FGC aprova plano para cobrir rombo bilionário após liquidação do Banco Master.
(Imagem: © Rovena Rosa/Agência Brasil)
O conselho do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) aprovou um plano emergencial para enfrentar o impacto financeiro provocado pela liquidação do Banco Master. O chamado rombo do Banco Master é estimado em R$ 55 bilhões, segundo informações divulgadas pelo jornal Valor Econômico e confirmadas pelo Broadcast, do Grupo Estado.
A estratégia tem como prioridade recompor o caixa do fundo ainda no primeiro trimestre, garantindo liquidez compatível com os riscos do sistema financeiro. A avaliação interna é de que a recomposição rápida é fundamental para preservar a confiança no mecanismo de garantia de depósitos.
Antecipação de contribuições
Para cobrir o rombo do Banco Master, os bancos associados ao FGC pretendem antecipar o equivalente a cinco anos de contribuições futuras ao fundo. O valor seria pago em três parcelas mensais.
Além disso, o plano prevê novas antecipações: mais 12 meses de contribuições em 2027 e outros 12 meses em 2028. Com isso, o total chegaria a sete anos de repasses adiantados.
Outra medida em discussão envolve um aumento extraordinário entre 30% e 60% no valor das contribuições mensais feitas pelas instituições financeiras ao FGC, por um período mínimo de 60 meses.
Atualmente, as instituições associadas contribuem com 0,01% ao mês sobre o total de instrumentos financeiros garantidos. No caso dos Depósitos a Prazo com Garantia Especial (DPGE), as alíquotas variam entre 0,02% e 0,03%, dependendo do tipo de emissão.
Possível uso de recursos do compulsório
Outra alternativa debatida no setor financeiro seria utilizar parte dos recursos do compulsório sobre depósitos à vista para reforçar o caixa do fundo. No entanto, essa medida depende de autorização do Banco Central do Brasil, que ainda não se pronunciou oficialmente.
Em nota, o FGC informou que não comenta detalhes das alternativas em análise. O fundo declarou apenas que as discussões sobre a recomposição da liquidez estão em andamento junto às instituições associadas e ao Banco Central, com expectativa de deliberação no curto prazo.
Valores já desembolsados
Até a última sexta-feira, o FGC já havia desembolsado R$ 36 bilhões dos pouco mais de R$ 40 bilhões previstos para pagamento a credores do Banco Master.
O fundo ainda não iniciou o reembolso aos investidores do Will Bank, instituição que integrava o conglomerado e cuja liquidação foi decretada em janeiro. A estimativa é que sejam necessários R$ 6,3 bilhões adicionais em garantias nesse caso.
O restante do rombo do Banco Master envolve linhas de empréstimos concedidas pelo próprio FGC a empresas do grupo.
Debate sobre mudanças nas regras
A recomposição financeira é considerada etapa essencial antes de qualquer discussão formal sobre mudanças nas regras do FGC. O caso reacendeu debates sobre governança, monitoramento de risco e critérios de alavancagem no sistema bancário.
Nos bastidores, integrantes do setor defendem mecanismos mais rígidos para acompanhar a qualidade dos balanços das instituições associadas, responsabilizando bancos que adotem práticas consideradas arriscadas, como investimentos excessivos em ativos de baixa liquidez.
Também está em pauta o endurecimento das regras de alavancagem e a limitação da concentração de distribuição de produtos financeiros em poucas plataformas.
Executivos do mercado avaliam que o episódio expôs fragilidades no modelo atual. Recentemente, o CEO do Itaú Unibanco, Milton Maluhy, afirmou que parte do mercado teria utilizado o FGC como instrumento para sustentar modelos de negócio pouco sustentáveis.
O desdobramento do rombo do Banco Master deve influenciar diretamente futuras mudanças regulatórias e reforçar o debate sobre a solidez do sistema financeiro nacional.