Negociações salariais registram ganhos reais acima da inflação em janeiro.
(Imagem: Fernando Frazão/Agência Brasil)
Dados divulgados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) indicam que 94% das negociações salariais realizadas em janeiro garantiram reajustes acima da inflação.
O levantamento analisou 364 acordos e convenções coletivas registrados no Sistema de Negociação Coletiva de Trabalho (Mediador), do Ministério do Trabalho e Emprego, até o dia 2 de fevereiro.
Segundo o estudo, o aumento real médio foi de 2,12%, o melhor resultado para o mês dentro dos últimos 12 meses.
Influência do salário mínimo
O Dieese aponta que a política de valorização permanente do salário mínimo, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2023, teve papel relevante no desempenho das negociações.
A regra atual determina que o reajuste anual considere:
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A inflação acumulada medida pelo INPC nos 12 meses anteriores;
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O crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes.
Caso o PIB não apresente crescimento real, o reajuste é feito apenas pela inflação.
Em janeiro deste ano, o piso nacional foi reajustado em 6,79%, passando a R$ 1.621,00 em 2026. A medida beneficiou cerca de 61,9 milhões de brasileiros, entre trabalhadores, aposentados e pensionistas, com impacto estimado de R$ 81,7 bilhões na economia.
Resultados por setor
O desempenho positivo foi observado em todos os principais setores da economia:
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Comércio: 96,2% das negociações acima da inflação; ganho real médio de 1,75%;
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Serviços: 96,2% acima da inflação; ganho real médio de 2,37%;
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Indústria: 91,4% acima da inflação; ganho real médio de 1,80%.
Reajustes abaixo do INPC ficaram próximos de 1% dos casos — e, no comércio, não houve registros de perdas inflacionárias.
Tanto a distribuição dos reajustes quanto o ganho real médio superaram os números acumulados nos últimos 12 meses (fev/25 a jan/26), indicando fortalecimento do poder de compra no início de 2026.