações internacionais. Para os próximos meses, o comportamento das receitas, o ritmo da atividade econômica, o custo de financiamento e a performance das estatais devem definir se o impulso de janeiro se converte em tendência.

  • Dívida líquida: R$ 8,3 trilhões (65,0% do PIB), queda de 0,3 ponto percentual no mês.
  • Dívida bruta: R$ 10,1 trilhões (78,7% do PIB), estável em proporção do PIB.
  • Vetores relevantes citados na variação: superávit primário, PIB nominal, juros e câmbio.

O principal recado dos números é duplo: o superávit de R$ 103,7 bilhões em janeiro mostra capacidade de geração de saldo primário no começo do ano, mas a fotografia mais ampla continua condicionada ao acumulado de 12 meses no vermelho e ao impacto dos juros sobre o resultado nominal. A partir daqui, o que tende a determinar a melhora consistente das contas é a repetição de resultados primários positivos, combinada com um custo financeiro que não anule esse esforço. Nesse quadro, a evolução das estatais e a trajetória da dívida seguem como pontos de atenção para a política fiscal e para a percepção de risco do país.

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