Inquilinos agora viram proprietários via arrendamento com opção de compra.
(Imagem: de Freepik)
O chamado fim do aluguel refere-se à expansão do arrendamento imobiliário com opção de compra, onde parte das parcelas mensais é convertida em abatimento no valor final do imóvel. Esse mecanismo transforma o pagamento de aluguel em investimento rumo à propriedade plena.
Inspirado em práticas europeias, especialmente na Espanha e Portugal, o modelo ganha tração no Brasil com adaptações locais. O contrato combina locação inicial e promessa irrevogável de venda, protegendo ambas as partes por lei. Prazos variam de 3 a 15 anos, com ajustes anuais por índices oficiais como IPCA ou INCC.
A Lei do Inquilinato (Lei 8.245/91), em seu artigo 27, assegura preferência ao locatário na compra, mas o arrendamento formaliza essa transição com cláusulas claras e averbação no cartório de imóveis.
Benefícios para locatários e locadores
Inquilinos constroem patrimônio sem grandes entradas iniciais, ideais para quem enfrenta barreiras em financiamentos SFH. Com abatimentos de 30% a 60% das parcelas, o custo efetivo diminui, e há estabilidade contratual contra despejos arbitrários.
- Acúmulo gradual de valores pagos como entrada na compra final.
- Proteção legal contra reajustes excessivos durante o período.
- Direito de permanência mesmo se o imóvel for vendido a terceiros, se averbado.
- Flexibilidade para famílias de baixa renda.
Para proprietários, garante renda mensal estável e venda planejada, reduzindo vacância em um mercado com taxa média de 15%. Com a reforma tributária 2026, locações puras enfrentam IBS e CBS, tornando o arrendamento mais atrativo para investidores.
Mudanças legais que impulsionam o modelo
Em 2026, atualizações na lei do aluguel proíbem garantias cumulativas e criam o Cadastro Positivo Imobiliário para maior transparência. Inquilinos adimplentes ganham proteção extra em casos de venda do imóvel, conforme decisões recentes do STJ.
A reforma tributária incide sobre locações acima de R$ 20 mil mensais, mas arrendamentos híbridos otimizam cargas ao enquadrar como promessa de compra-venda.
Como aderir ao novo sistema de arrendamento
O processo inicia com avaliação do imóvel por perito e simulação financeira. Imobiliárias especializadas oferecem pacotes prontos, mas consulte um advogado para personalização.
- Negociar termos: percentual abatido, prazo e valor residual à vista ou financiado.
- Redigir contrato bilateral com promessa de compra e venda futura.
- Averbá-lo na matrícula do imóvel no Registro de Imóveis.
- Manter pagamentos em dia para preservar direitos acumulados.
Custos notariais giram em torno de 2-4% do valor, mas são diluídos. Para 2026, espere aumento na demanda devido à inflação de serviços e juros estáveis em 10,5% ao ano.
Riscos e recomendações práticas
Desafios incluem inadimplência, que pode zerar créditos acumulados, e inspeções prévias para vícios ocultos. Exija laudo estrutural e seguro habitacional para mitigar.