0:00 Ouça a Rádio
Sex, 06 de Março
Busca
0:00 Ouça a Rádio
Economia

IBGE aponta renda domiciliar per capita de R$ 2.316 em 2025 e reforça uso do dado em repasses e comparações entre estados

28 fev 2026 - 07h20 Joice Gomes
IBGE aponta renda domiciliar per capita de R$ 2.316 em 2025 e reforça uso do dado em repasses e comparações entre estados O IBGE divulgou que a renda domiciliar per capita chegou a R$ 2.316 em 2025. (Imagem: Agência Brasil)

A renda domiciliar per capita do Brasil alcançou R$ 2.316 em 2025, conforme divulgação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a partir da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua). O resultado confirma uma trajetória de alta recente do indicador e recoloca o tema no centro de debates sobre desigualdade, planejamento público e evolução do poder de compra médio das famílias.

Para o leitor, a principal utilidade do dado é entender quanto, em média, cada pessoa teria disponível no domicílio quando se divide o total de rendimentos recebidos pelos moradores. Apesar de ser um número nacional, a renda domiciliar per capita também funciona como um mapa de contrastes internos, porque a mesma métrica é calculada para cada unidade da federação.

Em 2025, segundo a série apresentada junto ao levantamento, o Brasil ficou acima do patamar observado em 2024, quando o indicador havia sido de R$ 2.069. Os valores anteriores também ficam abaixo do nível atual: em 2023, a média foi de R$ 1.893, e em 2022, de R$ 1.625, o que ajuda a dimensionar a aceleração recente do rendimento domiciliar medido pela pesquisa.

O que o indicador mede e por que ele é acompanhado

O IBGE define a renda domiciliar per capita como a razão entre o total do rendimento domiciliar nominal e o total de moradores. Na composição do cálculo, entram rendimentos do trabalho e rendimentos de outras fontes, sempre em valores brutos efetivamente recebidos no mês de referência, o que dá ao resultado um recorte objetivo do dinheiro que chegou ao domicílio naquele período.

Um ponto relevante é que todos os moradores são contabilizados no divisor. Isso inclui pensionistas, empregados domésticos e parentes de empregados domésticos, o que influencia o resultado final e reforça que a renda domiciliar per capita é um indicador do domicílio como unidade, e não apenas do chefe de família ou de quem está empregado.

Por ser calculado com a mesma regra para todo o país, o indicador permite comparações ao longo do tempo e entre estados. Ele é muito usado em análises socioeconômicas e, ao mesmo tempo, tem consequências institucionais: a divulgação anual atende à Lei Complementar 143/2013, associada a critérios de rateio do Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal (FPE) e a compromissos de informação vinculados a cálculos que envolvem o inverso do rendimento domiciliar per capita.

Como o IBGE chega ao número de 2025

O valor nacional de 2025 é formado a partir do acúmulo das informações coletadas ao longo do ano pela PNAD Contínua. O resultado anual considera as primeiras visitas aos domicílios realizadas nos quatro trimestres, reunindo as observações do 1º, 2º, 3º e 4º trimestres para compor a fotografia do período.

A PNAD Contínua, em campo desde janeiro de 2012, é uma pesquisa domiciliar amostral que acompanha a evolução da força de trabalho e outras dimensões sociais e econômicas. Na prática, ela sustenta grande parte dos indicadores públicos sobre mercado de trabalho e renda e, por isso, a renda domiciliar per capita ganha relevância adicional quando divulgada em formato anual e comparável entre unidades da federação.

O IBGE também contextualiza que a pandemia de covid-19 afetou a coleta em 2020 e 2021, reduzindo de forma expressiva o aproveitamento das entrevistas, principalmente na primeira visita ao domicílio. A recuperação do aproveitamento começou em 2022 e se consolidou em 2023, o que influencia a comparabilidade histórica recente e ajuda a explicar ajustes no procedimento de cálculo em determinados anos.

Ranking por estados expõe desigualdade e concentrações de renda

O avanço do indicador nacional não elimina a diferença entre realidades estaduais. Em 2025, os extremos da renda domiciliar per capita aparecem com nitidez: o menor valor foi registrado no Maranhão, com R$ 1.219, enquanto o maior foi o do Distrito Federal, com R$ 4.538.

Além disso, nove estados e o Distrito Federal ficaram acima da média nacional de R$ 2.316. Na sequência do Distrito Federal, aparecem São Paulo (R$ 2.956), Rio Grande do Sul (R$ 2.839), Santa Catarina (R$ 2.809), Rio de Janeiro (R$ 2.794) e Paraná (R$ 2.762), seguidos por Mato Grosso do Sul (R$ 2.454), Goiás (R$ 2.407), Minas Gerais (R$ 2.353) e Mato Grosso (R$ 2.335).

Essas diferenças ajudam a orientar leituras sobre mercado de trabalho, estrutura produtiva, distribuição de oportunidades e capacidade de consumo. Ao mesmo tempo, a renda domiciliar per capita não deve ser confundida com o custo de vida local nem com a renda individual de cada trabalhador: trata-se de uma média domiciliar por pessoa, que pode variar bastante conforme tamanho da família, composição de rendimentos e presença de pessoas sem renda no domicílio.

  • Brasil: renda domiciliar per capita de R$ 2.316 em 2025, acima de 2024 (R$ 2.069), 2023 (R$ 1.893) e 2022 (R$ 1.625).
  • Maior valor em 2025: Distrito Federal, com R$ 4.538; menor valor: Maranhão, com R$ 1.219.
  • Unidades acima da média nacional: DF e nove estados, com destaque para São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Rio de Janeiro e Paraná.
  • Cálculo: total de rendimentos nominais do domicílio dividido pelo total de moradores, incluindo rendas do trabalho e de outras fontes e considerando rendimentos brutos recebidos no mês de referência.

Impactos práticos e o que observar nos próximos resultados

Na esfera pública, a importância do dado está no uso institucional ligado a critérios do FPE e a rotinas de monitoramento e prestação de informações. Em termos econômicos, acompanhar a renda domiciliar per capita ajuda a entender o ritmo de recomposição do rendimento médio e a calibrar discussões sobre consumo, acesso a crédito e demanda por serviços, sempre com cautela para não extrapolar o que o indicador, sozinho, consegue explicar.

Para frente, a leitura do indicador dependerá do desempenho do mercado de trabalho e do comportamento de rendimentos não vinculados ao emprego, como aposentadorias, pensões e outras transferências e fontes. Também será relevante observar se a distância entre estados diminui ou se permanece elevada, porque a renda domiciliar per capita é, ao mesmo tempo, termômetro de melhora geral e espelho das desigualdades estruturais.

Com a coleta em patamar mais estável após os anos mais críticos da pandemia, a tendência é que os próximos números reforcem o uso do indicador como referência anual para comparar trajetórias, orientar diagnósticos e subsidiar decisões administrativas. Para o público, a chave é usar a renda domiciliar per capita como base de entendimento do cenário, mas sempre cruzando com outros sinais, como emprego, inflação e acesso a serviços, para ter uma visão mais completa do cotidiano econômico.

Mais notícias
Nubank anuncia novo escritório em Belo Horizonte e abre vagas
Empresarial Nubank anuncia novo escritório em Belo Horizonte e abre vagas
Mensagens mostram crítica de banqueiro a Bolsonaro em conversa privada
Polêmico Mensagens mostram crítica de banqueiro a Bolsonaro em conversa privada
Mega Sena prepara novo sorteio após prêmio de R$ 158 milhões
Milionário Mega Sena prepara novo sorteio após prêmio de R$ 158 milhões
Conflito no Oriente Médio pode ampliar exportações de combustíveis do Brasil
Estratégico Conflito no Oriente Médio pode ampliar exportações de combustíveis do Brasil
Caixa Econômica Federal atinge lucro recorde de R$ 15,5 bilhões em 2025 com crescimento de 10,4% nos resultados
Economia Caixa Econômica Federal atinge lucro recorde de R$ 15,5 bilhões em 2025 com crescimento de 10,4% nos resultados
Guarda Revolucionária do Irã alerta que navios fora do protocolo no Estreito de Ormuz serão afundados
Estreito de Ormuz Guarda Revolucionária do Irã alerta que navios fora do protocolo no Estreito de Ormuz serão afundados
Governo eleva imposto de importados, recua parcialmente e chama repercussão de “fake news”
Econom Governo eleva imposto de importados, recua parcialmente e chama repercussão de “fake news”
Mercado Pago lança Cofrinhos com rendimento de até 140% do CDI
Finanças Mercado Pago lança Cofrinhos com rendimento de até 140% do CDI
ANTT prevê R$ 2,19 bilhões para BR-101 Norte, mas estado aponta necessidade de R$ 13 bilhões
Infraestrutura ANTT prevê R$ 2,19 bilhões para BR-101 Norte, mas estado aponta necessidade de R$ 13 bilhões
Lula propõe negociação tripartite para acabar com escala 6x1 na abertura da Conferência Nacional do Trabalho
Economia Lula propõe negociação tripartite para acabar com escala 6x1 na abertura da Conferência Nacional do Trabalho
Mais Lidas
Quartzito substitui mármore e se consolida como tendência para bancadas em 2026
Arquitetura Quartzito substitui mármore e se consolida como tendência para bancadas em 2026
BNB registra atraso em repasses de maquininhas após falha operacional da Entrepay
Financeiro BNB registra atraso em repasses de maquininhas após falha operacional da Entrepay
Globo define narradores para a Copa do Mundo 2026
Futebol Globo define narradores para a Copa do Mundo 2026
Mortes por temporais na Zona da Mata chegam a 59 em Minas Gerais
Chuvas Mortes por temporais na Zona da Mata chegam a 59 em Minas Gerais