Dólar comercial fechou em R$ 5,24 na quarta-feira (18), influenciado por tensões EUA-Irã e ata do Federal Reserve.
(Imagem: Valter Campanato/Agência Brasil)
O dólar comercial encerrou o pregão desta quarta-feira (18) cotado a R$ 5,24, com leve alta de 0,21% em relação ao dia anterior. O movimento ocorreu em um dia encurtado pela Quarta-Feira de Cinzas, quando as negociações na B3 foram interrompidas mais cedo.
A cotação iniciou em baixa, tocando R$ 5,20 nos primeiros minutos, mas reverteu com o avanço das preocupações internacionais. Na máxima, chegou a R$ 5,25 por volta das 15h50, refletindo a busca por ativos seguros em meio a instabilidades globais.
Tensões geopolíticas impulsionam alta
As tensões entre EUA e Irã dominaram o cenário externo, elevando a aversão ao risco nos mercados. O presidente Donald Trump intensificou as ameaças contra Teerã, com a Casa Branca citando "vários argumentos" para uma possível ação militar.
Trump enviou porta-aviões ao Golfo Pérsico e reforçou a presença militar na região, enquanto o Irã responde com alertas a bases americanas em países vizinhos. Negociações nucleares em Genebra avançaram timidamente, mas o impasse persiste, travando avanços concretos.
Esse contexto geopolítico pressiona o dólar globalmente, com investidores migrando para a moeda americana como refúgio. No Brasil, sem indicadores domésticos relevantes, o câmbio seguiu o fluxo internacional.
- Trump enviou USS Gerald Ford e outros ativos ao Oriente Médio.
- Irã ameaça retaliar em caso de intervenção militar americana.
- Protestos internos no Irã aumentam pressão sobre o regime Khamenei.
Ata do Fed reforça dólar forte
A divulgação da ata da última reunião do Federal Reserve (Fed) acelerou a valorização do dólar. O documento revela um mercado de trabalho nos EUA mais resiliente que o esperado, reduzindo apostas em cortes de juros iminentes.
Participantes do comitê indicaram que ajustes adicionais nas taxas só ocorreriam se a inflação cair conforme projeções. Isso mantém a política monetária restritiva por mais tempo, fortalecendo o dólar ante emergentes como o real.
No Brasil, a ata impacta expectativas para o câmbio, pois um dólar valorizado encarece importações e pressiona a inflação interna. Analistas monitoram dados como prévia do PIB e IPCA-15 para reações futuras.
- Mercado de trabalho EUA supera expectativas, freando cortes de juros.
- Fed dividido sobre ritmo de afrouxamento monetário em 2026.
- Dólar ganha força global com tom menos dovish do banco central americano.
Impactos no mercado brasileiro
O Ibovespa fechou em queda de 0,24%, aos 186.016 pontos, marcando a terceira sessão consecutiva de perdas. Mineradoras pesaram no índice devido à baixa do minério de ferro, agravada pelo risco geopolítico.
Para importadores e empresas exportadoras, o dólar a R$ 5,24 eleva custos de insumos estrangeiros e melhora competitividade de produtos brasileiros no exterior. Consumidores sentem no preço de eletrônicos, combustíveis e viagens internacionais.
O Banco Central monitora o fluxo cambial, com entrada de dólares via exportações ajudando a conter volatilidade. No curto prazo, persistência das tensões EUA-Irã pode manter o dólar pressionado para cima.
Investidores avaliam riscos: escalada militar no Oriente Médio poderia disparar petróleo e commodities, beneficiando o Brasil como exportador, mas elevando inflação global. Por outro lado, resolução diplomática traria alívio ao real.
- Ibovespa cai influenciado por mineradoras e apetite por risco reduzido.
- Importadores enfrentam custos maiores; exportadores ganham margem.
- Fluxo comercial brasileiro ajuda a estabilizar câmbio no médio prazo.
Perspectivas para os próximos dias
Na quinta-feira (19), o foco vira para prévia do PIB brasileiro e dados econômicos dos EUA, como payroll. Tensões EUA-Irã seguem no radar, com possibilidade de novas declarações de Trump.
Analistas preveem volatilidade no dólar enquanto o Fed sinaliza cautela nos juros. No Brasil, Copom pode reagir com Selic estável para conter pressões inflacionárias derivadas do câmbio.
Investidores recomendam diversificação em portfólios, com atenção a ativos atrelados ao dólar em cenários de risco. O real pode se recuperar se negociações nucleares progredirem, mas o risco geopolítico domina as apostas atuais.