Em meio a turbulência internacional e realização de lucros, o dólar comercial fechou a R$ 5,229 nesta sexta-feira (13).
(Imagem: Valter Campanato/Agência Brasil)
O dólar comercial encerrou a semana em alta, refletindo um dia marcado por volatilidade nos mercados globais e ajustes locais antes do carnaval. A moeda americana foi vendida a R$ 5,229, com elevação de 0,57% em relação ao dia anterior.
Essa cotação representa o segundo avanço consecutivo do dólar, que chegou a tocar R$ 5,25 durante a manhã, mas moderou os ganhos à tarde com a melhora nas bolsas dos Estados Unidos. Apesar disso, a divisa acumula queda de 4,72% no ano de 2026.
Mercados externos pressionam o dólar
A turbulência internacional foi o principal driver da valorização do dólar. Dados de inflação ao consumidor nos Estados Unidos, que subiram 0,2% em fevereiro, não aliviaram as expectativas dos investidores quanto a cortes nos juros pelo Federal Reserve.
A criação de empregos acima do esperado na economia americana reforça a visão de que o Fed pode adiar reduções nas taxas de juros, atualmente na faixa de 3,5% a 3,75%. Além disso, preocupações com uma possível bolha no setor de inteligência artificial pesaram sobre o índice Nasdaq, que recuou 0,22%.
- Índice de preços ao consumidor (CPI) nos EUA avançou 0,2% em fevereiro, abaixo das expectativas de 0,3%.
- No acumulado de 12 meses, a inflação americana ficou em 2,8%.
- Índices Dow Jones e S&P 500 fecharam em leve alta, mas o humor permaneceu cauteloso.
Ibovespa recua em meio a realização de lucros
Paralelamente à alta do dólar, o Ibovespa, principal índice da B3, caiu 0,69%, fechando aos 186.464 pontos. O movimento veio de vendas para embolsar ganhos recentes, após recordes consecutivos no início do mês.
A cotação do petróleo em alta ajudou petroleiras a amenizar perdas, mas o ajuste geral prevaleceu. Investidores compraram dólar mais barato nas quedas anteriores, contribuindo para a pressão altista.
No semanal, o dólar subiu apenas 0,18%, mostrando que a tendência de desvalorização anual persiste, beneficiada por fluxos de capital estrangeiro para o Brasil.
- Ibovespa chegou a cair 1,99% no intradiário, mas recuperou parte das perdas.
- Ações de petroleiras como Petrobras ganharam com petróleo em alta.
- Realização de lucros dominou o mercado interno pré-carnaval.
Impactos para a economia brasileira
A valorização do dólar eleva custos para importadores de combustíveis, insumos industriais e bens de consumo, podendo pressionar a inflação interna. Empresas exportadoras, por outro lado, veem melhora na competitividade.
Para o consumidor, viagens internacionais e compras no exterior ficam mais caras, especialmente com o dólar turismo próximo de R$ 5,40. O Banco Central monitora o câmbio de perto, com intervenções pontuais para conter volatilidade.
O calendário de carnaval, com folga prolongada, pode ampliar oscilações na segunda-feira, dependendo do humor global. Analistas apontam que dados fiscais brasileiros e decisões do Fed serão decisivos nas próximas semanas.
- Importadores enfrentam custos maiores com dólar acima de R$ 5,20.
- Exportadores de commodities ganham com câmbio favorável.
- Viagens ao exterior encarecem para turistas brasileiros.
Perspectivas para o câmbio adiante
Com o Federal Reserve em pausa nos cortes de juros, o dólar tende a se manter forte globalmente, pressionando moedas emergentes como o real. No Brasil, o equilíbrio fiscal e o crescimento econômico serão chaves para estabilizar o câmbio.
Expectativas para 2026 apontam dólar entre R$ 5,00 e R$ 5,50, dependendo de fatores como tarifas comerciais nos EUA sob o governo Trump e fluxo de investimentos. O Comitê de Política Monetária (Copom) também influencia, com Selic em 15% ao ano.
Investidores devem monitorar o reabrir dos mercados pós-carnaval e indicadores americanos, como payroll e decisões do Fed. A resiliência do real em meio a turbulências externas demonstra amadurecimento do mercado brasileiro.