Projeto Sustenta Carnaval recolhe fantasias da Sapucaí, reaproveita materiais e evita impacto ambiental, com mais de 60 toneladas salvas do lixo até 2026.
(Imagem: Projeto Sustenta Carnaval/Divulgação)
O carnaval da Sapucaí é sinônimo de brilho, plumas e enredos grandiosos, mas também gera uma montanha de resíduos têxteis. Para mudar esse cenário, o Projeto Sustenta Carnaval surgiu como uma solução inteligente e sustentável.
Fundado em 2022 por Mariana Pinho, o projeto recolhe fantasias descartadas pelas escolas de samba após os desfiles na Marquês de Sapucaí. Em seu primeiro ano, já foram 3 toneladas de materiais salvos do aterro sanitário. O crescimento foi impressionante nos anos seguintes.
Resultados impressionantes ano a ano
Em 2023, o Projeto Sustenta Carnaval coletou 23 toneladas de resíduos têxteis. No ano seguinte, 2024, o número subiu para 24 toneladas, e em 2025 manteve-se em 23 toneladas, totalizando mais de 60 toneladas desviadas do descarte até o momento.
Esses números representam não só uma vitória ambiental, mas também econômica. Tecidos sintéticos e plásticos demoram cerca de 400 anos para se decompor na natureza, o que torna o reaproveitamento essencial para mitigar o impacto no planeta.
- 2022: 3 toneladas recolhidas no primeiro ano de operação.
- 2023: 23 toneladas, com parceria inicial com Liesa e Rio Carnaval.
- 2024: 24 toneladas, expansão para exportações internacionais.
- 2025: 23 toneladas, contribuição para certificação ISO 20121 do carnaval.
Galpão na Pequena África vira ponto de garimpo
O coração do Projeto Sustenta Carnaval fica na Rua Pedro Ernesto, 67, na Gamboa, território da Pequena África, em frente ao Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira. O galpão está aberto ao público de quarta a sexta, das 14h às 19h, e aos sábados, das 10h às 19h.
Visitantes podem garimpar fantasias, plumas e adereços a preços acessíveis. Artistas, figurinistas e amantes da moda passam horas selecionando peças, emocionados com a possibilidade de dar nova vida a itens que cruzaram a avenida.
"Temos compradores da arte, do carnaval, que entendem o valor ambiental e ficam o dia inteiro", conta Mariana Pinho. O espaço promove oficinas de customização e upcycling, fomentando a economia criativa local.
Impacto social e parcerias estratégicas
O Projeto Sustenta Carnaval vai além da reciclagem: gera emprego para comunidades do samba e territórios periféricos. Parcerias com a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), Rio Carnaval e Secretaria Municipal de Meio Ambiente fortalecem a iniciativa.
Em 2025, a coleta contribuiu para a certificação ISO 20121 do carnaval carioca, reconhecendo práticas sustentáveis em gestão de eventos. Materiais são exportados para Suécia, Inglaterra e Austrália, ampliando o alcance global.
Figurinistas como Wagner Louza e Lohanne Tavares são exemplos vivos do sucesso. Wagner cria figurinos para carnaval e festas juninas com os resíduos, enquanto Lohanne produz biquínis e adereços para o público jovem, inclusive em desfiles sobre mudanças climáticas.
Economia circular no samba
Mariana Pinho, com experiência em produção cultural no Brasil e Reino Unido, idealizou o projeto durante a pandemia. "Aquilo me atravessou: ver fantasias lindas indo para o lixão", relata. Hoje, o Sustenta integra o ciclo produtivo do carnaval, reinvenventando peças para teatro, cinema e moda.
A iniciativa evita a compra de novos materiais virgens, reduzindo emissões e promovendo a cultura brasileira de forma responsável. "Reutilizando, fechamos o ciclo do enredo, gerando renda para o território do samba", explica Mariana.
Com o carnaval de 2026 se aproximando, o Projeto Sustenta Carnaval planeja expandir oficinas e parcerias. É um modelo para outros eventos, mostrando que folia e sustentabilidade podem andar juntas, preservando o meio ambiente e a tradição sambeira.
O projeto prova que pequenas ações coletivas podem transformar realidades. Ao visitar o galpão ou apoiar as escolas parceiras, qualquer um contribui para um carnaval mais verde. A Sapucaí brilha não só na avenida, mas também na inovação sustentável.