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Migração

OIM registra 7.667 mortos ou desaparecidos em 2025 e alerta que subnotificação pode esconder dimensão da crise migratória

27 fev 2026 - 08h20 Joice Gomes
OIM registra 7.667 mortos ou desaparecidos em 2025 e alerta que subnotificação pode esconder dimensão da crise migratória Mortes em rotas migratórias somaram 7.667 em 2025, segundo a OIM. (Imagem: gerado por IA)

A Organização Internacional para as Migrações (OIM) contabilizou 7.667 pessoas mortas ou desaparecidas em 2025 durante travessias e deslocamentos irregulares. O levantamento reforça como a mortes em rotas migratórias permanece em nível crítico e segue como um dos retratos mais duros da pressão sobre sistemas de acolhimento, fronteiras e proteção humanitária.

Embora o total de 2025 seja menor do que o registrado em 2024, quando a contagem chegou a quase 9.200, a própria OIM indica que a redução não deve ser interpretada automaticamente como diminuição do perigo. A agência cita que o recuo pode estar ligado a menos tentativas em trajetos de alto risco em algumas áreas, especialmente nas Américas, e também a dificuldades maiores para monitorar e documentar as ocorrências.

O alerta sobre subnotificação ajuda a entender por que a mortes em rotas migratórias não é apenas uma estatística anual. Quando mortes e desaparecimentos deixam de ser registrados, perde-se a capacidade de enxergar padrões, mapear trechos críticos, orientar operações de busca e resgate e desenhar políticas públicas que reduzam riscos reais, e não apenas riscos percebidos.

Por que a redução não significa alívio

O dado de 2025 mantém a mortes em rotas migratórias em um patamar extremo, ainda que abaixo do ano anterior. A diretora-geral da OIM, Amy Pope, classificou a perda contínua de vidas como uma falha global que não deveria ser normalizada, defendendo respostas rápidas para oferecer alternativas seguras a quem se desloca.

Para a agência, parte do problema está na combinação de restrições a vias legais de migração e na presença de redes de contrabando e crime organizado. Quando caminhos regulares se tornam inacessíveis, mais pessoas acabam empurradas para rotas clandestinas, que costumam ser mais longas, caras, arriscadas e com menor chance de socorro em emergências, ampliando a mortes em rotas migratórias.

  • Em 2025, a OIM registrou 7.667 mortos ou desaparecidos em deslocamentos migratórios.
  • Em 2024, a contagem chegou a quase 9.200, referência usada para comparar a variação anual.
  • A OIM alerta que a queda pode refletir mudanças de fluxo e piora na capacidade de monitoramento, e não redução efetiva do risco.

Rotas marítimas seguem no centro das mortes

As travessias por mar voltaram a concentrar parte importante da mortes em rotas migratórias. Em 2025, o Mediterrâneo foi apontado como um dos corredores mais letais, com 2.108 mortos ou desaparecidos, evidenciando que a combinação de embarcações precárias, superlotação e mudanças bruscas de clima continua a transformar rotas marítimas em áreas de alta letalidade.

Outra rota destacada foi a do Atlântico em direção às Ilhas Canárias, onde 1.047 pessoas morreram ou desapareceram no mesmo período. A repetição de números elevados em corredores marítimos indica que a crise não se sustenta apenas por um evento isolado, mas por um cenário contínuo em que o deslocamento irregular, a falta de alternativas seguras e a fragilidade de resgate se sobrepõem.

Na Ásia, a OIM registrou cerca de 3.000 mortes de migrantes em 2025, com mais da metade de afegãos. O dado sugere que crises prolongadas e busca por proteção continuam alimentando fluxos por trajetos de risco e reforça que a mortes em rotas migratórias se reorganiza conforme conflitos, restrições e oportunidades de passagem mudam.

  • Mediterrâneo: 2.108 mortos ou desaparecidos em 2025.
  • Rota atlântica para as Ilhas Canárias: 1.047 mortos ou desaparecidos em 2025.
  • Ásia: cerca de 3.000 mortes, com mais da metade de afegãos.

Cortes de recursos ampliam a subnotificação

Um ponto central do alerta é a subnotificação associada a cortes de financiamento e às limitações de acesso humanitário. Menos recursos podem significar equipes menores, presença reduzida em zonas remotas, menos capacidade de coleta de dados e, em casos críticos, menos resposta a emergências, o que torna a mortes em rotas migratórias ainda mais difícil de dimensionar.

A OIM afirma que foi afetada por grandes cortes de financiamento dos Estados Unidos, levando a agência a reduzir ou encerrar programas. Esse tipo de retração impacta tanto a proteção direta quanto a produção de informações usadas para orientar políticas, priorizar trechos de risco e coordenar respostas, aumentando o risco de que mortes e desaparecimentos não sejam contabilizados.

  • A OIM relaciona a subestimação do total a cortes que dificultam rastreamento e acesso humanitário.
  • A agência afirma ter reduzido ou encerrado programas após grandes cortes de financiamento dos EUA.
  • Menos registro tende a reduzir prevenção, resposta e responsabilização em tragédias.

O que pode mudar a partir de agora

Para a OIM, um eixo de resposta passa por ampliar rotas seguras e regulares, reduzindo a dependência de contrabandistas e a necessidade de travessias clandestinas. A lógica é direta: quando existem caminhos legais acessíveis e mecanismos de proteção, cai a exposição a jornadas improvisadas e cresce a chance de assistência, o que pode reduzir a mortes em rotas migratórias.

Ao mesmo tempo, a agência indica que, sem financiamento e capacidade operacional, a tendência é que persistam a subnotificação e a dificuldade de resposta rápida, mesmo que os fluxos se alterem. Em um cenário de fiscalização reforçada e estreitamento de caminhos formais, as rotas podem se deslocar para trajetos ainda mais perigosos, mantendo a mortes em rotas migratórias como um indicador contínuo de vulnerabilidade humana em deslocamentos internacionais.

  • A OIM pede expansão de rotas seguras e regulares para reduzir exposição a contrabandistas e traficantes.
  • A agência afirma que mortes podem ser evitadas quando vias seguras existem e são acessíveis.
  • Sem financiamento e acesso humanitário, o risco de subnotificação e resposta insuficiente tende a permanecer.
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